16 de mai. de 2010
Parem as máquinas
Os jornais impressos perderam sua função informativa e agora começam a perder leitores e poder político. Suas gigantescas rotativas estão se tornando antieconômicas
Por: Bernardo Kucinski
Publicado em 01/05/2009
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/35/parem-as-maquinas
A internet já supera todos os meios de comunicação como principal fonte regular de notícias dos americanos. O torpedo, que qualquer um pode enviar por celular, já é o mais poderoso meio de mobilização social. Foi um torpedo que salvou São Paulo da catástrofe, quando o estoque de sangue do Hospital das Clínicas caiu repentinamente para apenas 325 bolsas em outubro e operações chegaram a ser suspensas. Carlos Knapp, dirigente da Fundação Pró-Sangue, pediu à operadora Claro que lançasse um torpedo de apelo, e na manhã seguinte já havia filas de doadores. Filas que se mantêm até hoje, porque a Pró-Sangue identificou-se com o mundo afetivo dos jovens, sua forma de viver e se socializar. É um novo mundo, no qual a comunicação transcende o mero ato de informar e ganha dimensão antropológica, ou seja, molda o ser humano desde a infância. Uma nova “ambiência”, como diz o professor Muniz Sodré, na qual impulsos digitais se convertem em prática social e afetiva. Continua...
Por: Bernardo Kucinski
Publicado em 01/05/2009
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/35/parem-as-maquinas
A internet já supera todos os meios de comunicação como principal fonte regular de notícias dos americanos. O torpedo, que qualquer um pode enviar por celular, já é o mais poderoso meio de mobilização social. Foi um torpedo que salvou São Paulo da catástrofe, quando o estoque de sangue do Hospital das Clínicas caiu repentinamente para apenas 325 bolsas em outubro e operações chegaram a ser suspensas. Carlos Knapp, dirigente da Fundação Pró-Sangue, pediu à operadora Claro que lançasse um torpedo de apelo, e na manhã seguinte já havia filas de doadores. Filas que se mantêm até hoje, porque a Pró-Sangue identificou-se com o mundo afetivo dos jovens, sua forma de viver e se socializar. É um novo mundo, no qual a comunicação transcende o mero ato de informar e ganha dimensão antropológica, ou seja, molda o ser humano desde a infância. Uma nova “ambiência”, como diz o professor Muniz Sodré, na qual impulsos digitais se convertem em prática social e afetiva. Continua...
5 de mai. de 2010
Pobres utilizam mais a internet para estudar do que os ricos
O Centro de Estudo sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), departamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, divulgou nesta semana uma pesquisa na qual investigou o comportamento dos usuários da internet no país. Concluiu que chega a 71% o número de usuários da internet que a utilizam para fins educacionais. O quadro que recorta esse grupo e o separa dos demais deixa claros alguns detalhes do perfil do brasileiro que se educa pela internet.
Nesse levantamento, chama a atenção o fato de que as classes D e E utilizam com mais freqüência a internet para fins educacionais do que a classe A. Entre os mais pobres, 72% dos usuários da internet a utilizam para se educar. Entre os mais ricos, esse percentual chega a 68%. Note-se pelo levantamento que, de todas as classes sociais, os mais ricos são os que menos utilizam a rede de computadores com a finalidade educacional. Nessa divisão por classe social, a classe B é a maior usuária da internet para esta finalidade (73%). Esse levantamento é coerente com outras pesquisas do próprio Comitê Gestor que indicam uso freqüente da internet pela população de baixa renda em ambientes como os das lan houses, por exemplo.
Se a classificação for por faixa de renda, os que ganham até um salário mínimo são os que mais utilizam a rede para se educar (76%), enquanto que os que ganham mais de dez salários mínimos são os que menos usam (69%).
A pesquisa também verificou que, entre os usuários da internet, é mais intenso o seu uso educacional por mulheres (75%) do que por homens (69%), e mais por moradores da região norte (83%) e nordeste (77%) do que por moradores do Sudeste (70%) e do Sul (64%). Vê-se ainda que a faixa etária dos 10 a 15 anos é a que mais utiliza a internet para fins educacionais (90%).
Aqui, a tabela com os resultados para os usuários que estudam pela internet. E o resultado completo da pesquisa aqui, no site do CETIC.
Notícas Educação | Por: Carlos Santana
Fonte: http://geledes.org.br/noticas-educacao/pobres-utilizam-mais-a-internet-para-estudar-do-que-os-ricos.html
Nesse levantamento, chama a atenção o fato de que as classes D e E utilizam com mais freqüência a internet para fins educacionais do que a classe A. Entre os mais pobres, 72% dos usuários da internet a utilizam para se educar. Entre os mais ricos, esse percentual chega a 68%. Note-se pelo levantamento que, de todas as classes sociais, os mais ricos são os que menos utilizam a rede de computadores com a finalidade educacional. Nessa divisão por classe social, a classe B é a maior usuária da internet para esta finalidade (73%). Esse levantamento é coerente com outras pesquisas do próprio Comitê Gestor que indicam uso freqüente da internet pela população de baixa renda em ambientes como os das lan houses, por exemplo.
Se a classificação for por faixa de renda, os que ganham até um salário mínimo são os que mais utilizam a rede para se educar (76%), enquanto que os que ganham mais de dez salários mínimos são os que menos usam (69%).
A pesquisa também verificou que, entre os usuários da internet, é mais intenso o seu uso educacional por mulheres (75%) do que por homens (69%), e mais por moradores da região norte (83%) e nordeste (77%) do que por moradores do Sudeste (70%) e do Sul (64%). Vê-se ainda que a faixa etária dos 10 a 15 anos é a que mais utiliza a internet para fins educacionais (90%).
Aqui, a tabela com os resultados para os usuários que estudam pela internet. E o resultado completo da pesquisa aqui, no site do CETIC.
Notícas Educação | Por: Carlos Santana
Fonte: http://geledes.org.br/noticas-educacao/pobres-utilizam-mais-a-internet-para-estudar-do-que-os-ricos.html
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico terá representante da população negra
Por Arísia Barros Reproduzimos o e-mail recebido de Verônica L. O. Maia, assessora Técnica Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas –SUBAA:
Prezada Arísia,
Já que vocês saíram da Conferência Regional de CT&I peço que divulgue para os acadêmicos que puder. Atualmente não temos dados sobre pesquisadores negros no CNPq, apenas que são muito poucos e que a questão da igualdade racial não se constitui numa linha de pesquisa e nem em uma pauta freqüente na instituição. É preciso colocar mais negros no CNPq.
No I simpósio - A população negra na Ciência e Tecnologia, que foi realizado de 06 a 08 de abril, em Pirassununga pela SEPPIR em parceria com a faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, tomamos conhecimento de que o prazo para indicação de novos membros para o Conselho Administrativo do CNPq, está em aberto até 30/04/2010.
Nesse sentido gostaríamos de solicitar as professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores aptos a indicarem e serem indicados que atuem no sentido de indicarem representantes da população negra, a fim de criarem maiores oportunidades para a promoção da pesquisa e da Ciência e Tecnologia com inclusão da população negra. Leiam abaixo as indicações que estão no site do CNPq. Basta indicar e os nomes indicados serão apreciados pelo Conselho Deliberativo.
Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blogs/listar/editoria/raizes-da-africa/pagina/3
Prezada Arísia,
Já que vocês saíram da Conferência Regional de CT&I peço que divulgue para os acadêmicos que puder. Atualmente não temos dados sobre pesquisadores negros no CNPq, apenas que são muito poucos e que a questão da igualdade racial não se constitui numa linha de pesquisa e nem em uma pauta freqüente na instituição. É preciso colocar mais negros no CNPq.
No I simpósio - A população negra na Ciência e Tecnologia, que foi realizado de 06 a 08 de abril, em Pirassununga pela SEPPIR em parceria com a faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, tomamos conhecimento de que o prazo para indicação de novos membros para o Conselho Administrativo do CNPq, está em aberto até 30/04/2010.
Nesse sentido gostaríamos de solicitar as professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores aptos a indicarem e serem indicados que atuem no sentido de indicarem representantes da população negra, a fim de criarem maiores oportunidades para a promoção da pesquisa e da Ciência e Tecnologia com inclusão da população negra. Leiam abaixo as indicações que estão no site do CNPq. Basta indicar e os nomes indicados serão apreciados pelo Conselho Deliberativo.
Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blogs/listar/editoria/raizes-da-africa/pagina/3
"Direito à Memória e à Verdade".
Novos heróis e heroínas irão a partir dessa “redescoberta” compor a história do país diverso. Um país que dito mestiço “esquece” os negros em simbólicos porões da invisibilidade histórica. Nossas histórias têm memória. Essa memória será recontada em livros de histórias, em livros da escola. Essa é uma das propostas da Lei Federal nº10.639/03.
São Paulo - Os nomes de quarenta brasileiros negros que participaram da resistência à ditadura militar (1.964/1985) começaram a ser divulgados por iniciativa do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), de S. Paulo no Catálogo "Direito à Memória e à Verdade".
