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5 de jun. de 2011
Pegando na veia do racismo no Brasil
Por Luiz Weis em 24/05/2011 no Blog Desativado
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Neste último fim de semana, tivemos um exemplo da diferença que faz quando um jornal pega na veia de um daqueles assuntos a partir dos quais uma sociedade se enxerga melhor a si mesma.
É o especial da Folha de domingo sobre racismo: 16 páginas sem um único anúncio, atualizando a sua primeira grande incursão pelo problema – o caderno, publicado em 1995, chamado “Racismo Cordial”.
O de agora – “O Racismo Confrontado” – também se baseia numa pesquisa do Datafolha sobre as atitudes declaradas dos brasileiros a respeito das relações entre brancos e negros. Embora obviamente preparado antes, saiu três dias depois que a Câmara dos Deputados aprovou projeto de cotas para negros, pardos e indígenas que tenham feito o ensino médio em escola pública nas universidades federais brasileiras.
A primeira “notícia” da pesquisa é que caiu dramaticamente, de 11% para 3%, a proporção daqueles que assumem o seu preconceito em relação aos negros, enquanto permaneceu estável (na casa de 90%) o contingente dos que acham que o brasileiro têm preconceito de cor.
Foi como se tivessem dito: “Eu não, mas os outros sim.” Está claro que as pessoas ficaram mais inibidas em manifestar o seu preconceito. A hipocrisia, dizem os franceses, é a homenagem que o vício presta à virtude. Mais disfarçado, o preconceito se rende ao fato de que o racismo é inaceitável.
Também caíram consistentemente as porcentagens de concordância com frases racistas, do tipo “Negro bom é negro de alma branca” (de 47% para 26%) ou “As únicas coisas que os negros sabem fazer bem são música e esporte” (de 43% para 20%).
A outra importante revelação do levantamento é que desta vez só 37% dos entrevistados – ante 50% em 1995 – se declaram brancos. Os “pardos” aumentaram de 29% para 36%, os “pretos” continuam o que eram (12% na primeira pesquisa, 14% agora).
Continua...
4 de jun. de 2011
3 de jun. de 2011
OAB-PE festeja processo contra Mayara: "A resposta foi dada"
Estudante é acusada pelo crime de racismo por ter atacado os nordestinos no Twitter após a vitória de Dilma
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE), comemorou a notícia de que Justiça Federal de São Paulo abriu processo contra a estudante de Direito Mayara Penteado Petruso pelo crime de racismo. Como forma de expressar revolta logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT), a jovem usou suas páginas no Twitter e no Facebook para hostilizar nordestinos, desencadeando uma onda de preconceito na internet. Na visão de Mayara, o triunfo da petista só foi possível graças ao povo daquela região, especulação que os dados da Justiça Eleitoral desmentem.
Fonte: WSCOM On LIne
Conselho de Educação refaz parecer sobre livro de ´Monteiro Lobato´
O Conselho Nacional de Educação emitiu um novo parecer sobre o livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, depois que o documento original, que considerava que a obra deveria ser retirado da relação de publicações atribuídas às escolas públicas, foi "devolvido" pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Pelo novo parecer, o livro pode ser mantido nas escolas, mas é preciso que a obra seja contextualizada pelos professores quando utilizada em sala de aula.
Continua...
Fonte: Camaçarí Notícias
Continua...
Fonte: Camaçarí Notícias
2 de jun. de 2011
Delegacia especializada em crimes virtuais recebe denúncias via Twitter
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Para ver os endereços e canais de contato das delegacias, clique aqui
DELEGACIAS ESPECIALIZADAS EM CIBERCRIMES
- Distrito Federal
- Espírito Santo
- Goiás
- Mato Grosso do Sul
- Minas Gerais
- Pará
- Paraná
- Pernambuco
- Rio de Janeiro
- Rio Grande do Sul
- São Paulo
Nos Estados da Federação onde não existirem delegacias especializadas, procure a mais próxima da sua residência
Fontes:
Na pauta: a intolerância, o preconceito e o racismo nas redes sociais
Danillo Neres
Especial para O Girassol
Especial para O Girassol
A tecnologia, indiscutivelmente, vem provocando mudanças significativas no comportamento das pessoas e na forma de se relacionarem. Atualmente, os usuários estão há um click de distância dos outros. Por conta dessa facilidade, o preconceito, a difamação e o bullying virtual, estão cada vez mais constantes naquilo que os usuários traduzem como “opinião pessoal”.
Todos os dias, o racismo, a xenofobia, a pedofilia, a homofobia, a intolerância às religiões, entre outros casos extremos de preconceito, reduzem os microblogs e redes sociais, a um campo de concentração, onde é possível facilmente promulgar pensamentos retrógrados.
No Brasil, entre 2 e 6 de abril, deste ano, a MITI Inteligência realizou uma pesquisa para identificar o comportamento das pessoas nas redes sociais no que se refere a temas polêmicos, envolvendo intolerância, racismo, bullying e preconceito na rede. Nesse período, foram capturadas mais de 38 mil interações contendo palavras de baixo calão relacionadas a empresas, marcas, personalidade e pessoas comuns.
“Os termos pejorativos são comuns entre perfis anônimos, mas hoje, usuários que se identificam na internet, representam grande parte dos casos de preconceito virtual” avalia Elizangela Grigolette, especialista em crimes virtuais e Gerente de Inteligência da MITI Inteligência. A especialista acrescenta que há leis vigentes para casos de crimes virtuais, porém a aplicabilidade delas não é de conhecimento social. “Ninguém sabe onde estão as delegacias nem como proceder.
A legislação não está clara. Além de criar novas delegacias, é preciso levar ao conhecimento da sociedade as leis que regem esse tipo de crime” enfatiza. “A internet tomou uma dimensão muito grande. É uma terra sem lei, sem princípio” pondera.
Fonte: O Girassol
Apple é processada nos EUA por discriminar dois homens negros em loja da marca
Em dezembro do ano passado, Brian Johnston, 34, e Nile Charles, 25, foram até a Apple Store de Upper WestSide (em Nova York) para comprar fones de ouvido. No entanto, eles foram convidados a saírem da loja por trajarem um “tipo de moda intimidatória”. Eles, agora, estão processando a Apple por isso. As informações são do site americano “Apple Insider”.
UOL Notícias Tecnologia
Phone Arena.com - Employees of the Broadway Apple Store charged with racial discrimination in lawsuit
Digital Trends - NYC Apple Store sued over alleged racial profiling
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| Frente da Apple Store Upper West Side, em Nova York, nos Estados Unidos |
De acordo com o processo, ambos os homens estavam usando roupas largas e foram abordados por um funcionário da Apple de cor branca e com quase 1,90 m de altura.
O funcionário teria pedido aos dois homens negros que deixassem a loja, a não ser que eles planejassem comprar algo ou pedir ajuda a um especialista da Apple Store. Porém, mesmo antes da abordagem, o atendente disse que eles não eram bem-vindos por causa da cor de pele.
“E antes que vocês digam que isso é racismo. Eu digo que estou discriminando, especificamente, vocês. Eu não quero pessoas deste tipo na loja”, disse, supostamente, o funcionário da Apple. Ao tentar falar com o gerente da loja, o chefe de segurança da Apple Store os ignorou. Após um tempo, eles conseguiram falar com gerente e registraram a reclamação de racismo.
Johnston e Charles estão a pedir ao tribunal por danos morais por causa da "dor emocional, o sofrimento, inconveniência, perda dogozo da vida, e outros prejuízos não patrimoniais". O processoacusa a Apple de discriminação em Nova York e leis federais de direitos civis.
O processo foi registrado em fevereiro na Suprema Corte de Nova York. No entanto, o caso só ganhou notoriedade após chegar no Distrito sul de Nova York, informa o site americano.
Phone Arena.com - Employees of the Broadway Apple Store charged with racial discrimination in lawsuit
Digital Trends - NYC Apple Store sued over alleged racial profiling
Justiça aceita denúncia e abre processo contra jovem que cometeu racismo contra nordestinos no Twitter
A Justiça Federal de São Paulo, após receber denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), anunciou nesta quinta-feira (2) que abriu processo pelo crime de racismo contra a estudante de direito Mayara Petruso.
Segundo a denúncia, oferecida pela Procuradoria da República em São Paulo, Mayara postou em seu perfil no Twitter mensagem de incitação à discriminação no dia 31 de outubro de 2010. Na ocasião, pouco após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, a jovem publicou a seguinte mensagem em seu microblog: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”.
O ato de intolerância foi alvo de inúmeras críticas na própria rede social, assim como nos meios de comunicação. Ao prestar depoimento ao MPF, a jovem assumiu que postou os comentários em sua página do Twitter, confirmando ainda ser a criadora do perfil. A denúncia foi oferecida no último 3 de maio e o processo aberto no último dia 4 de maio.
O crime de racismo, disposto no artigo 20 da lei 7716/89, prevê pena de 1 a 3 anos de prisão e multa - pena que pode subir para 2 a 5 anos de prisão e multa, caso o crime seja cometido via meios de comunicação social. O caso tramitou sigilosamente até o recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário. O objetivo era preservar o conteúdo das quebras de sigilo telemáticas feitas para confirmar se o perfil realmente era atualizado por Mayara.
Fonte: UOL Notícias
Entenda o caso Mayara Petruso, aqui mesmo, no Blog. Clique aqui...
Imagens de quem quer FAZER UM MUNDO MELHOR
Veja esta imagem!!!
