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1 de fev. de 2011

São Paulo Fashion Week cumpre acordo e abre espaço a modelos afrodescendentes

São Paulo – Prestes a completar 15 anos, a São Paulo Fashion Week (SPFW) aceitou cumprir um termo de ajuste de conduta (TAC) assinado junto ao Ministério Público do estado. Pelo acordo, a organização do evento, um dos mais importantes desfiles de moda do mundo, garante que 10% dos modelos que se apresentassem no evento sejam negros ou negras. Para a ONG Educação e Cidadania de Afro-descendentes e carentes (Educafro), a medida é louvável, mas insuficiente.


No SPFW, ao menos 10% dos modelos devem
ser negros, afrodescendentes ou indígenas,
determinou o Ministério Público
(Foto: Agência Fotosite/Divulgação SPFW)
 Em carta, o diretor-executivo da entidade, Frei Davi Santos, agradeceu aos organizadores das edições de 2009 e 2010 pelo cumprimento do TAC que determinava um número mínimo de modelos afrodescendentes. Ele, porém, acredita ser ainda muito inexpressiva a inclusão "tendo em vista a quantidade de modelos afrodescendentes disponíveis para o mercado", explica o texto contido na carta.

A proposta do ativista dobrar a proporção de modelos afrodescendentes. "Se o IBGE revelou que a porcentagem atual da população negra no Brasil é de 51,3%, porque a SPFW não dá mais um salto e assume o compromisso nesta edição de 2011 de ampliar para 20% o índice de negros/as? Mas não é o bastante: queremos também a garantia de igualdade de cachê entre os/as modelos afrodescendentes, indígenas e brancos/as", escreve a carta.

A Educacafro também interpretou a ação como uma forma de conscientização da população sobre a necessidade de combater todos os tipos de discriminação. “É preciso exterminar qualquer situação de discriminação contra a comunidade negra e demais carente”, conclui a nota.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/01/sao-paulo-fashion-week-cumpre-acordo-e-abre-espaco-a-modelos-afrodescendentes

Meios de comunicação do país ainda não incorporaram negros

"Por isso, um veículo de massa traz poder às pessoas que o possuem ou que fazem parte de sua programação e “atualmente, não há interesse que a população negra alcance esse poder e tenha voz para fomentar seus avanços sociais”
Osmar Gaspar


A baixa participação da população negra nas programações e propagandas veiculadas nos grandes meios de comunicação de massa no Brasil pode significar menores oportunidades de trabalho e alimentar um preconceito racial velado no país, aponta estudo realizado na Faculdade de Direito (FD) da USP. Para o pesquisador Osmar Teixeira Gaspar, responsável pelo trabalho, “ter visibilidade acarreta algumas possibilidades ao longo da vida e a falta dela também pode criar um ideário popular de que determinadas funções devem ser ocupadas por determinados esteriótipos”.

Segundo o pesquisador todo material publicitário atualmente ainda é feito com um recorte racial, assim como algumas telenovelas. “Você raramente vê algum médico ou cientista negro nas telenovelas, isso faz um garoto negro pensar que, devido à sua cor, jamais poderá participar daquele universo branco e exercer aquelas funções. Esta censura midiática desperdiça e marginaliza talentos”, afirma Gaspar. “Isso não incentiva negros a almejar determinadas profissões.”

Com isso, o estudo de mestrado desenvolvido por Gaspar busca traçar como o conteúdo dos veículos de comunicação de massa e seus personagens fatalmente refletem no mercado de trabalho, por meio da análise das telenovelas das emissoras Globo, SBT e Record, no período de 2005 a 2010, e de revistas impressas. “Nas peças publicitárias ou nos comerciais de televisão, os elementos negros ou estão no fundo da cena ou não tem voz”, relata o pesquisador.

O estudo examinou algumas revistas impressas brasileiras – como Elle, Sou+Eu, Manequim, Claudia, Vogue Brasil, TPM entre outras – e apontou que as mulheres brancas aparecem nessas publicações 94,08% das vezes contra apenas 6,081% das mulheres negras. De acordo com o pesquisador, isso é um dos exemplos de como a ausência ou a discriminação da população negra nos veículos de massa refletem nas oportunidades profissionais. “As agências publicitárias pouco fazem uso de modelos afrodescendentes, o que não é justificável, pois as classes C e D do Brasil, onde se encontram a maioria da população negra, são um grande mercado consumidor”, infere Gaspar.

Representatividade - Após anos de escravidão e influências europeias sob território tupiniquim, a ausência das populações negras nos palcos decisórios, de debate e de poder na sociedade brasileira se tornou algo natural, defende o pesquisador. “Parte dos próprios negros se acostumaram com sua ausência e naturalizaram a ideia”, afirma.

Segundo o pesquisador, um veículo de comunicação de massa participa das decisões e dos processos de construção de uma sociedade. Por isso, um veículo de massa traz poder às pessoas que o possuem ou que fazem parte de sua programação e “atualmente, não há interesse que a população negra alcance esse poder e tenha voz para fomentar seus avanços sociais”.