Entre os nomes estão o de Carlos Marighella, Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o lendário Comandante na Guerilha do Araguaia, e Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas também mortas na Guerilha do Araguaia.
O resgate da participação de brasileiros negros na luta de resistência ao regime militar começou na II Conferência Nacional da Igualdade Racial, realizada em junho do ano passado. Os textos do Catálogo, divulgado por iniciativa do Condepe de S. Paulo, foram extraídos do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade - Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos", editado pela Secretaria especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em 2007, com apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
Os casos relatados foram objeto de processo na Comissão e os familiares das vítimas indenizados pelo Estado Brasileiro. Segundo o presidente do Condepe, jornalista Ivan Seixas (foto), ele próprio ex-preso político, a iniciativa de resgatar o papel dos negros na resistência à ditadura é importante para desmitificar a idéia de que "a resistência ao regime teve a participação apenas de brancos de classe média". "Acho essa iniciativa fundamental", afirmou.
Resistência - O Catálogo inclui personagens negros da resistência ao regime, como o líder sindical do Sindicato dos Ferroviários do rio de Janeiro, José de Souza (1.931/1.964), cuja versão oficial para a morte é de que teria cometido suicídio nove dias depois de preso e conduzido ao DOPS/RJ para averiguações.
Mulher negra - Outras personagens negras lembradas no Catálogo são as guerrilheiras Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas combatentes na Guerilha do Araguaia.
Dinalva, a Dina, transformou-se numa lenda na região do Araguia, onde se acreditava na sua capacidade de virar borboleta para despistar os militares. Professora e parteira dentre os nativos, destacou-se como exímia atiradora e por participar em várias ações armadas. Foi a única mulher a alcançar um posto de comando.
Baiana de Castro Alves, estava grávida quando foi presa, segundo várias testemunhas. O jornalista Hugo Studart conta no livro "A Lei da Selva", que ela foi executada. "O primeiro tiro lhe atingiu o peito, o segundo, a cabeça", relata, o jornalista.
Helenira (1.944/1972), que usava o codinome de Fátima, na Guerrilha, foi metralhada nas pernas e depois torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Eliza de Lima Monerat.
Comandante Crioulo - Luiz José da Cunha (1.943/1.973) foi o último desaparecido político a ter os restos mortais identificados. Ele foi sepultado no dia 02 de setembro de 2.006, no Cemitério Parque das Flores, em Recife, ao lado do túmulo da mãe, trinta e três anos depois de ser morto pelos órgãos de segurança do regime. Sua ossada, sem o crânio, havia sido exumada no cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1.991, onde se encontrava enterrado como indigente. Somente, em junho um exame do DNA identificou o seu corpo.
No Atestado de óbito de Crioulo - alto dirigente da ALN e um dos primeiros a acompanhar Marighela, constava "branco" como a sua cor. Para Seixas, esse fato, que só foi corrigido pouco antes do enterro dos seus restos mortais, demonstra "em que medida e até que ponto foi levado o desrespeito a identidade étnica do dirigente guerrilheiro".
Marighella - O nome mais conhecido entre os líderes negros da resistência ao regime militar foi Carlos Marighela (1.911/1969), o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), considerado o inimigo número 1 do regime militar.
Marighella foi atingido na aorta por uma bala à queima roupa, na Alameda Casa Branca, em S. Paulo, no dia 04 de novembro de 1.969. Era filho de um imigrante italiano - Carlos Augusto Marighela - e de uma negra descendente de escravos - Maria Rita do Nascimento.
Foi eleito deputado pelo Partido Comunista na Constituinte de 1.946 e foi cassado quando o Governo Dutra colocou o Partido na ilegalidade. Passou à ilegalidade onde militou até sua morte. Em 1.967, rompeu com a direção do PCB e passou a dedicar-se as atividades de resistência armada criando uma organização político-militar que em 1.969 adotaria o nome de ALN.
O último nome do Catálogo é o do operário Santo Dias da Silva (1.942/1.979) morto pela Polícia Militar no dia 30 de outubro de 1.979, quando liderava um piquete de greve em frente à fábrica Silvânia, no bairro paulistano de Santo Amaro.
São Paulo - Os nomes de quarenta brasileiros negros que participaram da resistência à ditadura militar (1.964/1985) começaram a ser divulgados por iniciativa do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), de S. Paulo no Catálogo "Direito à Memória e à Verdade".
Entre os nomes estão o de Carlos Marighella, Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o lendário Comandante na Guerilha do Araguaia, e Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas também mortas na Guerilha do Araguaia.
O resgate da participação de brasileiros negros na luta de resistência ao regime militar começou na II Conferência Nacional da Igualdade Racial, realizada em junho do ano passado. Os textos do Catálogo, divulgado por iniciativa do Condepe de S. Paulo, foram extraídos do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade - Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos", editado pela Secretaria especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em 2007, com apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
Os casos relatados foram objeto de processo na Comissão e os familiares das vítimas indenizados pelo Estado Brasileiro. Segundo o presidente do Condepe, jornalista Ivan Seixas (foto), ele próprio ex-preso político, a iniciativa de resgatar o papel dos negros na resistência à ditadura é importante para desmitificar a idéia de que "a resistência ao regime teve a participação apenas de brancos de classe média". "Acho essa iniciativa fundamental", afirmou.
Resistência - O Catálogo inclui personagens negros da resistência ao regime, como o líder sindical do Sindicato dos Ferroviários do rio de Janeiro, José de Souza (1.931/1.964), cuja versão oficial para a morte é de que teria cometido suicídio nove dias depois de preso e conduzido ao DOPS/RJ para averiguações.
Mulher negra - Outras personagens negras lembradas no Catálogo são as guerrilheiras Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas combatentes na Guerilha do Araguaia.
Dinalva, a Dina, transformou-se numa lenda na região do Araguia, onde se acreditava na sua capacidade de virar borboleta para despistar os militares. Professora e parteira dentre os nativos, destacou-se como exímia atiradora e por participar em várias ações armadas. Foi a única mulher a alcançar um posto de comando.
Baiana de Castro Alves, estava grávida quando foi presa, segundo várias testemunhas. O jornalista Hugo Studart conta no livro "A Lei da Selva", que ela foi executada. "O primeiro tiro lhe atingiu o peito, o segundo, a cabeça", relata, o jornalista.
Helenira (1.944/1972), que usava o codinome de Fátima, na Guerrilha, foi metralhada nas pernas e depois torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Eliza de Lima Monerat.
Comandante Crioulo - Luiz José da Cunha (1.943/1.973) foi o último desaparecido político a ter os restos mortais identificados. Ele foi sepultado no dia 02 de setembro de 2.006, no Cemitério Parque das Flores, em Recife, ao lado do túmulo da mãe, trinta e três anos depois de ser morto pelos órgãos de segurança do regime. Sua ossada, sem o crânio, havia sido exumada no cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1.991, onde se encontrava enterrado como indigente. Somente, em junho um exame do DNA identificou o seu corpo.
No Atestado de óbito de Crioulo - alto dirigente da ALN e um dos primeiros a acompanhar Marighela, constava "branco" como a sua cor. Para Seixas, esse fato, que só foi corrigido pouco antes do enterro dos seus restos mortais, demonstra "em que medida e até que ponto foi levado o desrespeito a identidade étnica do dirigente guerrilheiro".
Marighella - O nome mais conhecido entre os líderes negros da resistência ao regime militar foi Carlos Marighela (1.911/1969), o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), considerado o inimigo número 1 do regime militar.
Marighella foi atingido na aorta por uma bala à queima roupa, na Alameda Casa Branca, em S. Paulo, no dia 04 de novembro de 1.969. Era filho de um imigrante italiano - Carlos Augusto Marighela - e de uma negra descendente de escravos - Maria Rita do Nascimento.
Foi eleito deputado pelo Partido Comunista na Constituinte de 1.946 e foi cassado quando o Governo Dutra colocou o Partido na ilegalidade. Passou à ilegalidade onde militou até sua morte. Em 1.967, rompeu com a direção do PCB e passou a dedicar-se as atividades de resistência armada criando uma organização político-militar que em 1.969 adotaria o nome de ALN.
O último nome do Catálogo é o do operário Santo Dias da Silva (1.942/1.979) morto pela Polícia Militar no dia 30 de outubro de 1.979, quando liderava um piquete de greve em frente à fábrica Silvânia, no bairro paulistano de Santo Amaro.
“Do nada, ele virou de lado, olhou para a minha cara e cuspiu em mim me chamando de negra safada”,
Herança do período escravocrata o racismo invade e manipula o conceito social de igualdade humana. O preconceito racial no Brasil é estruturante, mesmo sendo maioria no percentual quantitativo dos 188 milhões da população brasileira , negros ainda são hóspedes incômodos no país da democracia racial.