Ao observamos mais atentamente o site da referida instituição, na área dedicada à Pós Graduação, percebemos que ESCOLHAS são feitas. Há um definição do perfil dos/das profissionais desejados. Como não afirmar que o site demonstra atitudes racistas que podem ser classificadas como Racismo Virtual?
Fonte das imagens:
http://www.dompedrosegundo.edu.br/
http://www.dompedrosegundo.edu.br/pos/
Na verdade não é uma imagem, são várias imagens que ao serem analisadas demonstram o grau de racismo e violência a que estamos imersos e que estão sendo naturalizadas ao extremo.
Sob o mote de juntos, melhorarmos o mundo, a Faculdade Dom Pedro II se permite exibir e expor imagens de crianças negras do continente africano, sem referenciar país, período em que foram registradas e qual a relação com a discussão sobre o desarmamento. Outra disparidade é a centralidade de um pessoa branca não proporcionando um diálogo, mas sim um posicionamento de quem está "junto, por um mundo melhor".
| Quantos/as negros/as estão neste banner eletrônico??? |
http://www.dompedrosegundo.edu.br/
http://www.dompedrosegundo.edu.br/pos/
30 de mai. de 2011
Sobre o Projeto de Lei que regulamenta as Lan House's - Tramitação
Segue, tramitação do projeto de lei 4.361/2004 aprovado pela Câmara dos Deputados
Em 27/4/2011 Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA) fez Remessa ao Senado Federal através do Of. nº 84/11/PS-GSE
Em xxx sss ddd...
Acompanhamento: Câmara de Deputados e Senado Federal
Em 27/4/2011 Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA) fez Remessa ao Senado Federal através do Of. nº 84/11/PS-GSE
Em xxx sss ddd...
Acompanhamento: Câmara de Deputados e Senado Federal
Sobre o Projeto de Lei que regulamenta as Lan Houses - 2
Entrevista
Muitos fatores contribuíram para a abertura das portas das lan houses ao mundo da inclusão digital. Em especial, a militância de organizações da sociedade civil como a Associação Brasileira de Centros de Inclusão (Abcid), presidida pelo ativista Mário Brandão. Um dos principais articuladores do projeto de lei para regulamentação das lans, que em abril foi aprovado na Câmara dos Deputados e encaminhado para o Senado, Brandão fala das novas vocações dos centros privados de acesso coletivo e defende o papel social desses estabelecimentos. Por isso, reivindica: “Assim como o governo fornece mão de obra para a indústria, para o turismo etc., nós também deveríamos ser contemplados por essas políticas públicas de qualificação profissional”.
Estigmatizadas como casas de jogos e diversão, hoje as lan houses começam a ser vistas como centros de inclusão digital. A que se deve essa mudança?
Mário Brandão – Não é que as lan houses estão mudando. É que o público das lans amadureceu e tem outras necessidades. A lan house começou em 1998, 2000, com a primeira onda de games. Depois, o garoto que frequentava a lan para jogar passou a querer namorar, falar com os amigos, encontrar as amizades. Ou seja, começou a querer comunicação. Então explodiu, primeiro ICQ, bate papo do UOL, depois MSN e Orkut. Conforme esse usuário cresce, surgem outras necessidades: estudar, pesquisar, trabalhar... às vezes é um cara que vai casar, vai à lan house procurar apartamento, terreno pra comprar. E as lans vão se posicionando para atender a essas demandas. Mas também tem os usuários entrantes, adolescentes que querem jogar. Por isso, a lan house de jogo ainda existe e vai continuar existindo. Só que agora existem outras coisas também.
Vamos à extensa e interessante entrevista?
Falta informação sobre o potencial das lans nas estratégias de democratização do acesso à internet ou ainda há muito preconceito?
Brandão – Havia muito preconceito porque as lans são eminentemente espaços de acesso de público de baixa renda. Mas a lan house ficou conhecida como um lugar onde a galera queria ir pra jogar e matar aula porque foi esse o início. A gente herdou o vácuo do que era o fliperama. Só que o computador e a internet são bem diferentes de uma máquina de fliperama em que você ou joga, ou joga. A internet terá o uso que você fizer dela. Se você entra no telecentro mais conceituado do Brasil, abre o Google e digita uma palavra, o resultado que vai aparecer na tela é igual ao resultado que vai aparecer na tela de uma lan house de jogo. Então, se você quiser chegar em uma lan house de serviço e estudar, você pode. Assim como você pode fazer comunicação na lan house de jogos. Embora a lan house tenha sua vocação, quem diz o que quer fazer nesses espaços é o usuário. Por muito tempo as pessoas associaram a internet a um ambiente pouco colaborativo, pouco social, sempre viram a internet pelo lado da criminalização, pelo potencial de danos, de intercâmbio de fotos de pornografia. Um espaço potencializador de más condutas. Hoje já se tem a percepção de que é um espaço potencializador de condutas – más ou boas. Se o cara quiser fazer coisas boas, a lan house vai potencializar também.
Que tipo de atividades e conteúdos são oferecidos pelas lans?
Brandão – Lan house é um negócio plural. Olha só. Aqui no meu bairro, tem uma lan house escura, com neon nas paredes, você anda e não consegue enxergar seu pé. É um clima de imersão, onde você “entra no computador” e a ideia é que nada te distraia. Esse é um ambiente muito propício para quem quer jogar ou precisa fazer alguma coisa que exige alta concentração. A cem metros, tem outra lan, que parece uma farmácia, de tão iluminada. No desktop, não tem nenhum jogo. Mas tem sites da prefeitura, da polícia civil, de serviços públicos, de banco. É um lugar voltado para negócios, um centro de serviços de escritório, como impressão, recarga de cartucho, copiadora. Enfim, serviços para quem não tem computador, ou para quem tem mas não sabe usar. Duzentos metros do outro lado, tem outra lan, que funciona em uma locadora de vídeo. O dono colocou cinco ou seis máquinas, o pessoal pega o filme e assiste no computador. Mas esse cara também gosta muito de história em quadrinhos. Aí ele digitalizou vários gibis antigos para o pessoal consultar, ler, “folhear” na tela. O lugar se tornou um centro de cultura voltado para cinema, HQ, entre outras coisas. Também pertinho tem uma lan com perfil de comunicação, tecnologia para chamadas de voz pela internet, webcam nas máquinas. As pessoas utilizam essa estrutura para fazer treinamento, capacitação para call center, para revendedores. Outros vão lá fazer conferência de trabalho. Aqui na minha lan, a X-Rio, o forte é a educação, o ensino a distância. Nosso maior movimento é à noite, porque o pessoal sai do trabalho e vem pra cá estudar, pesquisar. Então, são lan houses diferentes, cada uma tem seu modelo, e nenhuma concorre diretamente com a outra.
Como espaços privados, que comercializam serviços, as lan houses podem contribuir para a inclusão digital no país?
Brandão – Sim, e essa é uma função importante das lans. Seria ótimo que todos pudessem ter um computador em casa. Mas veja só: vamos fazer um cálculo com base em um indicador chamado Custo Total de Propriedade, que é o quanto custa ter ou manter a posse de determinado bem – no caso, o computador com o acesso à internet. Um computador em uma residência significa uma despesa mensal em torno de R$ 250. São de R$ 50 a R$ 100 da prestação da máquina, mais o custo de depreciação nos dois ou três anos de vida útil da máquina, mais as despesas de energia, conexão, provedor de internet, manutenção do equipamento e até a formação para manipular o equipamento independente de ajuda. E esse custo mensal pode chegar a R$ 400, em camadas sociais um pouco mais altas. Esse custo é para uma média de navegação de 40 horas, 60 horas por mês. Em uma lan house, o mesmo tempo de navegação sai por R$ 60, R$ 70. Para uma pessoa que tem uma renda de quatro salários mínimos para cima, esse custo de propriedade é razoável, ela consegue manter a máquina. Mas, para quem ganha de um a dois salários mínimos, não dá. Esse dinheiro representa a cesta básica, o crédito no celular. Isso faz com que a lan house seja uma escolha racional dessa população de baixa renda.
Mas a inclusão vai além do acesso. O que as lans houses precisam para para oferecer conexões e conteúdos para trabalho, estudo, serviços públicos?
Brandão – Alguns erros foram cometidos nos últimos anos, como o de alijar as lans das políticas públicas para qualificar o acesso à internet. Você conhece um centro de formação de monitor para lan house? Os programas de formação de governos são para telecentros gratuitos e não dão abertura para que as lans participem, mesmo que queiram pagar por isso. Existem, no país, cerca de 250 mil pessoas trabalhando em cerca de 100 mil lan houses (projeção da Abcid, em 2010, a partir de dados do Nic.BR). Assim como o governo fornece mão de obra para a indústria, para o turismo etc., nós também deveríamos ser contemplados por essas políticas públicas de qualificação profissional. Nós somos um segmento de mercado. E está errado pensar que esse investimento público vai beneficiar um segmento privado, o das lans. A gente tem que pensar o seguinte: como está sendo a cultura de navegação de 30 milhões de pessoas que acessam internet via lan houses no Brasil? A ausência do governo faz com que a gente tenha uma pobre qualificação do acesso dentro das comunidades de baixa renda, que são os territórios predominantes das lans.
O projeto de regulamentação de lan houses que está no Senado atende às expectativas do setor?