Por fim, Gaspar ressalta que deve-se apenas defender a Constituição Federal. “Nossa Constituição não hierarquiza e tampouco admite qualquer tipo de censura aos brasileiros em razão de seu fenótipo. Ao contrário, ela lhes assegura o direito de gozarem das mesmas oportunidades, representatividade e visibilidade”, diz.

Contudo, segundo o pesquisador, é necessário que o Estado brasileiro implemente políticas públicas que efetivamente democratizem e assegurarem o acesso e a inserção desta população negra aos meios de comunicação de massa, de forma proporcional à sua representatividade dentro da sociedade brasileira. “Entendo que a televisão comercial deve ser lucrativa, mas por outro lado, não se pode desvalorizar o ser humano. A TV deve e pode investir em uma grade de programação plural que aborde diversos aspectos culturais do Brasil e das etnias que compõem nossa sociedade”, conclui.

Mais informações: email osmartgaspar@yahoo.com.br
Fonte: http://www.usp.br/agen/?p=45620

1 de ago. de 2009

Supremo nega liminar do DEM contra cotas raciais da UnB

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, negou hoje (31) o pedido de liminar ajuizado pelo DEM (Democratas) para suspender a adoção pela UnB (Universidade de Brasília) de cotas para admissão de vestibulandos negros.

"Embora a importância dos temas em debate mereça a apreciação célere desta Suprema Corte, neste momento não há urgência a justificar a concessão da medida liminar", afirmou Mendes.

O partido pediu a suspensão do sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília (UnB). Decisões do STF servem como parâmetros para outros casos semelhantes. As cotas vão ainda a julgamento em plenário.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/07/31/ult105u8478.jhtm
Fonte: http://mundoafro.atarde.com.br/?p=1252

16 de dez. de 2008

CCJ DO SENADO ADIA VOTAÇÃO DO PROJETO DAS COTAS RACIAIS

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado adiou nesta quarta-feira a votação do projeto que estabelece cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais de todo o país.O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu o adiamento da votação para que na próxima segunda-feira seja feita uma audiência pública sobre o assunto.

A matéria dever voltar à pauta da CCJ na próxima quarta-feira.O texto, já aprovado na Câmara, determina que 50% das vagas nas universidades sejam reservadas a alunos de escolas públicas. Metade dessas vagas deverá ser distribuída de acordo com critérios raciais e estabelecida proporcionalmente à distribuição populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A outra metade será distribuída conforme a renda familiar per capita, menor que um salário mínimo e meio.

10/12/2008
Retirado do site do Jornal do Brasil.Agência BrasilBRASÍLIA -

16 de out. de 2008

Sem ações afirmativas, Brasil levará 20 anos para zerar desigualdade de renda entre negros e brancos, conclui Ipea

Estudo divulgado nesta terça-feira (14/10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada em 2029.
De acordo com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na medida em que não é atribuível a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de discriminações passadas ou presentes”, informa o documento. Continua...

Fonte: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

21 de set. de 2008

PRIMEIRA TURMA DE COTISTAS SE FORMA NA UNB

Pessoas, esta matéria do Jornal O Globo é horrível. Primeiro fala que o acrescímo de pontos, 10% para estudantes de escola pública do interior, são cotas de 10% para escola pública (erro grave). Depois fala que a UNB reserva 10% das vagas para negros (na verdade reserva 20%). Segue dizendo que de 61 cursos analisados os cotistas tiveram menor desempenho, comparado com os não-cotistas, em 9 cursos, contudo a repórter faz questão de ressaltar o peso do "fracasso" neste 9 cursos. Coisas esquisita..... vocês não acham? Em 85% dos cursos analisados os dois grupos tiveram rendimento iguais e equilibrados, mas o que vale mais ser destacado é os 15% restantes. Será alguma técnica jornalística de prender a atenção do telespectador?

Mais erros grosseiros... a reporter entrevista três pessoas e não indica seus nomes ou cargos. Além disso, a matéria em todo o momento dá a entender que melhorar o ensino público resolveria o "problema" da incompetência dos candidatos pobres (nesse momento não falam mais dos negros). O "cientista social"(?) diz que com o tempo as cotas podem perder legitimidade política. Caramba daonde ele tirou isso???

Para finalizar com chave de ouro o âncora termina com um juízo de valor dizendo que "as cotas não podem esconder o maior problema do Brasil que é a qualidade do ensino".

Mais manipulação do que isso fica difícil... Sabemos que esta é uma mídia a serviço dos não negros e que durante todo este tempo fará de tudo para, desviar sua atenção para a relaçã que estrutura a nossa sociedade brasileira: as relações raciais. Invisibilizar, tornar de menor valor, desconsiderar as vitórias políticas da população negra nunca serão notícias.... Racismo Midiático na veia todo dia, pode nos deixar, inertes.



Fonte Globo.com e Blog AldeiaGriot