Uma cuspida na cara seguida de xingamento de “negra safada”. Assim foi agredida a copeira Hilda (nome fictício), 41 anos. A senhora de cabelos crespos e pele negra estava sentada em um dos bancos do ônibus da empresa Viva Brasília, que fazia a linha L2 Norte/Rodoviária do Plano Piloto, quando ouviu a humilhação do homem de pele branca. O episódio ocorreu por volta das 11h de ontem. O comerciante André Luiz Soares Nasser, 35 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, após um passageiro indignado ter segurado o agressor, impedindo-o de descer do coletivo. O caso foi parar na 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte) e na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir). André Nasser foi indiciado pelo crime de injúria racial qualificada (veja o que diz a lei) e lesão corporal. Se condenado, pode pegar até quatro anos de prisão.
Continua...
COMO DENUNCIAR Denúncias de racismo podem ser feitas pelo telefone 0800-6441508 ou na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República pelo número (61) 3411-3695
Uma cuspida na cara seguida de xingamento de “negra safada”. Assim foi agredida a copeira Hilda (nome fictício), 41 anos. A senhora de cabelos crespos e pele negra estava sentada em um dos bancos do ônibus da empresa Viva Brasília, que fazia a linha L2 Norte/Rodoviária do Plano Piloto, quando ouviu a humilhação do homem de pele branca. O episódio ocorreu por volta das 11h de ontem. O comerciante André Luiz Soares Nasser, 35 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, após um passageiro indignado ter segurado o agressor, impedindo-o de descer do coletivo. O caso foi parar na 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte) e na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir). André Nasser foi indiciado pelo crime de injúria racial qualificada (veja o que diz a lei) e lesão corporal. Se condenado, pode pegar até quatro anos de prisão.
Continua...
COMO DENUNCIAR Denúncias de racismo podem ser feitas pelo telefone 0800-6441508 ou na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República pelo número (61) 3411-3695
22 de abr. de 2010
Programa “Mulheres jovens na Sociedade da Informação/Conhecimento”
Programa “Mulheres jovens na Sociedade da Informação/Conhecimento”
JOVENS PESQUISANDO JOVENS
De 17 de maio a 17 de dezembro de 2010
ABERTAS AS INSCRIÇÕES
SEGUNDA EDIÇÃO - 2010
- - Voltado para mulheres jovens (18-30 anos)
- Objetiva fortalecer suas capacidades para desenvolver projetos de pesquisa sobre juventude a partir de uma perspectiva de gênero.
Todas as atividades serão realizadas na plataforma digital http://www.catunescomujer.org/
Bolsas UNIFEM 2010
- Destinadas a mulheres (18 a 30 anos) de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.
- Especial interesse em candidaturas de jovens de grupos indígenas e afrodescendentes.
20 bolsas disponíveis. Cada uma compreende:
- Participação em: Oficina de Formação, Comunidades de Prática e Tutoria on line.
- Apoio econômico (USD 2000) para implementar as fases iniciais das ideais-projetos de pesquisa.
Todas as bolsistas colaborarão com a elaboração de um mapa regional de organizações que trabalhem sobre/com mulheres jovens indígenas e afrodescendentes.
Maiores informações em: http://www.prigepp.org/mails/2010/12-04/requisitos_bolsas_unifem.pdf
Jovem negro é alvo, segundo Mapa
Brasília - O risco que corre um jovem negro no país da democracia racial de ser assassinado é 130% maior que o de um jovem branco, segundo o Mapa da Violência, Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.
Os maiores índices de mortes violentas estão concentrados na população jovem, entre 15 e 24 anos. Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país. O Estado que apresentou o maior crescimento na taxa de assassinatos de jovens entre 1997 e 2007 foi Alagoas, que passou de 170 mortes em 1997 para 763 mortes dez anos depois (crescimento de 348,8%).
Por outro lado, São Paulo foi o Estado que apresentou a maior queda (- 60,6%), passando de 4.682 mortes em 1997 para 1.846 óbitos em 2007.
Fonte: Por: Redação - Fonte: Afropress - 2/4/2010
Os maiores índices de mortes violentas estão concentrados na população jovem, entre 15 e 24 anos. Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país. O Estado que apresentou o maior crescimento na taxa de assassinatos de jovens entre 1997 e 2007 foi Alagoas, que passou de 170 mortes em 1997 para 763 mortes dez anos depois (crescimento de 348,8%).
Por outro lado, São Paulo foi o Estado que apresentou a maior queda (- 60,6%), passando de 4.682 mortes em 1997 para 1.846 óbitos em 2007.
Fonte: Por: Redação - Fonte: Afropress - 2/4/2010
4 de abr. de 2010
Plano Nacional de Banda Larga é indispensável para o Brasil
Um estudo recente do Banco Mundial mostra que um aumento de 10% no número de conexões de banda larga em países emergentes induz um crescimento adicional de mais de 1,3% no PIB. Só esse dado demonstra que é inquestionável a necessidade de um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O argumento é de Carlos Afonso, especialista em gestão da internet e em inclusão digital, membro do Internet Governance Forum (IGF), órgão consultivo do secretário-geral das Nações Unidas sobre governança da internet, e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), em entrevista exclusiva ao Guia das Cidades Digitais. Para ele, o governo federal tem que criar as condições básicas para que a internet chegue a todos os m unicípios, mas a operação disso até o usuário final deve ser responsabilidade dos pequenos empreendedores e provedores locais − e não das concessionárias de telecomunicações, “cartel” que até hoje não fez a universalização.
Fonte: Newsletter número 95 - 09 de março de 2010 - Guia das Cidades Digitais
22 de mar. de 2010
O racismo explícito da Folha e O Globo
Ter, 16 de Março de 2010 20:16
E ainda tem gente que acha que não existe racismo no Brasil. Mas a própria mídia elitista desmente os adeptos desta tese fajuta – pregada, entre outros, pelo “senhor das trevas” da Rede Globo, Ali Kamel.
Fonte: Portal Vermelho 15 de Março de 2010 - 14h34
Nos últimos dias, ela cometeu dois crimes de racismo. O jornal O Globo simplesmente vetou a publicação de um anúncio pago (pago!) do movimento Afirme-se, que defende as cotas nas universidades brasileiras. Já a FSP (Folha Serra Presidente) se meteu numa enrascada ao dar espaço para o racista Demétrio Magnoli, que esculhambou dois repórteres do próprio jornal.
A peça publicitária do movimento Afirme-se, produzida pela agência baiana Propeg, enfatizava que 60% dos brasileiros apóiam as políticas afirmativas e defendia a manutenção das cotas. O anúncio visava interferir nos debates da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Ele foi publicado em vários veículos ao custo médio de R$ 40 mil. Já o jornal da famíglia Marinho, que antes havia orçado a publicação em R$ 54.163,200, ao saber do conteúdo da campanha elevou o preço para R$ 712.608,00 – um aumento de 1.300%.
Preço elevado em 1.300%
Diante deste evidente racismo, a entidade ingressou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra O Globo, exigindo a “punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito”. Para o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, o majoração de 1.300% “é uma coisa irracional, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”. Segundo o advogado João Fontoura Filha, a atitude do jornal atenta contra a liberdade de expressão e fere vários artigos da Constituição.
Na ação enviada ao subprocurador-geral de Justiça e Direitos Humanos, o advogado afirma que o anúncio visava “informar a sociedade a respeito da constitucionalidade das cotas – tão atacadas nos editoriais e artigos difundidos, entre outros, pelo O Globo”. Mas o jornal preferiu vetar a sua difusão, confirmando a existência de “uma verdadeira campanha que objetiva extinguir, vetar e destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa; e impedir, bloquear e derrotar qualquer possibilidade de criação de novos instrumentos legais de ação afirmativa”.
Magnoli, o novo jagunço das elites
Na mesma semana, os senhores da Casa Grande confirmaram que seguem mandando na mídia. Após publicar matéria dos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM responsabiliza negros pela escravidão”), a Folha abriu espaço para o seu jagunço de aluguel, Demétrio Magnoli, atacar seus dois repórteres. No artigo “O jornalismo delinquente”, o novo mercenário das elites se solidariza com o discurso racista do senador demo Demóstenes Torres, que culpou os escravos pela escravidão, e criticou covardemente os dois jornalistas, sugerindo a sumária demissão.
A atitude da Folha, que terceirizou as suas críticas à política de cotas, causou forte repulsa. Um manifesto de solidariedade aos dois repórteres já circula nas redações. Para o blogueiro Leandro Fortes, a Folha cometeu suicídio editorial ao autorizar um “elemento estranho à redação (mas não aos diretores) a chamar de ‘delinquentes’ dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, eu não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca”.
Enquadramento de repórteres e editores
“Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados, como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra suas atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião”, opina Leandro Fortes. Para ele, o repulsivo artigo de Magnoli visa a “intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam” –, referindo-se a batalha eleitoral em curso.
A delinquência de Magnoli também atingiu um dos principais articulistas da Folha, Elio Gaspari, que ironizou o demo: “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas”. Para o jagunço, a reportagem e, de quebra, a coluna de Gaspari não deveriam ter sido publicadas sem prévia autorização da direção do jornal. Ou seja: ele exige maior censura na decrépita Folha. Os racistas, bastante reais e atuantes, estão nervosos no combate às cotas.
Fonte: http://www.abpn.org.br/index.php
E ainda tem gente que acha que não existe racismo no Brasil. Mas a própria mídia elitista desmente os adeptos desta tese fajuta – pregada, entre outros, pelo “senhor das trevas” da Rede Globo, Ali Kamel.