Brandão – Esse projeto é uma luta nossa desde 2007. Em 2006, a gente começou as ações da Associação e eu sai atrás dos deputados do Rio de Janeiro para dizer a eles que o tratamento legislativo dado às lans não afeta só as lans. Cria dificuldades a milhões de pessoas, para as quais é mais econômico acessar a internet via lan house. As pessoas precisam ter o direito a essa opção. A internet, em vários lugares do mundo, hoje já é considerada direito fundamental. Aqui, lan house tem de estar a tantos quilômetros da escola, estudante não pode entrar em lan com uniforme, menor precisa de autorização dos pais reconhecida em cartório... Todas essas dificuldades, em outros países, seriam desconstruídas por princípios constitucionais. Mas, no Brasil, aconteceu o contrário. Surgiram leis municipais severas, depois estaduais. E a gente começou a ver que isso não dificultava a operação das lans, em si. Dificultava um tipo de lan que, no meu ponto de vista, é uma das mais fundamentais. Por exemplo: aqui no Rio de Janeiro, você é obrigado a fazer matrícula escolar pela internet. Mas poucos estudantes de escola pública têm acesso residencial. Na época de matrícula, tem fila aqui, de pai e mãe para matricular o filho na escola. Aí você se pergunta: é justo que essas pessoas que precisam ter acesso a esses bens civilizatórios, inclusive a educação, tenham tanta restrição? Se o garoto está de uniforme escolar, não entra. E a maior parte das legislações é assim: não pode entrar de uniforme e ponto. Quer dizer, fora do turno dele de escola, no final de semana... não pode. Em São Paulo, Paraná, isso talvez seja considerável. Mas no Norte, Nordeste, muitos meninos e meninas não têm roupas. Eles andam com a roupa da escola, mesmo no final de semana. É a roupa que eles têm. Esse tipo de restrição, portanto, não cria dificuldade só para a lan house, cria para o garoto que saiu da escola e quer ir direto fazer uma pesquisa. O impacto é sobre a inclusão digital do país.
Como você avalia as emendas aprovadas pela Câmara de Deputados, que fizeram restrições à versão inicial?
Brandão – Então, foram aprovadas duas emendas problemáticas. Uma é da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), sobre acessibilidade. A outra, do cadastro obrigatório, é do deputado Sandro Alex (PPS-PR). A questão da acessibilidade não está definida, foi para regulação posterior. Pode se referir à estrutura física ou aos hardwares e softwares. Se fosse acessibilidade de hardware e software, eu aprovaria plenamente. Mas o problema do acesso físico é mais complexo. Muitas lans funcionam no segundo andar de um prédio. Como aqui. Não acho justo que eu não possa existir institucionalmente pela minha incapacidade de oferecer acesso a um cadeirante. Veja, eu não sou contra assistividade. Até coloquei aqui na minha lan programas para deficientes visuais, que depois não vingaram por falta de demanda. Assim como também nunca veio aqui um cadeirante que ficasse sem subir. A gente juntaria duas ou três pessoas que ajudariam a trazê-lo para cima. Mas essa emenda é muito radical, inviabiliza muitas iniciativas. Não concordo que, para benefício da minoria, se deixe de atender à maioria. Você tem ideia de quantas lans houses existem nas favelas, sem a menor condição de ter um acesso desse tipo? É preciso levar em conta as diferenças. Uma coisa é um supermercado, um shopping, que têm estrutura necessária para colocar um elevador, uma escada rolante... isso deve representar 0,01% do faturamento de um estabelecimento desse porte. Outra, é uma lan house na periferia, em que o faturamento é de R$ 3 mil, R$ 4 mil por mês. A segunda emenda complicada é a que estabelece a obrigatoriedade dos cadastros.
Mas o que passou foi um cadastro simples. As lans já não fazem esse tipo de registro?
Brandão – Somos favoráveis à feitura de cadastro, e até orientamos donos de lans a fazer o cadastro, por uma necessidade de conhecer o cliente, fazer promoção. É como uma locadora de vídeo, toda locadora faz cadastro. A obrigatoriedade do cadastro é que é o problema. Porque dessa forma as lans estão sujeitas a duas figuras jurídicas terríveis: a teoria do risco e a responsabilidade civil objetiva. A teoria do risco fala que os danos decorridos da ação natural do seu negócio são de responsabilidade sua. Por exemplo: você tem um negócio de telefone. Se o seu telefone causar um prejuízo a alguém, mesmo você não tendo nada a ver com a história, é um risco inerente ao seu negócio. E você se torna responsável. No ordenamento jurídico brasileiro, a pessoa que desenvolve o negócio tem responsabilidade, independente de culpa. Legislativamente falando, é um desastre. Porque aí vem aquela coisa: se eu sou responsável pelo acesso, eu me dou o direito de vigiar a navegação. Mas, se eu tenho de respeitar a privacidade de navegação das pessoas, como eu posso ser copartícipe do que elas estão fazendo? E essa é outra discussão preocupante.
A responsabilidade civil objetiva também coloca o dono de lan house como corresponsável por crimes cometidos por usuários. E o ônus da prova em contrário é dele. Ele só deixa de ser responsável se identificar o responsável. Mas veja um exemplo no mundo concreto, não digital. Alguém manda uma carta ofensiva e no remetente escreve nome falso, endereço falso. Não dá para responsabilizar os Correios pela incapacidade de identificar quem é o verdadeiro remetente. Da mesma forma, se alguém cometer uma ofensa de um orelhão, não dá pra responsabilizar a operadora de telefonia pela incapacidade de identificar quem fez a ligação. Portanto, não se deve criminalizar o meio pelo qual foi cometido o crime. E as incapacidades técnicas que qualquer um desses vetores tem, a lan house também tem. Aqui na minha lan, tecnicamente falando, eu tenho um IP para 20 máquinas. Posso dizer quantas e quais pessoas estavam logadas, em determinado dia e horário, mas não consigo dizer de qual das 20 estações partiu determinado e-mail.
O cadastro não seria uma forma de inibir as práticas criminosas?
Brandão – As estatísticas mostram que 98% dos crimes da internet são imateriais – 95% contra a honra (calúnia, injúria e difamação) e 3% contra o patrimônio (desvio de dinheiro, uso de cartão de crédito etc.). Se compararmos os estados que têm leis de obrigatoriedade de cadastro com os que não têm, não há diferença significativa no percentual de crimes. Além disso, dados do Cetic.Br 2009 apontaram que 63% dos crimes na internet partiram de acessos residenciais. Dos 31% de crimes não originados em residências, 36% foram praticados em lans houses. Resultado: apenas 11% dos incidentes de segurança e ilícitos de toda a internet brasileira aconteceram em lans. Então vem a pergunta: por ter um perfil de pretenso anonimato, a lan house é um lugar de crime? Os números dizem que não. Até porque ninguém olha fotos de pornografia infantil com gente passando do lado, nas costas. É o contrário: por ser um ambiente público, sem privacidade, a lan inibe práticas criminosas. E, mesmo que eu tenha um cadastro... não sou capaz de identificar uma nota de R$ 50 falsa, quanto mais uma identidade falsa! Então, o cadastro não deve ter essa função. Os prejuízos sociais em nome da proteção contra crimes digitais são muito grandes.
Como é que as lan houses podem garantir sua sustentabilidade?
Brandão – Estamos na expectativa de que seja liberada uma linha de financiamento do BNDES de R$ 1 bilhão, para lan houses e microprovedores. Esse crédito vai permitir uma operação mais sustentável porque você vai poder, por exemplo, trocar monitores CRT, que consomem 90 watts, por monitores LCD, que consomem 23 watts. Hoje, o banco não dá crédito para lan house. No Banco do Nordeste, tem microcrédito. Mas quando o gerente sabe que é lan house, ele nega o empréstimo. Então, sustentabilidade, para uma lan house, é redução de custos, é diversificação de modelo, com negócios não vinculados exclusivamente ao acesso. Como uma farmácia, que não vive de vender remédio, mas de vender cosméticos, perfumaria etc. A boa lan house é aquela onde, na hora de acesso igual a zero, o cara consegue ganhar dinheiro com ofertas paralelas. O que a ABCID passa para os proprietários é isso: faça business, gere fluxo, seja criativo. Isso não tem nada a ver com equipamentos de última geração. Tem a ver com baixo custo de energia, baixo custo fixo, variedade na receita. Esse é um negócio sustentável.
Fonte: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicao-no69-maio2011/4208-entrevista
Fonte: http://www.abcid.org.br/casas-abertas-%E2%80%A8para-inclusao-digital-e-social
Muitos fatores contribuíram para a abertura das portas das lan houses ao mundo da inclusão digital. Em especial, a militância de organizações da sociedade civil como a Associação Brasileira de Centros de Inclusão (Abcid), presidida pelo ativista Mário Brandão. Um dos principais articuladores do projeto de lei para regulamentação das lans, que em abril foi aprovado na Câmara dos Deputados e encaminhado para o Senado, Brandão fala das novas vocações dos centros privados de acesso coletivo e defende o papel social desses estabelecimentos. Por isso, reivindica: “Assim como o governo fornece mão de obra para a indústria, para o turismo etc., nós também deveríamos ser contemplados por essas políticas públicas de qualificação profissional”.
Estigmatizadas como casas de jogos e diversão, hoje as lan houses começam a ser vistas como centros de inclusão digital. A que se deve essa mudança?