Fonte: Portal Vermelho 15 de Março de 2010 - 14h34
Nos últimos dias, ela cometeu dois crimes de racismo. O jornal O Globo simplesmente vetou a publicação de um anúncio pago (pago!) do movimento Afirme-se, que defende as cotas nas universidades brasileiras. Já a FSP (Folha Serra Presidente) se meteu numa enrascada ao dar espaço para o racista Demétrio Magnoli, que esculhambou dois repórteres do próprio jornal.
A peça publicitária do movimento Afirme-se, produzida pela agência baiana Propeg, enfatizava que 60% dos brasileiros apóiam as políticas afirmativas e defendia a manutenção das cotas. O anúncio visava interferir nos debates da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Ele foi publicado em vários veículos ao custo médio de R$ 40 mil. Já o jornal da famíglia Marinho, que antes havia orçado a publicação em R$ 54.163,200, ao saber do conteúdo da campanha elevou o preço para R$ 712.608,00 – um aumento de 1.300%.
Preço elevado em 1.300%
Diante deste evidente racismo, a entidade ingressou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra O Globo, exigindo a “punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito”. Para o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, o majoração de 1.300% “é uma coisa irracional, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”. Segundo o advogado João Fontoura Filha, a atitude do jornal atenta contra a liberdade de expressão e fere vários artigos da Constituição.
Na ação enviada ao subprocurador-geral de Justiça e Direitos Humanos, o advogado afirma que o anúncio visava “informar a sociedade a respeito da constitucionalidade das cotas – tão atacadas nos editoriais e artigos difundidos, entre outros, pelo O Globo”. Mas o jornal preferiu vetar a sua difusão, confirmando a existência de “uma verdadeira campanha que objetiva extinguir, vetar e destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa; e impedir, bloquear e derrotar qualquer possibilidade de criação de novos instrumentos legais de ação afirmativa”.
Magnoli, o novo jagunço das elites
Na mesma semana, os senhores da Casa Grande confirmaram que seguem mandando na mídia. Após publicar matéria dos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM responsabiliza negros pela escravidão”), a Folha abriu espaço para o seu jagunço de aluguel, Demétrio Magnoli, atacar seus dois repórteres. No artigo “O jornalismo delinquente”, o novo mercenário das elites se solidariza com o discurso racista do senador demo Demóstenes Torres, que culpou os escravos pela escravidão, e criticou covardemente os dois jornalistas, sugerindo a sumária demissão.
A atitude da Folha, que terceirizou as suas críticas à política de cotas, causou forte repulsa. Um manifesto de solidariedade aos dois repórteres já circula nas redações. Para o blogueiro Leandro Fortes, a Folha cometeu suicídio editorial ao autorizar um “elemento estranho à redação (mas não aos diretores) a chamar de ‘delinquentes’ dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, eu não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca”.
Enquadramento de repórteres e editores
“Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados, como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra suas atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião”, opina Leandro Fortes. Para ele, o repulsivo artigo de Magnoli visa a “intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam” –, referindo-se a batalha eleitoral em curso.
A delinquência de Magnoli também atingiu um dos principais articulistas da Folha, Elio Gaspari, que ironizou o demo: “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas”. Para o jagunço, a reportagem e, de quebra, a coluna de Gaspari não deveriam ter sido publicadas sem prévia autorização da direção do jornal. Ou seja: ele exige maior censura na decrépita Folha. Os racistas, bastante reais e atuantes, estão nervosos no combate às cotas.
Fonte: http://www.abpn.org.br/index.php
16 de mar. de 2010
Site é obrigado a se retratar
O dono do site verdadecrista.com.br, Severino Francisco dos Santos, que nas eleições municipais de 2008 veiculou na internet “material de teor discriminatório ao segmento LGBT e aos adeptos de religiões de matriz africana” terá que reativar a página da web para reparação. Na época, o site postou manchetes do tipo: “João da Costa declara que sua proteção vem dos orixás. É em Xangô que João da Costa tanto se confia! E você? Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A mensagem fazia referência ao fato de João da Costa ter aparecido com um Fio de Contas do orixá Xangô, durante a campanha.
O proprietário assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que tem como objeto a reparação dos “danos coletivos” causados pela veiculação das mensagens. O Severino terá que publicar, do dia 5 de abril a 15 de novembro, diariamente “nota de desagravo às religiões de matriz africana e afrobrasileira”; a “legislação antidiscriminatória/antiracista; e a “cópia do Termo”. O TAC foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 27 de fevereiro e determina o cumprimento da ação a contar da data da publicação. No entanto, como o site se encontrava desativado, foi feito um acordo para que o proprietário da página pudesse reativá-la.
Para a coordenadora da Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco, Vera Baroni - uma das instituições que se manifestaram contra a atitude do pastor e provocaram o MPPE -, o resultado é “uma pequena grande vitória”. “Primeiro porque o Estado reconheceu que existe uma diversidade brasileira que tem que ser respeitada. Estão chamando as pessoas à responsabilidade”, ressaltou.
MARILEIDE ALVES
Detalhe foto: VERA Baroni foi uma das responsáveis pela ação
Fonte: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/556295?task=view
15 de mar. de 2010
Destruir a obra
Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel -
É a temporada. Tempo de sofismas e argumentos tortos. Tempo das mesmices repetidas com ares de descobertas recentes. Hora de escapar do debate sobre a questão racial brasileira. Não precisava ser assim. Podia ser um tempo de avanços. Mas os que negam o racismo brasileiro preferem esse cerco à inteligência, ao óbvio, ao progresso.
Num ambiente negacionista, foi um alívio ouvir as explicações simples e diretas da secretária de Estado americana Hillary Clinton na Faculdade Zumbi dos Palmares, onde escolheu debater com estudantes. Hillary defendeu as ações afirmativas dizendo que, com elas, os EUA estão deixando para trás os vestígios da escravidão:
— Temos feito um grande progresso com as ações afirmativas em aumentar as oportunidades na educação, no emprego para os afro-americanos. Elas são o reconhecimento de que as barreiras históricas criam um funil que impede o acesso do grupo discriminado a níveis superiores de educação. É preciso alargar a entrada e deixar mais gente entrar. O talento é universal, mas as oportunidades, não. O acesso na universidade não é, no entanto, a garantia da graduação.
Hillary contou que, como professora de Direito, percebeu que muitos alunos que entraram por ação afirmativa tiveram dificuldades maiores pelas falhas da educação anterior. Ela se dedicou a esses alunos no sistema tutorial:
— Simplesmente não podemos aceitar os estudantes na universidade para deixar que eles falhem. Eles têm que ser ajudados.
O sistema americano é diferente do nosso, mas discriminação é parecida em qualquer país do mundo. Ela barra com obstáculos sutis ou explícitos, negados ou assumidos, a ascensão de grupos discriminados por qualquer motivo, racismo, sexismo, ou outras intolerâncias. Lá, eles não têm cotas, não têm vestibular; o sistema, como se sabe, é o de application, o de se candidatar a uma vaga apresentando suas credenciais escolares. Ao avaliar quem entra, as escolas dão pontuação maior a quem vem de um grupo discriminado. Cada universidade tem um critério, um método e uma meta diferente, mas todas buscam um quadro de alunos com diversidade. Os alunos com menos chance de estar lá têm preferência nas bolsas para as caríssimas universidades privadas americanas.
— Estou muito orgulhosa das conquistas dos últimos 50 anos do movimento dos direitos civis, pelos que lutaram como Martin Luther King e outros, mas não posso dizer que o meu país não tem racismo, não tem sexismo — disse a mulher que comanda a mais poderosa diplomacia do mundo e é chefiada por um negro, que preside o maior país do mundo. Ela não vê a sua ascensão, nem a do presidente Obama, como provas de que não há barreiras para negros e mulheres.
Essa sinceridade é encantadora porque é rara no Brasil. Esse reconhecimento da existência do problema, e de que ele é vencido por ações concretas de políticas públicas e de empresas, dá esperança.
No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: "Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra."
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: "Todos são iguais perante a lei." E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão. "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores. Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las. Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito. O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.
Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/03/07/destruir-obra-272069.asp
É a temporada. Tempo de sofismas e argumentos tortos. Tempo das mesmices repetidas com ares de descobertas recentes. Hora de escapar do debate sobre a questão racial brasileira. Não precisava ser assim. Podia ser um tempo de avanços. Mas os que negam o racismo brasileiro preferem esse cerco à inteligência, ao óbvio, ao progresso.
Num ambiente negacionista, foi um alívio ouvir as explicações simples e diretas da secretária de Estado americana Hillary Clinton na Faculdade Zumbi dos Palmares, onde escolheu debater com estudantes. Hillary defendeu as ações afirmativas dizendo que, com elas, os EUA estão deixando para trás os vestígios da escravidão:
— Temos feito um grande progresso com as ações afirmativas em aumentar as oportunidades na educação, no emprego para os afro-americanos. Elas são o reconhecimento de que as barreiras históricas criam um funil que impede o acesso do grupo discriminado a níveis superiores de educação. É preciso alargar a entrada e deixar mais gente entrar. O talento é universal, mas as oportunidades, não. O acesso na universidade não é, no entanto, a garantia da graduação.