Mário Brandão – Não é que as lan houses estão mudando. É que o público das lans amadureceu e tem outras necessidades. A lan house começou em 1998, 2000, com a primeira onda de games. Depois, o garoto que frequentava a lan para jogar passou a querer namorar, falar com os amigos, encontrar as amizades. Ou seja, começou a querer comunicação. Então explodiu, primeiro ICQ, bate papo do UOL, depois MSN e Orkut. Conforme esse usuário cresce, surgem outras necessidades: estudar, pesquisar, trabalhar... às vezes é um cara que vai casar, vai à lan house procurar apartamento, terreno pra comprar. E as lans vão se posicionando para atender a essas demandas. Mas também tem os usuários entrantes, adolescentes que querem jogar. Por isso, a lan house de jogo ainda existe e vai continuar existindo. Só que agora existem outras coisas também.
Vamos à extensa e interessante entrevista?
Falta informação sobre o potencial das lans nas estratégias de democratização do acesso à internet ou ainda há muito preconceito?
Brandão – Havia muito preconceito porque as lans são eminentemente espaços de acesso de público de baixa renda. Mas a lan house ficou conhecida como um lugar onde a galera queria ir pra jogar e matar aula porque foi esse o início. A gente herdou o vácuo do que era o fliperama. Só que o computador e a internet são bem diferentes de uma máquina de fliperama em que você ou joga, ou joga. A internet terá o uso que você fizer dela. Se você entra no telecentro mais conceituado do Brasil, abre o Google e digita uma palavra, o resultado que vai aparecer na tela é igual ao resultado que vai aparecer na tela de uma lan house de jogo. Então, se você quiser chegar em uma lan house de serviço e estudar, você pode. Assim como você pode fazer comunicação na lan house de jogos. Embora a lan house tenha sua vocação, quem diz o que quer fazer nesses espaços é o usuário. Por muito tempo as pessoas associaram a internet a um ambiente pouco colaborativo, pouco social, sempre viram a internet pelo lado da criminalização, pelo potencial de danos, de intercâmbio de fotos de pornografia. Um espaço potencializador de más condutas. Hoje já se tem a percepção de que é um espaço potencializador de condutas – más ou boas. Se o cara quiser fazer coisas boas, a lan house vai potencializar também.
Que tipo de atividades e conteúdos são oferecidos pelas lans?
Brandão – Lan house é um negócio plural. Olha só. Aqui no meu bairro, tem uma lan house escura, com neon nas paredes, você anda e não consegue enxergar seu pé. É um clima de imersão, onde você “entra no computador” e a ideia é que nada te distraia. Esse é um ambiente muito propício para quem quer jogar ou precisa fazer alguma coisa que exige alta concentração. A cem metros, tem outra lan, que parece uma farmácia, de tão iluminada. No desktop, não tem nenhum jogo. Mas tem sites da prefeitura, da polícia civil, de serviços públicos, de banco. É um lugar voltado para negócios, um centro de serviços de escritório, como impressão, recarga de cartucho, copiadora. Enfim, serviços para quem não tem computador, ou para quem tem mas não sabe usar. Duzentos metros do outro lado, tem outra lan, que funciona em uma locadora de vídeo. O dono colocou cinco ou seis máquinas, o pessoal pega o filme e assiste no computador. Mas esse cara também gosta muito de história em quadrinhos. Aí ele digitalizou vários gibis antigos para o pessoal consultar, ler, “folhear” na tela. O lugar se tornou um centro de cultura voltado para cinema, HQ, entre outras coisas. Também pertinho tem uma lan com perfil de comunicação, tecnologia para chamadas de voz pela internet, webcam nas máquinas. As pessoas utilizam essa estrutura para fazer treinamento, capacitação para call center, para revendedores. Outros vão lá fazer conferência de trabalho. Aqui na minha lan, a X-Rio, o forte é a educação, o ensino a distância. Nosso maior movimento é à noite, porque o pessoal sai do trabalho e vem pra cá estudar, pesquisar. Então, são lan houses diferentes, cada uma tem seu modelo, e nenhuma concorre diretamente com a outra.
Como espaços privados, que comercializam serviços, as lan houses podem contribuir para a inclusão digital no país?
Brandão – Sim, e essa é uma função importante das lans. Seria ótimo que todos pudessem ter um computador em casa. Mas veja só: vamos fazer um cálculo com base em um indicador chamado Custo Total de Propriedade, que é o quanto custa ter ou manter a posse de determinado bem – no caso, o computador com o acesso à internet. Um computador em uma residência significa uma despesa mensal em torno de R$ 250. São de R$ 50 a R$ 100 da prestação da máquina, mais o custo de depreciação nos dois ou três anos de vida útil da máquina, mais as despesas de energia, conexão, provedor de internet, manutenção do equipamento e até a formação para manipular o equipamento independente de ajuda. E esse custo mensal pode chegar a R$ 400, em camadas sociais um pouco mais altas. Esse custo é para uma média de navegação de 40 horas, 60 horas por mês. Em uma lan house, o mesmo tempo de navegação sai por R$ 60, R$ 70. Para uma pessoa que tem uma renda de quatro salários mínimos para cima, esse custo de propriedade é razoável, ela consegue manter a máquina. Mas, para quem ganha de um a dois salários mínimos, não dá. Esse dinheiro representa a cesta básica, o crédito no celular. Isso faz com que a lan house seja uma escolha racional dessa população de baixa renda.
Mas a inclusão vai além do acesso. O que as lans houses precisam para para oferecer conexões e conteúdos para trabalho, estudo, serviços públicos?
Brandão – Alguns erros foram cometidos nos últimos anos, como o de alijar as lans das políticas públicas para qualificar o acesso à internet. Você conhece um centro de formação de monitor para lan house? Os programas de formação de governos são para telecentros gratuitos e não dão abertura para que as lans participem, mesmo que queiram pagar por isso. Existem, no país, cerca de 250 mil pessoas trabalhando em cerca de 100 mil lan houses (projeção da Abcid, em 2010, a partir de dados do Nic.BR). Assim como o governo fornece mão de obra para a indústria, para o turismo etc., nós também deveríamos ser contemplados por essas políticas públicas de qualificação profissional. Nós somos um segmento de mercado. E está errado pensar que esse investimento público vai beneficiar um segmento privado, o das lans. A gente tem que pensar o seguinte: como está sendo a cultura de navegação de 30 milhões de pessoas que acessam internet via lan houses no Brasil? A ausência do governo faz com que a gente tenha uma pobre qualificação do acesso dentro das comunidades de baixa renda, que são os territórios predominantes das lans.
O projeto de regulamentação de lan houses que está no Senado atende às expectativas do setor?
Brandão – Esse projeto é uma luta nossa desde 2007. Em 2006, a gente começou as ações da Associação e eu sai atrás dos deputados do Rio de Janeiro para dizer a eles que o tratamento legislativo dado às lans não afeta só as lans. Cria dificuldades a milhões de pessoas, para as quais é mais econômico acessar a internet via lan house. As pessoas precisam ter o direito a essa opção. A internet, em vários lugares do mundo, hoje já é considerada direito fundamental. Aqui, lan house tem de estar a tantos quilômetros da escola, estudante não pode entrar em lan com uniforme, menor precisa de autorização dos pais reconhecida em cartório... Todas essas dificuldades, em outros países, seriam desconstruídas por princípios constitucionais. Mas, no Brasil, aconteceu o contrário. Surgiram leis municipais severas, depois estaduais. E a gente começou a ver que isso não dificultava a operação das lans, em si. Dificultava um tipo de lan que, no meu ponto de vista, é uma das mais fundamentais. Por exemplo: aqui no Rio de Janeiro, você é obrigado a fazer matrícula escolar pela internet. Mas poucos estudantes de escola pública têm acesso residencial. Na época de matrícula, tem fila aqui, de pai e mãe para matricular o filho na escola. Aí você se pergunta: é justo que essas pessoas que precisam ter acesso a esses bens civilizatórios, inclusive a educação, tenham tanta restrição? Se o garoto está de uniforme escolar, não entra. E a maior parte das legislações é assim: não pode entrar de uniforme e ponto. Quer dizer, fora do turno dele de escola, no final de semana... não pode. Em São Paulo, Paraná, isso talvez seja considerável. Mas no Norte, Nordeste, muitos meninos e meninas não têm roupas. Eles andam com a roupa da escola, mesmo no final de semana. É a roupa que eles têm. Esse tipo de restrição, portanto, não cria dificuldade só para a lan house, cria para o garoto que saiu da escola e quer ir direto fazer uma pesquisa. O impacto é sobre a inclusão digital do país.
Como você avalia as emendas aprovadas pela Câmara de Deputados, que fizeram restrições à versão inicial?
Brandão – Então, foram aprovadas duas emendas problemáticas. Uma é da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), sobre acessibilidade. A outra, do cadastro obrigatório, é do deputado Sandro Alex (PPS-PR). A questão da acessibilidade não está definida, foi para regulação posterior. Pode se referir à estrutura física ou aos hardwares e softwares. Se fosse acessibilidade de hardware e software, eu aprovaria plenamente. Mas o problema do acesso físico é mais complexo. Muitas lans funcionam no segundo andar de um prédio. Como aqui. Não acho justo que eu não possa existir institucionalmente pela minha incapacidade de oferecer acesso a um cadeirante. Veja, eu não sou contra assistividade. Até coloquei aqui na minha lan programas para deficientes visuais, que depois não vingaram por falta de demanda. Assim como também nunca veio aqui um cadeirante que ficasse sem subir. A gente juntaria duas ou três pessoas que ajudariam a trazê-lo para cima. Mas essa emenda é muito radical, inviabiliza muitas iniciativas. Não concordo que, para benefício da minoria, se deixe de atender à maioria. Você tem ideia de quantas lans houses existem nas favelas, sem a menor condição de ter um acesso desse tipo? É preciso levar em conta as diferenças. Uma coisa é um supermercado, um shopping, que têm estrutura necessária para colocar um elevador, uma escada rolante... isso deve representar 0,01% do faturamento de um estabelecimento desse porte. Outra, é uma lan house na periferia, em que o faturamento é de R$ 3 mil, R$ 4 mil por mês. A segunda emenda complicada é a que estabelece a obrigatoriedade dos cadastros.