Hillary contou que, como professora de Direito, percebeu que muitos alunos que entraram por ação afirmativa tiveram dificuldades maiores pelas falhas da educação anterior. Ela se dedicou a esses alunos no sistema tutorial:
— Simplesmente não podemos aceitar os estudantes na universidade para deixar que eles falhem. Eles têm que ser ajudados.
O sistema americano é diferente do nosso, mas discriminação é parecida em qualquer país do mundo. Ela barra com obstáculos sutis ou explícitos, negados ou assumidos, a ascensão de grupos discriminados por qualquer motivo, racismo, sexismo, ou outras intolerâncias. Lá, eles não têm cotas, não têm vestibular; o sistema, como se sabe, é o de application, o de se candidatar a uma vaga apresentando suas credenciais escolares. Ao avaliar quem entra, as escolas dão pontuação maior a quem vem de um grupo discriminado. Cada universidade tem um critério, um método e uma meta diferente, mas todas buscam um quadro de alunos com diversidade. Os alunos com menos chance de estar lá têm preferência nas bolsas para as caríssimas universidades privadas americanas.
— Estou muito orgulhosa das conquistas dos últimos 50 anos do movimento dos direitos civis, pelos que lutaram como Martin Luther King e outros, mas não posso dizer que o meu país não tem racismo, não tem sexismo — disse a mulher que comanda a mais poderosa diplomacia do mundo e é chefiada por um negro, que preside o maior país do mundo. Ela não vê a sua ascensão, nem a do presidente Obama, como provas de que não há barreiras para negros e mulheres.
Essa sinceridade é encantadora porque é rara no Brasil. Esse reconhecimento da existência do problema, e de que ele é vencido por ações concretas de políticas públicas e de empresas, dá esperança.
No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: "Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra."
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: "Todos são iguais perante a lei." E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão. "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores. Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las. Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito. O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.
Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/03/07/destruir-obra-272069.asp
4 de mar. de 2010
Para senador, os negros são os culpados pela escravidão no Brasil
Ontem, durante audiência no Supremo Tribunal Federal para discutir o sistema de cotas em universidades públicas, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) usou da palavra para destilar todo o seu profundo conhecimento sobre a história do Brasil. Quem ouviu seu discurso saiu com a impressão de que aprendeu várias coisas novas. Que os africanos eram os principais responsáveis pelo tráfico transatlântico de escravos. Que escravas negras não foram violentadas pelos patrões brancos, afinal de contas “isso se deu de forma muito mais consensual” e “levou o Brasil a ter hoje essa magnífica configuração social” de hoje. Que no dia seguinte à sua libertação, os escravos “eram cidadão como outro qualquer, com todos os direitos políticos e o mesmo grau de elegibilidade” – mesmo sem nenhuma política de inserção aplicada. Com tudo isso, o nobre senador deu a entender que os negros foram os reais culpados pela escravidão no Brasil. As frases (da qual retirei trechos que estão entre aspas) foram registradas pelos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz, da Folha de S. Paulo.
A posição do senador é compreensível, se considerarmos que o discurso feito não foi um ataque à reserva de vagas para negros e afrodescendentes e sim uma defesa da elite política e econômica que controlou a escravidão no país e que, com algumas mudanças e adaptações, desembocou em setores do seu próprio partido.
Continua...
Fonte: http://blogdosakamoto.uol.com.br
A posição do senador é compreensível, se considerarmos que o discurso feito não foi um ataque à reserva de vagas para negros e afrodescendentes e sim uma defesa da elite política e econômica que controlou a escravidão no país e que, com algumas mudanças e adaptações, desembocou em setores do seu próprio partido.
Continua...
Fonte: http://blogdosakamoto.uol.com.br
2 de mar. de 2010
Campanha Afirme-Se - Em defesa das Ações Afirmativas no Brasil
Já estar disponível no blog Evolução-HipHop para baixar o material feito para rádio (spot de 60?), da Campanha Afirme-Se, produzido pela agencia de publicidade Propeg. Quem quiser pode copiar e reproduzir em rádios, blog?s, mandar por e-mail, enviar por blutuf, enfim, disseminar o maximo possível. Segunda-feira (01-03), estará disponível o VT.
A Propeg estará veiculando essas peças nas redes BandNews e CBN de rádio, e TVs institucionais, como a TV Senado, também a partir do dia 2. O VT vai entrar na TV Educativa da Bahia ? TVE e, daí, na TV Brasil. Apenas o manifesto a ser publicado em jornal, a ser pago pelas doações, ainda está pendente. Depende do esforço de arrecadação de cada um. Leia mais aqui...
Dj Branco
(71)9151-0631
cmahiphop007@gmail.com
A Propeg estará veiculando essas peças nas redes BandNews e CBN de rádio, e TVs institucionais, como a TV Senado, também a partir do dia 2. O VT vai entrar na TV Educativa da Bahia ? TVE e, daí, na TV Brasil. Apenas o manifesto a ser publicado em jornal, a ser pago pelas doações, ainda está pendente. Depende do esforço de arrecadação de cada um. Leia mais aqui...
Dj Branco
(71)9151-0631
cmahiphop007@gmail.com
18 de fev. de 2010
As lutas não são poucas... na Bahia então...
Coisas de um país não preconceituoso
por Daniel Campos*
Em 2003, a juíza Luislinda Dias Valois dos Santos proferiu a primeira sentença brasileira baseada na Lei do Racismo.
Deu ganho de causa a uma negra acusada de ter roubado um frango e dois sabonetes da principal rede de supermercados da Bahia.
Declarada a sentença, Luislinda foi ameaçada de morte. Mas isso não era novidade na vida da primeira juíza negra do Brasil.
Negra, mulher, divorciada, nordestina e de origem pobre, ela costuma dizer que se for morta seu assassino será o racismo.
Tinha nove anos quando um professor lhe disse que seu lugar era na cozinha de uma branca.
Ao ser aprovada no concurso público para procuradora, uma Bahia comandada por coronéis brancos mandou-a para Curitiba.
Para regressar, passou no concurso da Justiça Estadual da Bahia e foi exilada em uma comarca sem luz, telefone e água encanada. De pronto, foi avisada de que, mais dia menos dia, seria morta.
Fez um curso de justiça célere na Austrália e, ao aplicar esse processo por aqui, quiseram saber o que ela ganhava julgando com rapidez.
Advogados já pediram cancelamento de audiência ao saber que a juíza não era branca. Muitos ainda se perguntam o que aquela mulher de rastafári vermelho faz sentada na cadeira do juiz.
Certo dia entrou em um banco e foi chamada e tratada como bandida pelos seguranças. Depois de alguns sustos, passou a ter cuidado com a água que bebe e com o percurso que faz diariamente.
Foram muitas as intimidações para que ela renunciasse à magistratura.
Como não conseguiram matá-la fisicamente, fecharam-lhe todas as portas do Judiciário. Sem se intimidar, passou a fazer audiências na periferia, nos alagados, nos quilombos.
De barco, ônibus ou a pé, a juíza tentou levar justiça à população mais carente.
Porém, foi duramente censurada. Até mesmo do premiado projeto Balcões de Cidadania, do qual foi idealizadora e coordenadora, foi afastada.
Mesmo ganhando diversos prêmios e homenagens, Luislinda é tida, dentro do meio, como uma juíza menor.
Ela tem certeza de que muito do problema do preconceito está dentro do Judiciário, ainda branco e machista.
No Brasil, pouco mais de 1% dos juízes se declaram negros e a maioria, principalmente nas instâncias superiores, é do sexo masculino.
Aos 67 anos, a filha de Iansã tem todos os requisitos necessários para se tornar desembargadora.
Só que Luislinda não precisa jogar búzios, ler cartas ou freqüentar o terreiro de mãe Bebé para saber que ninguém a quer como desembargadora. Como juíza, já incomoda muita gente.
* Daniel Campos é poeta, escritor, jornalista, pós-graduado em Comunicação Criativa pela ABJL e autor do portal de literatura e poesia http://www.danielcampos.biz
por Daniel Campos*
Em 2003, a juíza Luislinda Dias Valois dos Santos proferiu a primeira sentença brasileira baseada na Lei do Racismo.
Deu ganho de causa a uma negra acusada de ter roubado um frango e dois sabonetes da principal rede de supermercados da Bahia.
Declarada a sentença, Luislinda foi ameaçada de morte. Mas isso não era novidade na vida da primeira juíza negra do Brasil.
Negra, mulher, divorciada, nordestina e de origem pobre, ela costuma dizer que se for morta seu assassino será o racismo.
Tinha nove anos quando um professor lhe disse que seu lugar era na cozinha de uma branca.
Ao ser aprovada no concurso público para procuradora, uma Bahia comandada por coronéis brancos mandou-a para Curitiba.
Para regressar, passou no concurso da Justiça Estadual da Bahia e foi exilada em uma comarca sem luz, telefone e água encanada. De pronto, foi avisada de que, mais dia menos dia, seria morta.