Mas o que passou foi um cadastro simples. As lans já não fazem esse tipo de registro?
Brandão – Somos favoráveis à feitura de cadastro, e até orientamos donos de lans a fazer o cadastro, por uma necessidade de conhecer o cliente, fazer promoção. É como uma locadora de vídeo, toda locadora faz cadastro. A obrigatoriedade do cadastro é que é o problema. Porque dessa forma as lans estão sujeitas a duas figuras jurídicas terríveis: a teoria do risco e a responsabilidade civil objetiva. A teoria do risco fala que os danos decorridos da ação natural do seu negócio são de responsabilidade sua. Por exemplo: você tem um negócio de telefone. Se o seu telefone causar um prejuízo a alguém, mesmo você não tendo nada a ver com a história, é um risco inerente ao seu negócio. E você se torna responsável. No ordenamento jurídico brasileiro, a pessoa que desenvolve o negócio tem responsabilidade, independente de culpa. Legislativamente falando, é um desastre. Porque aí vem aquela coisa: se eu sou responsável pelo acesso, eu me dou o direito de vigiar a navegação. Mas, se eu tenho de respeitar a privacidade de navegação das pessoas, como eu posso ser copartícipe do que elas estão fazendo? E essa é outra discussão preocupante.
A responsabilidade civil objetiva também coloca o dono de lan house como corresponsável por crimes cometidos por usuários. E o ônus da prova em contrário é dele. Ele só deixa de ser responsável se identificar o responsável. Mas veja um exemplo no mundo concreto, não digital. Alguém manda uma carta ofensiva e no remetente escreve nome falso, endereço falso. Não dá para responsabilizar os Correios pela incapacidade de identificar quem é o verdadeiro remetente. Da mesma forma, se alguém cometer uma ofensa de um orelhão, não dá pra responsabilizar a operadora de telefonia pela incapacidade de identificar quem fez a ligação. Portanto, não se deve criminalizar o meio pelo qual foi cometido o crime. E as incapacidades técnicas que qualquer um desses vetores tem, a lan house também tem. Aqui na minha lan, tecnicamente falando, eu tenho um IP para 20 máquinas. Posso dizer quantas e quais pessoas estavam logadas, em determinado dia e horário, mas não consigo dizer de qual das 20 estações partiu determinado e-mail.
O cadastro não seria uma forma de inibir as práticas criminosas?
Brandão – As estatísticas mostram que 98% dos crimes da internet são imateriais – 95% contra a honra (calúnia, injúria e difamação) e 3% contra o patrimônio (desvio de dinheiro, uso de cartão de crédito etc.). Se compararmos os estados que têm leis de obrigatoriedade de cadastro com os que não têm, não há diferença significativa no percentual de crimes. Além disso, dados do Cetic.Br 2009 apontaram que 63% dos crimes na internet partiram de acessos residenciais. Dos 31% de crimes não originados em residências, 36% foram praticados em lans houses. Resultado: apenas 11% dos incidentes de segurança e ilícitos de toda a internet brasileira aconteceram em lans. Então vem a pergunta: por ter um perfil de pretenso anonimato, a lan house é um lugar de crime? Os números dizem que não. Até porque ninguém olha fotos de pornografia infantil com gente passando do lado, nas costas. É o contrário: por ser um ambiente público, sem privacidade, a lan inibe práticas criminosas. E, mesmo que eu tenha um cadastro... não sou capaz de identificar uma nota de R$ 50 falsa, quanto mais uma identidade falsa! Então, o cadastro não deve ter essa função. Os prejuízos sociais em nome da proteção contra crimes digitais são muito grandes.
Como é que as lan houses podem garantir sua sustentabilidade?
Brandão – Estamos na expectativa de que seja liberada uma linha de financiamento do BNDES de R$ 1 bilhão, para lan houses e microprovedores. Esse crédito vai permitir uma operação mais sustentável porque você vai poder, por exemplo, trocar monitores CRT, que consomem 90 watts, por monitores LCD, que consomem 23 watts. Hoje, o banco não dá crédito para lan house. No Banco do Nordeste, tem microcrédito. Mas quando o gerente sabe que é lan house, ele nega o empréstimo. Então, sustentabilidade, para uma lan house, é redução de custos, é diversificação de modelo, com negócios não vinculados exclusivamente ao acesso. Como uma farmácia, que não vive de vender remédio, mas de vender cosméticos, perfumaria etc. A boa lan house é aquela onde, na hora de acesso igual a zero, o cara consegue ganhar dinheiro com ofertas paralelas. O que a ABCID passa para os proprietários é isso: faça business, gere fluxo, seja criativo. Isso não tem nada a ver com equipamentos de última geração. Tem a ver com baixo custo de energia, baixo custo fixo, variedade na receita. Esse é um negócio sustentável.
Fonte: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicao-no69-maio2011/4208-entrevista
Fonte: http://www.abcid.org.br/casas-abertas-%E2%80%A8para-inclusao-digital-e-social
Sobre o Projeto que regulamente Lan Houses
Em abril do corrente foi aprovado na Câmara um projeto de lei que regulamenta lan houses. Mas, esta informação pouco circulou nos meios geralmente interessados por este tema. Este projeto irá recohecer o papel desbravador das lan houses no país? Como se dará a regulamentação, registros, apoios, financiamento, acompanhamento, coordenação destes espaços? Este projeto apresenta que soluções em relação à lacunas deixadas pela legislação? Ao falarmos de diversidade racial, étnica, sexual, geracional, como elas estarão sendo observadas neste projeto? Vamos até ele?
Caminhos para entender o projeto de lei:
Segundo o site IDG Now, de acordo com o texto, agora chamado de centro de inclusão digital - terá que manter cadastro com nome e RG de seus usuários. Aprovado na terça-feira (19/4), pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei que regulamenta a operação das lan houses. O texto segue para o Senado.
De acordo com o texto do projeto de lei 4361/04, as lan houses passarão a ser chamadas de centros de inclusão digital - até então elas eram vistas como casas de jogos. Além disso, elas ganharão o status de "especial interesse social" para a universalização do acesso à Internet.
Um dos pontos polêmicos do projeto é a obrigatoriedade de cadastramento dos usuários, que teriam que fornecer nome e RG para utilização dos computadores em lan houses.
O projeto de lei também obriga as lan houses a apresentar, nas telas de seus PCs, um alerta para menores de 18 anos em relação ao acesso a sites com conteúdo impróprio para sua idade, e prevê facilidade de acesso a pessoas com deficiência.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital apontam para a existência de mais de 108 mil lan houses no país, que seriam responsáveis por oferecer acesso à rede a 32 milhões de brasileiros.
Caminhos para entender o projeto de lei:
Segundo o site IDG Now, de acordo com o texto, agora chamado de centro de inclusão digital - terá que manter cadastro com nome e RG de seus usuários. Aprovado na terça-feira (19/4), pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei que regulamenta a operação das lan houses. O texto segue para o Senado.
De acordo com o texto do projeto de lei 4361/04, as lan houses passarão a ser chamadas de centros de inclusão digital - até então elas eram vistas como casas de jogos. Além disso, elas ganharão o status de "especial interesse social" para a universalização do acesso à Internet.
Um dos pontos polêmicos do projeto é a obrigatoriedade de cadastramento dos usuários, que teriam que fornecer nome e RG para utilização dos computadores em lan houses.
O projeto de lei também obriga as lan houses a apresentar, nas telas de seus PCs, um alerta para menores de 18 anos em relação ao acesso a sites com conteúdo impróprio para sua idade, e prevê facilidade de acesso a pessoas com deficiência.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital apontam para a existência de mais de 108 mil lan houses no país, que seriam responsáveis por oferecer acesso à rede a 32 milhões de brasileiros.
Rio de Janeiro: concursos terão 20% das vagas para negros
POR FERNANDO MOLICA
Rio - No próximo dia 6, o governador Sérgio Cabral assinará um decreto que destinará 20% das vagas em concursos públicos do Estado para negros e índios. O decreto levará o nome do ex-senador Abdias Nascimento, um dos pioneiros do movimento negro no Brasil e que morreu no último dia 24.
A solenidade terá a presença da ministra-chefe da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros. Ela quer que o exemplo do Rio de Janeiro seja imitado por outros estados do País.
Os critériosUma portaria a ser editada pelo governo irá definir os critérios que possibilitarão o uso da cota. No caso da Uerj, vale a palavra dos candidatos, responsáveis por declarar sua cor ou etnia. A reserva de vagas já valerá para os próximos editais do governo do Estado.
RelatóriosA implantação do sistema de cotas será acompanhada pela Secretaria de Assistência Social, que fará relatórios a cada três anos. A possível reserva de vagas em concursos foi anunciada, no dia 11, pela coluna ‘Concursos & Empregos’.
Postado por Zelinda Barros às 10:43 in Blog Fazer Valer a Lei 10.639/2003
Rio - No próximo dia 6, o governador Sérgio Cabral assinará um decreto que destinará 20% das vagas em concursos públicos do Estado para negros e índios. O decreto levará o nome do ex-senador Abdias Nascimento, um dos pioneiros do movimento negro no Brasil e que morreu no último dia 24.
A solenidade terá a presença da ministra-chefe da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros. Ela quer que o exemplo do Rio de Janeiro seja imitado por outros estados do País.
Os critériosUma portaria a ser editada pelo governo irá definir os critérios que possibilitarão o uso da cota. No caso da Uerj, vale a palavra dos candidatos, responsáveis por declarar sua cor ou etnia. A reserva de vagas já valerá para os próximos editais do governo do Estado.
RelatóriosA implantação do sistema de cotas será acompanhada pela Secretaria de Assistência Social, que fará relatórios a cada três anos. A possível reserva de vagas em concursos foi anunciada, no dia 11, pela coluna ‘Concursos & Empregos’.
Postado por Zelinda Barros às 10:43 in Blog Fazer Valer a Lei 10.639/2003
24 de mai. de 2011
Morre Abdias do Nascimento, guerreiro do povo negro
Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro, o escritor Abdias do Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista na denúncia do racismo e na defesa da cidadania dos descendentes da África espalhados pelo mundo. O Brasil e a Diáspora perdem hoje um dos seus maiores líderes.
Fonte: Correio Nagô
Continuação...
18 de mai. de 2011
A pobreza e a cor da pobreza
Os negros têm a oferecer suas estratégias de resistência ao racismo, que, desde o período colonial, interpôs obstáculos à afirmação da humanidade
Em "Leite Derramado", mais recente romance de Chico Buarque, há um personagem que, ao se referir com ironia ao radicalismo de seu avô abolicionista, afirma que ele "queria mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África".
Luiza Bairros
Em "Leite Derramado", mais recente romance de Chico Buarque, há um personagem que, ao se referir com ironia ao radicalismo de seu avô abolicionista, afirma que ele "queria mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África".
Nessa visão, abolicionismo radical equivalia a se livrar dos negros. De todo modo, após 1888, as elites brasileiras irão se comportar como se os libertos, que as serviram por quase quatro séculos, não estivessem mais aqui. Mas estavam, e por sua própria conta.
No início do século 20, eram frequentes os prognósticos sobre o desaparecimento da população negra, que supostamente não sobreviveria ao século.
Ao mesmo tempo em que se criticavam as soluções de laboratório defendidas pelo ideário eugenista, em voga aqui e em muitos países, também se apostava no embranquecimento via miscigenação.
Mais tarde, ao se debruçar sobre os resultados do Censo de 1940, Guerreiro Ramos considerou "patológico" o desequilíbrio nas respostas ao quesito cor, tendentes, em sua esmagadora maioria, a sobrevalorizar a cor branca.
Na contramão dessa tendência, os dados censitários de 2010, há pouco divulgados, confirmam o que já se delineava no Censo de 2001: iniciativas de valorização da identidade, com origem nos movimentos negros e hoje em processo de institucionalização, asseguraram a maioria negra em uma população que ultrapassa 190 milhões de brasileiros.
Nesse longo percurso de afirmação, as mudanças não se limitaram a uma percepção de si mais positiva, exclusiva dos afro-brasileiros.
A consciência negra avançou em conexão íntima com a consciência social como um todo. Não se trata, portanto, da mera substituição de um segmento populacional dominante por outro, mas do reconhecimento de que os valores do pluralismo ajudam em muito a consolidar nosso processo democrático.
Contudo, ainda persistem dificuldades a serem enfrentadas.
Hoje, temos uma sólida base de dados, que mostra reiteradamente que mulheres e homens negros estão entre os brasileiros mais vulneráveis, numa proporção muito maior do que sua presença relativa na população total.
Por isso, a priorização da erradicação da pobreza extrema pelo governo da presidenta Dilma abre possibilidades inéditas de abordar rica e diversificada experiência humana, que ainda precisa ser considerada em toda a sua amplitude.
O sucesso das iniciativas de combate à pobreza extrema requer a reversão de imagens negativas, a superação de práticas discriminatórias e o redimensionamento dos valores de cultura e civilização que, afinal, contra todas as expectativas, garantiram a continuidade dos descendentes de africanos no país.
Quando o assunto é superação da pobreza extrema, é justo supor que os negros tenham algo a dizer.
Segmentos empobrecidos de outros grupos raciais também o terão, é certo. Mas os negros têm a oferecer suas estratégias de resistência ao racismo, que, desde o período colonial, interpôs obstáculos ideológicos e culturais à afirmação plena de sua humanidade -a base das desigualdades de renda e de oportunidades que ainda vivenciam.
Assim, no atendimento a direitos básicos que articulam renda, acesso a serviços e inclusão produtiva, é preciso tornar visíveis e valorizar dimensões da pessoa e do universo afro-brasileiro que desempenham papel decisivo na conquista da autonomia. Todos somos humanos, e a resistência aos processos desumanizadores do racismo é, de longe, a maior contribuição dos negros à cultura brasileira.
Luiza Helena de Bairros é conselheira do CDES e ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.
Publicado na Folha de S.Paulo
Fonte: Blog População Negra e Saúde
Em "Leite Derramado", mais recente romance de Chico Buarque, há um personagem que, ao se referir com ironia ao radicalismo de seu avô abolicionista, afirma que ele "queria mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África".
Luiza Bairros
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| [c] Revista Áfricas |
Em "Leite Derramado", mais recente romance de Chico Buarque, há um personagem que, ao se referir com ironia ao radicalismo de seu avô abolicionista, afirma que ele "queria mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África".
Nessa visão, abolicionismo radical equivalia a se livrar dos negros. De todo modo, após 1888, as elites brasileiras irão se comportar como se os libertos, que as serviram por quase quatro séculos, não estivessem mais aqui. Mas estavam, e por sua própria conta.
No início do século 20, eram frequentes os prognósticos sobre o desaparecimento da população negra, que supostamente não sobreviveria ao século.
Ao mesmo tempo em que se criticavam as soluções de laboratório defendidas pelo ideário eugenista, em voga aqui e em muitos países, também se apostava no embranquecimento via miscigenação.
Mais tarde, ao se debruçar sobre os resultados do Censo de 1940, Guerreiro Ramos considerou "patológico" o desequilíbrio nas respostas ao quesito cor, tendentes, em sua esmagadora maioria, a sobrevalorizar a cor branca.
Na contramão dessa tendência, os dados censitários de 2010, há pouco divulgados, confirmam o que já se delineava no Censo de 2001: iniciativas de valorização da identidade, com origem nos movimentos negros e hoje em processo de institucionalização, asseguraram a maioria negra em uma população que ultrapassa 190 milhões de brasileiros.
Nesse longo percurso de afirmação, as mudanças não se limitaram a uma percepção de si mais positiva, exclusiva dos afro-brasileiros.
A consciência negra avançou em conexão íntima com a consciência social como um todo. Não se trata, portanto, da mera substituição de um segmento populacional dominante por outro, mas do reconhecimento de que os valores do pluralismo ajudam em muito a consolidar nosso processo democrático.
Contudo, ainda persistem dificuldades a serem enfrentadas.
Hoje, temos uma sólida base de dados, que mostra reiteradamente que mulheres e homens negros estão entre os brasileiros mais vulneráveis, numa proporção muito maior do que sua presença relativa na população total.
Por isso, a priorização da erradicação da pobreza extrema pelo governo da presidenta Dilma abre possibilidades inéditas de abordar rica e diversificada experiência humana, que ainda precisa ser considerada em toda a sua amplitude.
O sucesso das iniciativas de combate à pobreza extrema requer a reversão de imagens negativas, a superação de práticas discriminatórias e o redimensionamento dos valores de cultura e civilização que, afinal, contra todas as expectativas, garantiram a continuidade dos descendentes de africanos no país.
Quando o assunto é superação da pobreza extrema, é justo supor que os negros tenham algo a dizer.
Segmentos empobrecidos de outros grupos raciais também o terão, é certo. Mas os negros têm a oferecer suas estratégias de resistência ao racismo, que, desde o período colonial, interpôs obstáculos ideológicos e culturais à afirmação plena de sua humanidade -a base das desigualdades de renda e de oportunidades que ainda vivenciam.
Assim, no atendimento a direitos básicos que articulam renda, acesso a serviços e inclusão produtiva, é preciso tornar visíveis e valorizar dimensões da pessoa e do universo afro-brasileiro que desempenham papel decisivo na conquista da autonomia. Todos somos humanos, e a resistência aos processos desumanizadores do racismo é, de longe, a maior contribuição dos negros à cultura brasileira.
Luiza Helena de Bairros é conselheira do CDES e ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.
Publicado na Folha de S.Paulo
Fonte: Blog População Negra e Saúde
7 de abr. de 2011
Acesso desigual às TICs amplia o fosso entre ricos e pobres
Um novo relatório da União Internacional das Telecomunicações (UIT), divulgado nesta sexta-feira, 01/04, destaca o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação na última década – presentes nas mais diferentes atividades humanas e com impacto direto nos demais setores econômicos – mas deixa claro que governos e reguladores devem agir para evitar que elas se tornem mais um fosso entre ricos e pobres.
Na verdade, ações já são necessárias para combater as disparidades. Ainda que se estime em 2 bilhões o número de internautas em todo o mundo, as diferenças são gritantes – enquanto o acesso à rede chega a 71% nos países desenvolvidos, ele não supera os 21% nos demais.
Na prática, sustenta a UIT, essa divisão representa os que estão ou não na Sociedade da Informação, que compreende de forma gradativamente mais intensa o acesso a conteúdos multimídia e graficamente elaborados, aplicações que exigem larguras de banda cada vez maiores.