Fez um curso de justiça célere na Austrália e, ao aplicar esse processo por aqui, quiseram saber o que ela ganhava julgando com rapidez.
Advogados já pediram cancelamento de audiência ao saber que a juíza não era branca. Muitos ainda se perguntam o que aquela mulher de rastafári vermelho faz sentada na cadeira do juiz.
Certo dia entrou em um banco e foi chamada e tratada como bandida pelos seguranças. Depois de alguns sustos, passou a ter cuidado com a água que bebe e com o percurso que faz diariamente.
Foram muitas as intimidações para que ela renunciasse à magistratura.
Como não conseguiram matá-la fisicamente, fecharam-lhe todas as portas do Judiciário. Sem se intimidar, passou a fazer audiências na periferia, nos alagados, nos quilombos.
De barco, ônibus ou a pé, a juíza tentou levar justiça à população mais carente.
Porém, foi duramente censurada. Até mesmo do premiado projeto Balcões de Cidadania, do qual foi idealizadora e coordenadora, foi afastada.
Mesmo ganhando diversos prêmios e homenagens, Luislinda é tida, dentro do meio, como uma juíza menor.
Ela tem certeza de que muito do problema do preconceito está dentro do Judiciário, ainda branco e machista.
No Brasil, pouco mais de 1% dos juízes se declaram negros e a maioria, principalmente nas instâncias superiores, é do sexo masculino.
Aos 67 anos, a filha de Iansã tem todos os requisitos necessários para se tornar desembargadora.
Só que Luislinda não precisa jogar búzios, ler cartas ou freqüentar o terreiro de mãe Bebé para saber que ninguém a quer como desembargadora. Como juíza, já incomoda muita gente.
* Daniel Campos é poeta, escritor, jornalista, pós-graduado em Comunicação Criativa pela ABJL e autor do portal de literatura e poesia http://www.danielcampos.biz
E quem disse que Chapeuzinho Vermelho não pode ser negra?
Paulo de Tássio Borges da Silva1
Pedagogo, especialista em Sociologia
E-mail: paulo_tassio@correios.net.br
RESUMO: A presente tessitura nasce a partir de uma experiência vivenciada num espaço educativo não-formal com crianças de idade entre 5 e 6 anos. O trabalho teve como objetivo problematizar o preconceito racial presente nos contos infantis e provocar uma desconstrução do mesmo a partir das vozes, dos gestos, olhares e performances das crianças. O mesmo se desenvolveu na perspectiva qualitativa sob o enfoque etnográfico, utilizando-se da metodologia do teatro aplicado à educação.
PALAVRAS-CHAVES: Educação não-formal; criança; conto infantil.
ABSTRACT: This fabric comes from an experience within a non-formal education to children aged between 5 and 6 years. The work aims to discuss the racial bias present in children’s stories and cause deconstruction of it from the voices, gestures, looks and performances of children. The same is developed in a qualitative way in the ethnographic approach, using the methodology applied to the theater education.
KEY- WORDS: Non-formal education; children; children’s story.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/documentos/Chapeuzinho_vermelho_negra.pdf
1. Pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Educação, Educação Escolar Indígena e Interculturalidade: Experiências entre os Povos indígenas Tupinambá, Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe e do Órgão de Educação e Relações Étnicas com Ênfase em Culturas Afro-Brasileiras - ODEERE da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -UESB.
Blog Nota 10 da Revista África e Africanidades - GANHADORES
Resultado do Concurso / Edição 2009.
O concurso teve por objetivo selecionar os melhores Blogs nas categorias Blog Nota 10 – África e Africanidades, destinada a blogueiros e Blog do Professor Nota 10 África e Africanidades tendo como critérios conteúdo, criatividade, apresentação, quantidade de postagens e de comentários. Para a categoria Blog do Professor Nota 10 - África e Africanidades ainda foram avaliados as participações de alunos e outros membros da comunidade escolar no projeto que deu origem ao blog.
Entre os diversos inscritos na categoria Blog do professor Nota 10 apenas o Blog do Projeto África, projeto da professora Ana Paula Mogetti Ferraz, do Colégio Estadual Barão de Itacurussá, no Rio de Janeiro contemplou todos os pré-requisitos. Muitos professores inscreveram seus blogs individuais que não estavam inseridos num projeto pedagógico.
O projeto Blog do Projeto África ainda destacou-se pela multidisciplinaridade, integração com a comunidade, o que possibilitou momentos de diálogos entre o universo escolar, grupos culturais, intelectuais e representantes do Movimento Negro.
Na categoria blogueiro a seleção também foi muito difícil pela variedade e qualidade dos participantes. Os ganhadores foram
1º Lugar: Blog Literatura Suburbana
2º Lugar: Blog da Associação Crianças Raízes do Abaeté
3º Lugar: Blog Memorial Lélia Gonzalez - Continente África
Em breve a revista publicará maiores informações sobre cada um dos blogs ganhadores.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/
O concurso teve por objetivo selecionar os melhores Blogs nas categorias Blog Nota 10 – África e Africanidades, destinada a blogueiros e Blog do Professor Nota 10 África e Africanidades tendo como critérios conteúdo, criatividade, apresentação, quantidade de postagens e de comentários. Para a categoria Blog do Professor Nota 10 - África e Africanidades ainda foram avaliados as participações de alunos e outros membros da comunidade escolar no projeto que deu origem ao blog.
Entre os diversos inscritos na categoria Blog do professor Nota 10 apenas o Blog do Projeto África, projeto da professora Ana Paula Mogetti Ferraz, do Colégio Estadual Barão de Itacurussá, no Rio de Janeiro contemplou todos os pré-requisitos. Muitos professores inscreveram seus blogs individuais que não estavam inseridos num projeto pedagógico.
O projeto Blog do Projeto África ainda destacou-se pela multidisciplinaridade, integração com a comunidade, o que possibilitou momentos de diálogos entre o universo escolar, grupos culturais, intelectuais e representantes do Movimento Negro.
Na categoria blogueiro a seleção também foi muito difícil pela variedade e qualidade dos participantes. Os ganhadores foram
1º Lugar: Blog Literatura Suburbana
2º Lugar: Blog da Associação Crianças Raízes do Abaeté
3º Lugar: Blog Memorial Lélia Gonzalez - Continente África
Em breve a revista publicará maiores informações sobre cada um dos blogs ganhadores.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/
3 de fev. de 2010
Campanha Nacional AFIRME-SE! Pela Manutenção no STF das Políticas de Ação Afirmativa.
Prezado(a) Representante de Entidade/Instituição do Movimento Social, Movimento Negro, Movimento Indígena, Movimento Homossexual, Movimento Quilombola e demais:
Gostaríamos de contar com sua presença, representando vossa instituição, em reunião Plenária de articulação da campanha nacional AFIRME-SE! Pela Manutenção no STF das Políticas de Ação Afirmativa. Em Salvador a plenária acontece na próxima quinta-feira, dia 4 de fevereiro, das 18h às 20h, na Sala Luiz Orlando na Biblioteca Central dos Barris. Diversas entidades dos movimentos sociais, negro e indígena, estão sendo convidadas a participar.
Data: quinta-feira, 4/02/2010, às 18h
Local: Biblioteca Central dos Barris - Salvador/BA
Por Fernando Conceição*
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'A senhora é deputada?' - Um caso de discriminação racial
Negra e militante de movimentos sociais, a deputada federal Janete Pietá (PT-SP) foi vítima de discriminação racial por parte de uma funcionária do cerimonial da Presidência da República, na terça-feira 26, em Brasília, durante o lançamento dos programas Bolsa Copa e Bolsa Olímpica, pelo presidente Lula. A deputada foi barrada ao tentar entrar no evento, no auditório do Ministério da Justiça. Ela pegou a fila para retirar o pin que lhe daria acesso ao espaço destinado aos parlamentares e, ao se apresentar, a funcionária a olhou de cima a baixo e exclamou: “A senhora, deputada??? !!!... Eu nunca lhe vi nos eventos presidenciais”.
Pietá ainda comentou, calmamente, que a representante do cerimonial não era obrigada a conhecer os 513 deputados do Congresso, mas deveria, ao menos, saber identificar o seu broche de parlamentar utilizado na lapela. Mas não adiantou. Fundadora do PT, a deputada disse ter sentido dor e humilhação. “Como uma mulher afrodescendente, que ousa fazer um penteado afro, de tranças rasteiras, que não chega arrogante, pode ser deputada? Está mentindo, então!”, protesta Pietá.
A deputada procurou o responsável pelo cerimonial. “De longe, vi a funcionária me olhando com desprezo”, afirmou. Segundo o cerimonial, a funcionária, não identificada, era contratada por uma empresa terceirizada e seria demitida. Pietá intercedeu: “Não precisa ser demitida. Quero que ela aprenda a respeitar as pessoas e não discriminar ninguém”.