Além disso, o acesso às TIC varia consideravelmente em cada região. Enquanto as pessoas dos países ricos pagam, em geral, até 1,5% de suas rendas pelo acesso, aquelas nos países em desenvolvimento precisam despender 17,5% do que ganham – e o mercado de banda larga é aquele com os maiores desníveis nessa comparação.
“As implicações da estratificação do acesso à internet significam, por um lado, que essa divisão ameaça ampliar as disparidades econômicas entre os países. Por outro, as limitações de acesso também aumentam as diferenças entre ricos e pobres dentro de cada país”, diz o documento “Tendências nas reformas em telecomunicações”, edição de 2011.
Não é por menos que o relatório da UIT entende a banda larga não mais como um luxo, mas como uma necessidade fundamental para o crescimento econômico, social e político de todos os países – e mesmo uma ferramenta para acelerar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Fica evidente no estudo a defesa de políticas que caminhem na direção de facilitar o acesso. O exemplo mais claro é a promoção do compartilhamento de infraestrutura e no livre acesso às redes das incumbents. Nesse quesito, no entanto, o Brasil vai na contramão da maioria, uma vez que em 60% dos países o unbundling é, atualmente, mandatório.
“Mais do que nunca é fundamental termos em conta as devidas atribuições que devem constar do papel dos reguladores de TIC para a criação de um mundo digital integrador, no qual nenhum cidadão fique de fora da sociedade digital”, acredita o diretor do escritório de desenvolvimento das telecomunicações da UIT, Brahima Sanou.
Fonte: Convergência Digital, Data: 04 de abril de 2011
Fonte: Guia das Cidades Digitais
1 de abr. de 2011
Caso Bolsonaro ou como o racismo, sexismo e homofobia agem na contemporaneidade
1. CQC - Bolsonaro detona gays, negros e Preta Gil em favor da familia. 29-03-2011
http://www.youtube.com/watch?v=y8imZAGzO_c
2. Deputado Federal Luiz Alberto representa contra declarações de Bolsonaro na Comissão de Ética da Câmara.
O Deputado Federal Luiz Alberto (PT/BA) entrou com uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal e no Ministério Público contra o também Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) pelas declarações racistas e homofóbicas proferidas durante o quadro "O Povo quer Saber", do programa Custe o Que Custar (CQC), da Rede Bandeirantes, na última segunda-feira, 28 de março.
No programa, o deputado Bolsonaro, ao responder diversas perguntas, entre elas uma da cantora Preta Gil, que o questionou sobre sua postura caso um de seus filhos namorasse uma mulher negra, disse que "seus filhos não cometeriam essa promiscuidade, pois receberam uma boa criação" e que não andam com pessoas do convívio da cantora. O parlamentar disse ainda que seu filho jamais seria homossexual, pois o mesmo havia recebido "boa educação".
"Esta Casa precisa deixar de tratar o deputado Jair Bolsonaro como um folclore. Esse deputado que se referiu a uma artista, mulher negra, a Preta Gil, de forma preconceituosa, várias vezes, aqui deste microfone, já pediu o fechamento do Congresso Nacional. Então, a Casa não precisa e não pode mais tratá-lo como um folclore. Essa questão precisa ser tratada como algo muito grave", protestou o deputado Luiz Alberto, presidente da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas.
Luiz Alberto lembrou também de outro recente episódio envolvendo declarações racistas de parlamentares: "Ontem, foi o Deputado Júlio Campos (DEM/MT) que se referiu ao único Ministro negro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como 'aquele moreno-escuro'. Ou seja, repete-se diariamente a atitude racista. Recordo aqui que o racismo é crime"!
Não se deve tratar um crime imprescritível, inafiançável, portanto grave, como se não o fosse. Esse Deputado terá que responder, perante esta Casa, por quebra de decoro parlamentar", denunciou Luiz Alberto.
A cantora Preta Gil se pronunciou, indignada, em seu Twitter ao saber das declarações do deputado Bolsonaro. "Advogado acionado, sou uma mulher Negra, forte e irei até o fim contra esse deputado, racista, homofóbico,... conto com o apoio de vocês", postou no microblog.
Fonte: Assessoria de Comunicação - Jornalistas Responsáveis - Naiara Leite e Carlos Eduardo Freitas - http://www.deputadoluizalberto.com.br/
3. Segue, NOTA DE ESCLARECIMENTO (sic) do Deputado Bolsonaro, tentando se explicar sobre o ocorrido. Mais uma vez, a "falta de entendimento" de perguntas são colocadas como "saída" para que os/as racistas se safem de mais um crime.
A respeito de minha resposta à cantora Preta Gil, veiculada no Programa CQC, da TV Bandeirantes, na noite do dia 28/03/2011, são oportunos alguns esclarecimentos.
A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay.
Daí a resposta: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.”
Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.
O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.
Reitero que não sou apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho. Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim.
Atenciosamente,
JAIR BOLSONARO
4. Segue, Carta da ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transsexuais em relação às declarações racistas, sexistas e homofóbicas do Deputado Bolsonaro no último dia 28/03. É um caso emblemático e que revela o pensamento de uma das elites do país. Vejamos a nota.
Fonte: http://www.bolsonaro.com.br/
Acessado em 01 abr. 2011
Vaja o vídeo do referido Deputado tentando se "salvar" de suas declarações:
http://www.youtube.com/watch?v=6O9_YuTzjHo&feature=player_embedded
O Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), repudia com veemência as declarações racistas, sexistas e homofóbicas feitas pelo Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), em entrevista exibida no programa Custe o Que Custar (CQC), em 28 de março de 2011, quando foi questionado por várias pessoas, uma delas a cantora Preta Gil, sobre como reagiria se seu filho namorasse uma mulher negra.
A resposta de Bolsonaro foi: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o eu”. Após ser acusado de racista, o parlamentar lançou nota afirmando que “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay (…). Reitero que não sou apologista do homossexualismo (sic), por entender que tal prática não seja motivo de orgulho.”. Em outro momento, na mesma entrevista, o Deputado também disse que jamais poderia ter um filho gay.
Aproveitando-se da falta de instrumento legal que criminaliza atos homofóbicos, Bolsonaro tem se notabilizado como destilador contumaz de ódio e intolerância contra a população LGBT. Agora, o referido Deputado tenta esquivar-se da acusação de racismo – crime tipificado na legislação brasileira -, agredindo e injuriando novamente a população LGBT.
Com tais posições e declarações, Bolsonaro reforça a sua faceta homofóbica, racista e sexista, agindo, de forma deliberada, com posturas incompatíveis com o decoro e a ética exigida de um representante da sociedade brasileira no Congresso Nacional, especialmente considerando os princípios da democracia e do respeito à diversidade do povo brasileiro.
O CNCD/LGBT endossa todas as representações apresentadas por Parlamentares junto a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal e requer ao Procurador Geral da República a instauração de investigação criminal para apuração do crime de racismo (Art. 20 da Lei 7.716/89) e injúria e difamação ( Art. 139 e 140 do código) contra a população de mulheres e LGBT.
Fonte: carta pública
http://www.youtube.com/watch?v=y8imZAGzO_c
2. Deputado Federal Luiz Alberto representa contra declarações de Bolsonaro na Comissão de Ética da Câmara.
O Deputado Federal Luiz Alberto (PT/BA) entrou com uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal e no Ministério Público contra o também Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) pelas declarações racistas e homofóbicas proferidas durante o quadro "O Povo quer Saber", do programa Custe o Que Custar (CQC), da Rede Bandeirantes, na última segunda-feira, 28 de março.
No programa, o deputado Bolsonaro, ao responder diversas perguntas, entre elas uma da cantora Preta Gil, que o questionou sobre sua postura caso um de seus filhos namorasse uma mulher negra, disse que "seus filhos não cometeriam essa promiscuidade, pois receberam uma boa criação" e que não andam com pessoas do convívio da cantora. O parlamentar disse ainda que seu filho jamais seria homossexual, pois o mesmo havia recebido "boa educação".
"Esta Casa precisa deixar de tratar o deputado Jair Bolsonaro como um folclore. Esse deputado que se referiu a uma artista, mulher negra, a Preta Gil, de forma preconceituosa, várias vezes, aqui deste microfone, já pediu o fechamento do Congresso Nacional. Então, a Casa não precisa e não pode mais tratá-lo como um folclore. Essa questão precisa ser tratada como algo muito grave", protestou o deputado Luiz Alberto, presidente da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas.
Luiz Alberto lembrou também de outro recente episódio envolvendo declarações racistas de parlamentares: "Ontem, foi o Deputado Júlio Campos (DEM/MT) que se referiu ao único Ministro negro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como 'aquele moreno-escuro'. Ou seja, repete-se diariamente a atitude racista. Recordo aqui que o racismo é crime"!
Não se deve tratar um crime imprescritível, inafiançável, portanto grave, como se não o fosse. Esse Deputado terá que responder, perante esta Casa, por quebra de decoro parlamentar", denunciou Luiz Alberto.
A cantora Preta Gil se pronunciou, indignada, em seu Twitter ao saber das declarações do deputado Bolsonaro. "Advogado acionado, sou uma mulher Negra, forte e irei até o fim contra esse deputado, racista, homofóbico,... conto com o apoio de vocês", postou no microblog.
Fonte: Assessoria de Comunicação - Jornalistas Responsáveis - Naiara Leite e Carlos Eduardo Freitas - http://www.deputadoluizalberto.com.br/
3. Segue, NOTA DE ESCLARECIMENTO (sic) do Deputado Bolsonaro, tentando se explicar sobre o ocorrido. Mais uma vez, a "falta de entendimento" de perguntas são colocadas como "saída" para que os/as racistas se safem de mais um crime.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A respeito de minha resposta à cantora Preta Gil, veiculada no Programa CQC, da TV Bandeirantes, na noite do dia 28/03/2011, são oportunos alguns esclarecimentos.
A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay.
Daí a resposta: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.”
Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.
O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.
Reitero que não sou apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho. Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim.
Atenciosamente,
JAIR BOLSONARO
4. Segue, Carta da ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transsexuais em relação às declarações racistas, sexistas e homofóbicas do Deputado Bolsonaro no último dia 28/03. É um caso emblemático e que revela o pensamento de uma das elites do país. Vejamos a nota.
Fonte: http://www.bolsonaro.com.br/
Acessado em 01 abr. 2011
Vaja o vídeo do referido Deputado tentando se "salvar" de suas declarações:
http://www.youtube.com/watch?v=6O9_YuTzjHo&feature=player_embedded
NOTA PÚBLICA
O Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), repudia com veemência as declarações racistas, sexistas e homofóbicas feitas pelo Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), em entrevista exibida no programa Custe o Que Custar (CQC), em 28 de março de 2011, quando foi questionado por várias pessoas, uma delas a cantora Preta Gil, sobre como reagiria se seu filho namorasse uma mulher negra.
A resposta de Bolsonaro foi: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o eu”. Após ser acusado de racista, o parlamentar lançou nota afirmando que “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay (…). Reitero que não sou apologista do homossexualismo (sic), por entender que tal prática não seja motivo de orgulho.”. Em outro momento, na mesma entrevista, o Deputado também disse que jamais poderia ter um filho gay.
Aproveitando-se da falta de instrumento legal que criminaliza atos homofóbicos, Bolsonaro tem se notabilizado como destilador contumaz de ódio e intolerância contra a população LGBT. Agora, o referido Deputado tenta esquivar-se da acusação de racismo – crime tipificado na legislação brasileira -, agredindo e injuriando novamente a população LGBT.
Com tais posições e declarações, Bolsonaro reforça a sua faceta homofóbica, racista e sexista, agindo, de forma deliberada, com posturas incompatíveis com o decoro e a ética exigida de um representante da sociedade brasileira no Congresso Nacional, especialmente considerando os princípios da democracia e do respeito à diversidade do povo brasileiro.
O CNCD/LGBT endossa todas as representações apresentadas por Parlamentares junto a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal e requer ao Procurador Geral da República a instauração de investigação criminal para apuração do crime de racismo (Art. 20 da Lei 7.716/89) e injúria e difamação ( Art. 139 e 140 do código) contra a população de mulheres e LGBT.
Fonte: carta pública
11 de mar. de 2011
Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial - 21/03 PROGRAMAÇÃO PELO BRASIL
21 de Março - Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial
O que celebramos neste dia?
O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial é celebrado em 21 de março, nesse mesmo dia, no ano de 1960 em um Bairro de Joanesburgo, chamado Shaperville, ocorreu o fato conhecido como: Massacre de Shaperville.
Nesse dia, cerca de 20.000 pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação.O protesto, que se dava de maneira totalmente pacífica, deparou-se com o exército do regime apartheid que não exitou em abrir fogo. O resultado de tal crueldade foi a morte de 69 pessoas e 186 feridos.
Em decorrência e memória de tal tragédia, a ONU – Organização das nações unidas instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
O que acontece no Brasil neste dia?
B A H I A
1. Seminário "Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial"
Palestra a) ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL PROPOSTA NAQUELE 21 DE MARÇO, A ATUAÇÃO DE NELSON MANDELA NO EPSÓDIO E OS REFLEXOS PARA A SOCIEDADE ATUAL - PALESTRANTE: DR. SILVIO HUMBERTO
Palestra b) O MASSACRE DE SHAPERVILLE E SUAS CONSEQUENCIAS - PALESTRANTE: PROFª. ANA CÉLIA SILVA.
Realização: Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Estado da Bahia e a Comissão de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR-OAB/BA
Data: 21 de março de 2011 às 14:00h
Local: Auditório da OAB/BA, Praça Teixeira de Freitas 16, Piedade, Salvador- BA.
2. Seminário sobre o Estatuto da Igualdade Racial
Objetivo: promover a discussão entre servidores, representantes da sociedade civil, estudantes, advogados, promotores, magistrados e cidadãos a efetivação dos direitos humanos da população negra do Estado, além de analisar as inovações trazidas pela Lei 12.288/2010 – o Estatuto da Igualdade Racial, como novo instrumento jurídico de realização da dignidade dos cidadãos afrodescendentes.
Público: Servidores públicos, representantes da sociedade civil organizada, estudantes, advogados, promotores, magistrados e cidadãos interessados no tema podem se inscrever gratuitamente.
Quando: 21 de março, das 14h às 18h
Local: Auditório Pedro Milton de Brito da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH). Promoção: Centro de Educação em Direitos Humanos e Assuntos Penais J.J. Calmon de Passos (CEDHAP), órgão da SJCDH.
Participações: Almiro Sena - secretário da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos; Atuarão como debatedores Jurandir Antônio Sá Barreto Junior, professor da Universidade do Estado da Bahia (UFBA); Samuel Vida, advogado militante no campo do direito e das relações raciais; Wlamyra Ribeiro de Albuquerque, professora da UFBA, que desenvolve e orienta pesquisas sobre emancipação, abolição, racialização e pós-abolição no Brasil.
Inscrições: gratuitas e podem ser feitas diretamente no CEDHAP, pelo telefone (71) 3117-6911 ou através dos e-mails: cedhap@sjcdh.ba.gov.br e joelma@sjcdh.ba.gov.br. Serão fornecidos certificados com carga horária de 04 (quatro) horas para os participantes do evento.
3. III Curso Manoel Querino - Personalidades Negras
4. Instituto de Psicologia e CEAO/UFBA promovem "Reflexões e Debates: Racismo e Sexismo" - BA
S Ã O P A U L O
1. SHOW DE IZZY GORDON DIA INTERNACIONAL CONTRA DISCRIMINAÇÃO RACIAL
Izzy Gordon consagrou sua voz através do jazz e da bossa nova e tem dois discos lançados — a homenagem à Dolores Duran, no álbum Aos Mestres Com Carinho (2006) e O Que Eu Tenho Pra Dizer (2010), trabalho no qual ela expressa seus gostos por ritmos, melodias, timbres, o maracatu, o samba.
SERVIÇO: 21/03, segunda-feira: Izzy Gordon celebra música negra no Rio Verde – participações: Pedro Bandera e Gaspar (Z’África Brasil)
Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119 – vila Madalena / São Paulo – SP
Tel.: (11) 3459-5321
2. Governo de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Museu do Futebol convidam Dia Internacional contra a Discriminação Racial
3. Ato contra o Genocídio da População Negra, já que a polícia matou 33,5 mil jovens, em 5 anos!
4. Ato contra Racismo do Banco (Bando) do Brasil
O poeta da Cooperifa, cantor, compositor e rapper, Luciano Dimes da Silva, o James Banthu, 28 anos (foto), ainda não conseguiu esquecer a cena: a funcionária da segurança da Agência do Banco do Brasil, da Rua Rego Freitas, Centro, uma mulher, com um braço à sua frente e a ordem: “você não vai entrar”; e um policial militar, ameaçando-o: “eu posso lhe prender”.
Amigos/as do cantor, pretendem promover no Dia 21 de março – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial criado pela ONU - ao de protesto em frente a Agência para cobrar Justiça.
Fonte para adaptação da nota: Site Afropress
5. Museu do Futebol realiza evento para o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial
O quê: Dia Internacional Contra a Discriminação Racial
Quem promove: Museu do Futebol – instituição do Governo do Estado de São Paulo, localizado no Estádio do Pacaembu.
Quanto: evento gratuito
Data: 19 e 20 de março.
Programação: três sessões do filme “Preto Contra Branco”, documentário de Wagner Morales que discorre sobre o preconceito racial no Brasil, o cenário é o futebol de várzea entre moradores de dois bairros da periferia de São Paulo.
Após a sessão, às 15h, debate com a antropóloga Lilia Schwarcz e o rapper Rappin´ Hood
B R A S Í L I A
1. VIII Encontro do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial
Objetivo:
Local:
Data:
Horários:
Quem participa:
R I O G R A N D E D O S U L
1º Encontro de Mulheres Negras dos Clubes Sociais Negros da Região Central/RS
Local: Museu Treze de Maio – Rua Silva Jardim, 1407 – 3226-6082
Realização: Museu Treze de Maio e Coordenadoria da Promoção da Igualdade Étinicorracial
Apoio: Macondo Coletivo e Macondo Cineclube
A L A G O A S
1. Seminário Seminário Ayoré Afro-alagoano “Gênero, palavra variável”
Objetivo: busca promover o debate local e nacional, contribuindo para políticas públicas de Enfrentamento ao Racismo Institucional em Alagoas.
Quando: 21 de março, das 8 às 16 horas
Onde: Federação das Indústrias do Estado do Estado de Alagoas - Avenida Fernandes Lima, 385 Casa da Indústria, 4º andar - Farol, Maceió/AL
Apoio: Ministério de Educação, através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade/SECAD, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Polícia Civil/AL, Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, Prefeitura do município de Viçosa,
Mais informações: (82 )8827-3656/8815-5794
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