Leia, abaixo, o artigo que a deputada escreveu para o site de CartaCapital:
Invisibilidade secular
Chove em Brasília e na minha face correm lágrimas. Não há consolo para julgamento sumário. Saí com vida, porém a dor, a humilhação, a indignação cidadã me corroem a alma. Em pleno século XXI sinto o açoite da chibata. As diferenças que ferem a cidadania. O milenar olhar de superioridade e de indicação da porta da cozinha ou da senzala. Como uma mulher afrodescendente, que ousa fazer um penteado afro, de tranças rasteiras, que não chega arrogante, olhando de cima, ostentando brancura, ouro, e cercada de um séquito de assessores, é deputada federal!?.. Não pode ser deputada. Está mentindo! Não lhe permito o acesso e com olhar soberbo a humilho frente à platéia que espera a vez de passar pela revista para acessar o evento com a presença do presidente da República. Tenho poder de julgar, esnobar e colocá-la no seu devido lugar. Tenho o poder de poder oprimir deste lugar em que estou, vestida e investida de autoridade.
Cumpri todas as formalidades de quem acessa ao evento. Entrei na fila, esperei minha vez para buscar meu pin de acesso às cadeiras de deputados(as). A única regalia para nós deputadas é não passar pela
revista da bolsa e sabe-se como é uma bolsa de mulher... Aliás, hoje quando vou ao Banco também deixo minha bolsa nos armários que ficam do lado de fora. É sempre catastrófico, chaves, celulares, moedas, sombrinha... e a porta eletrônica a trancar e apitar. Eis a mulher que me olhou de cima e me ouviu dizer as palavras inacreditáveis, em tom baixo quase coloquial: “Sou deputada federal”. Ao que ela me interpelou severa: “A senhora, deputada!!!???... Eu nunca lhe vi nos eventos presidenciais!” Calmamente respondi: “A senhora não é obrigada a conhecer os 513 deputados e deputadas, mas como pessoa do cerimonial deveria olhar para minha lapela e reconhecer meu broche de deputada, cartão de visitas aqui e em qualquer ministério”. Ao que me respondeu com grande autoridade: “Sou do cerimonial da presidência”. Ao que respondi: “Vou procurar o responsável pelo cerimonial”. Fui, e ela de longe me olhava com desprezo. Depois descobri que era terceirizada, o que é secundário pelo que o feito revela.
Sei que hoje uma parlamentar que zela por ser séria tem que enfrentar desprezo e zombarias por causa dos que não se comportam com ética, e porque em regra tudo acaba em pizza (ou panetone). É doloroso, porém, esse sentimento generalizado contra os políticos, uma vez que boa parte dos que se elegem são pessoas sérias. Mas a secular discriminação racial e social contra aqueles que foram oprimidos e seus descendentes, ainda mais por quem tem a tarefa de recepcionar na República, é muito mais dolorosa. É intolerável. É de chorar, como chorei copiosamente depois.
A cerimônia, com a presença do presidente Lula, governador e prefeito do Rio, ministros da Justiça, Esporte, Turismo e da Casa Civil, era para apresentar mais um passo num novo paradigma de segurança pública, um avanço para a categoria policial militar, que através da Bolsa Copa e da Bolsa Olímpica trará capacitação e aumento do soldo dos profissionais de segurança e bombeiros envolvidos nas operações de
segurança nas sedes dos dois eventos esportivos. Certamente fará parte da capacitação dos agentes de segurança destacar a chaga da discriminação racial no Brasil e os caminhos para evitá-la.
Nós, negros e negras do Brasil, temos o direito à visibilidade e ao respeito em qualquer lugar. Chega de julgamentos sumários, negados quando se exerce o direito de defesa, mas reiterados pelo silencioso e frio olhar seguinte. Chega de ter que fazer sincretismos para sermos aceitos pela casa grande. Chega de invisibilidade forçada.
Acreditem, somos menos de 5% de deputados e deputadas federais negros. É hora de o Senado aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, que teve que ser muito atenuado para passar na Câmara. É hora de uma nova educação para aplicar o princípio constitucional de que todos somos iguais. É hora de não se conformar, de protestar em cada caso, num mutirão prático-educativo assumido por dezenas de milhões de negros e negras. Lembrar que assim como lugar de operário também é na presidência da República, nos ministérios, no Parlamento, o lugar do negro e da negra é em qualquer lugar de poder: na política, na
administração, no judiciário... A maioria da nação, negros e negras, quer a visibilidade a que tem direito. E, por suposto, quer respeito.
Janete Rocha Pietá
Mulher e militante negra, política fundadora do PT e atualmente deputada federal pelo PT-SP
Marcio Alexandre M. Gualberto
2 de fev. de 2010
"O direito a discutir o racismo é apenas do negro"
REVISTA RAÇA - Páginas Pretas
Entrevistada: Luislinda Valois
por Maurício Pestana
Aspectos históricos, sociais e raciais devem ser levados em conta pelo juiz quando o réu é negro? - Não. Acredito que a lei deve ser aplicada sem importar a raça, a situação social ou econômica. Agora o que observamos é que sempre o negro é condenado. Eu digo sempre que se não tiver a quem condenar, condena-se o negro, mesmo que ele ainda esteja na barriga da mãe.
Entrevistada: Luislinda Valois
por Maurício Pestana
"Parece que somos iguais , mas só somos iguais na constituição brasileira e nas constituições estaduais . Mas no dia -a-dia , nos cargos e nas oportunidades não somos iguais a ninguém, só somos iguais aos leigos, única e exclusivamente"
Aos 9 anos de idade, a então menina Luislinda Valois passou por uma situação muito difícil na escola. Um professor havia pedido aos alunos esquadros de plástico para a realização de um trabalho. O pai da menina só pôde comprar um de madeira. O professor, irritado, a mandou ir para "a casa da branca, que deixasse de estudar e que lá fizesse uma feijoada". A vergonha da ocasião foi um estímulo para que Luislinda estudasse ainda mais para quando estivesse formada, voltasse e prendesse o professor racista.
Era a sua primeira sentença!
Hoje, a juíza baiana Luislinda Valois já soma excelentes trabalhos prestados à população - principalmente a mais carente - e 25 anos de profissão, tempo mais que suficiente para ser desembargadora, mas... "No judiciário a porta não é nem fechada, ela é lacrada. Eu, por algum motivo tive condições de chegar, mas percebo que existe uma certa rejeição, não à minha pessoa, mas ao problema do negro", relata esta mulher de poder, autora do livro O negro no século XXI. E ela não para por aí...
Dá para afirmar que existe discriminação no meio judiciário? - Não somente no meio judiciário! Eu sinto discriminação a todo instante e em todos os meios, é que nem sempre a gente pode e tem a oportunidade de falar. Somente agora que eu estou tendo essa chance de levar ao conhecimento público as situações que o negro passa, principalmente aqui na Bahia onde a discriminação e o racismo são bem mais acentuados do que nos demais estados da federação.
Pelo tempo de profissão (25 anos) era para a senhora ser desembargadora. O negro tem mais dificuldades na promoção também na Justiça brasileira? - Não restam dúvidas, no judiciário a porta não é nem fechada, ela é lacrada. Eu, por algum motivo tive condições de chegar, mas percebo que existe uma certa rejeição, não à minha pessoa, mas ao problema do negro. Porque nós temos aqui 35 desembargadores e apenas 1 é negro. Todos sabem que existem outros magistrados não negros que chegaram à magistratura bem depo de mim e que já são desembargadores. Outros chegaram à capital no ano passado e já foram convocados para o Tribunal de Justiça da Bahia. E eu, sequer fui convocada, para substituir alguém. E tenho 25 anos de serviço!
Acredita que na Bahia é mais difícil para o negro entrar nessas áreas quase que blindadas na sociedade brasileira? - Com certeza, inclusive não somente no judiciário, no legislativo ou no executivo, mas nas empresas privadas também. Se você observar vai ver que no Polo de Camaçari existem muitas multinacionais, mas a maioria dos negros que trabalham lá estão em trabalhos minúsculos, inferiores, geralmente como comandados, como subalternos, jamais como altos executivos ou comandantes.
Pesquisas nos Estados Unidos revelam que a chance de um réu negro ser condenado é infinitamente maior do que um branco. Aqui no Brasil esses dados se assemelham? - Esses dados são mais graves, bem maiores, bem acentuados aqui no Brasil. Tive a oportunidade de ir em alguns presídios na Bahia e constatei: só existem jovens de 19 a 25 anos de idade e negros. É como se estivessem lá pedindo socorro e, mesmo que eles não tenham culpa formada, já estão ali condenados à morte de qualquer forma, porque estão condenados à morte realmente ou por falta de oportunidade. Mesmo que cumpram a pena, não vão ter a oportunidade de se reintegrarem à sociedade como desejamos.
Aspectos históricos, sociais e raciais devem ser levados em conta pelo juiz quando o réu é negro? - Não. Acredito que a lei deve ser aplicada sem importar a raça, a situação social ou econômica. Agora o que observamos é que sempre o negro é condenado. Eu digo sempre que se não tiver a quem condenar, condena-se o negro, mesmo que ele ainda esteja na barriga da mãe.
Como o Judiciário pode melhorar a atuação nos casos raciais? - Com um maior número de julgadores negros. Nós sabemos o que os nossos irmãos de raça sofrem, porém, isso não basta. É necessária uma maior divulgação do que o negro passa, porque se esconde muito o racismo existente e a discriminação. Isso precisa aflorar para que os magistrados conheçam a realidade do negro no Brasil. Parece que somos iguais, mas só somos iguais na constituição brasileira e nas constituições estaduais. Mas no dia-a-dia, nos cargos e nas oportunidades não somos iguais a ninguém, só somos iguais aos leigos, única e exclusivamente.
O que te motivou a entrar para a magistratura? - Aos 9 anos passei por uma situação muito difícil, que se fosse outra pessoa teria parado por ali e aceitado a proposta como de grande valia. Um professor pediu para fazer um trabalho escolar e precisava ser feito em esquadro de plástico. Meu pai comprou um de madeira e quando levei à escola, o professor disse que não foi aquele material que ele havia pedido. Então, respondi a ele: "Mas esse foi o material que o meu pai pôde comprar..." E ele me respondeu: "Se seu pai não pôde comprar o seu material de desenho, vá para a casa da branca, deixe de estudar e lá vá fazer uma feijoada..." Saí correndo da sala morta de vergonha, fiquei pelo pátio, depois voltei e disse ao professor: "Não vou fazer feijoada na casa da branca. Vou ser juíza e volto aqui para te prender..." A partir daquele dia coloquei na minha mente que aquilo não era nada de ruim para mim, era um estímulo para eu estudar mais, mais e mais. Na minha cabeça eu tinha que voltar para dizer a ele que eu era juíza e prendê-lo.
"Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira estavaa sentada uma advogada, loira por sinal . Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar . Aí ela respondeu: Não senhora, esta cadeira é do juiz. Eu disse: Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. e a juíza sou eu"
Há mais de duas décadas o racismo é crime inafiançável no Brasil, mas não tem ninguém preso por isso. A lei é muito dura ou a justiça é muito branda nos casos raciais? - Repito: faltam juizes negros para ver que o racismo realmente está arraigado nas pessoas! Quem não é negro não sentiu na pele, não passou pelo que nós passamos. Eu digo que para as pessoas saberem o que é ser negro no Brasil basta "ficar negro por 48 horas", se for possível. Claro que isso não é possível, então acredito sempre que as sentenças colocam o autor do crime de racismo numa situação mais branda, não como crime inafiançável. Daqui a pouco teremos essa oportunidade, até porque os negros estão levantando com sua competência e sua capacidade, dizendo: "Olha, nós estamos aqui, não se mede as pessoas pela raça, então deixem-nos em paz, queremos viver com nossos direitos assegurados, garantidos e reconhecidos". O direito a discutir o racismo é apenas do negro.
Certa vez fiz um cartum onde um advogado chega na corte e pergunta para uma mulher negra: "Onde está o juiz?". Já passou por situação semelhante? - Em determinado dia cheguei cedo, pois meu pai sempre me ensinou que horário existe para ser cumprido, então chego antes da audiência, do horário de expediente. Sentei na secretaria e comecei a ajudar o pessoal a juntar os documentos e os processos. Entrou uma advogada loira e disse: "O juiz vem hoje?". Sinalizei para uma das funcionárias não dizer nada. Aí a advogada disse que o juiz não chegava e começou a criticar... E eu esperando ali, quando deu o horário da audiência, coloquei a toga e aguardei, mandei fazer o pregão. Quando a advogada chegou e me viu - negra e de cabelo rastafari. E ela, tendo feito aquelas colocações que havia feito anteriormente, ficou perdida. Tive pena da moça e disse a ela: "Doutora, a senhora está um pouco nervosa e tensa. Esperava aqui um juiz e, se fosse uma juíza, não seria uma negra com o cabelo rastafari vermelho". Ela negou e eu marquei a audiência para o dia seguinte com a aprovação da parte contrária.
Aconteceram mais casos como este? - Vários! Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira - digo a minha cadeira, pois eu sou a juíza de lá no momento - estava sentada uma advogada, loira por sinal. Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar. Aí ela respondeu: "Não senhora, esta cadeira é do juiz". Eu disse: "Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. E a juíza sou eu". A advogada em questão ficou me olhando, duvidando que eu fosse a juíza e continuou sentada. Pediu um "minutinho" e eu disse que não tinha um, porque não existe diminutivo de minuto. Pedi, por favor, para ela se levantar, pois eu precisava trabalhar e era a juíza. Ela ainda ficou meio perdida, sem saber se levantava da cadeira ou não. Aí falei: "Se a senhora não se levantar vou chamar o oficial que está lá fora". Ela começou a olhar para o meu cabelo e esqueceu de se levantar. Me aproximei, encostei na cadeira e fiquei esperando. A advogada ficou com vergonha e após esse impacto todo, desnecessário, é que se levantou e eu sentei.
A maioria desses casos foi em seu ambiente de trabalho? - Um deles foi no avião. Eu de férias e disseram que o voo não sairia. Perguntei o motivo e me disseram que eu estava sentada no lugar de um militar. Eu disse que comprei a minha passagem com o meu dinheiro, que não foi uma doação. Pediram para que eu me identificasse, quando mostrei a carteira pediram desculpas, ofereceram refrigerante, café. Eu disse que nunca mais iria viajar por aquela empresa. São essas situações que passamos a todo instante como magistrada! Outra vez foi com o meu filho que é promotor de justiça do Estado de Sergipe. Compramos uma caminhonete e fomos abordados na estrada. Pensaram que éramos assaltantes porque estávamos com a caminhonete 0 km, ainda sem placa. Fomos parar no posto policial. Uma situação muito constrangedora: presumiram que dois negros dentro de uma caminhonete cabine dupla eram assaltantes. Tem outras situações, mas que eu até prefiro esquecer.
Fale um pouco sobre a justiça itinerante, um projeto inovador que serviu de exemplo para outras partes do país. - Esse projeto foi o seguinte: eu era coordenadora do juizado e cheguei em Brasília para participar de um encontro e percebi que poderia criar projetos para levar a justiça célere para as comunidades mais distantes das capitais. De pronto consegui uma verba, não o dinheiro em espécie. Assinei o primeiro projeto terrestre que denominamos de Justiça bairro a bairro. Depois, voltando a Brasília já existia uma verba para outro projeto que é o Balcão Justiça e Cidadania. Não perdi tempo, é bom aproveitar as oportunidades. Quando voltei à Bahia conversei com o então presidente do Tribunal e ele disse: "Faça o projeto e vamos aproveitar". Nós fizemos, o lançamento foi maravilhoso e o pessoal de Direito e Planejamento do Tribunal me ajudou muito. Nós implantamos para também desafogar um pouco a Justiça que está cheia de processos que não se resolvem, pois o número de juízes é pequeno e a demanda, depois da constituição de 1988, ficou muito grande. Por meio dos balcões de Justiça e Cidadania se leva todo o tipo de serviço para o cidadão: carteira de identidade, exame médico... Até tirar fotografia eu consegui, ensinar como se alimentar, se vestir. Não se vestir no sentido amplo, mas sem gastar muito, com elegância, corte de cabelo. E também técnicas de mediação de conflitos e a solução desses conflitos.
Este projeto também foi levado para o interior? - .Implantei aqui na Bahia e, depois que passei a ser coordenadora deste Balcão de Justiça e Cidadania, levei para o interior, principalmente no baixo sul, com a colaboração do Dr. Norberto Odebrecht, que foi um grande amigo de meu pai. Ele disse que me ajudaria neste sentido e quando cheguei lá descobri umas comunidades quilombolas. Para mim foi fantástico e ainda criei dentro destes balcões de Justiça e Cidadania o Balcão Itinerante no baixo sul, onde nos deslocávamos através de canoas e barcos para chegar nas comunidades quilombolas, porque como você deve saber são comunidades bem distantes, longe de tudo e de todos. Criei este projeto, instalei e hoje ele está em diversos lugares. Graças a Deus tem tanto êxito que está sendo copiado.
O que precisamos fazer para mudar, diminuir e enfrentar a discriminação? - Sem dúvida o Brasil tem tido um prejuízo muito grande perdendo verdadeiros gênios só porque são negros. Eles não são bem acolhidos aqui, vão embora e quando chegam lá fora eles fluem e não retornam. O prejuízo é sempre nosso, não é do físico do Brasil, mas enquanto população! Nós precisamos conscientizar de que todos somos iguais, todos nós pagamos impostos e que nós temos nossos direitos
Certa vez fiz um cartum onde um advogado chega na corte e pergunta para uma mulher negra: "Onde está o juiz?". Já passou por situação semelhante? - Em determinado dia cheguei cedo, pois meu pai sempre me ensinou que horário existe para ser cumprido, então chego antes da audiência, do horário de expediente. Sentei na secretaria e comecei a ajudar o pessoal a juntar os documentos e os processos. Entrou uma advogada loira e disse: "O juiz vem hoje?". Sinalizei para uma das funcionárias não dizer nada. Aí a advogada disse que o juiz não chegava e começou a criticar... E eu esperando ali, quando deu o horário da audiência, coloquei a toga e aguardei, mandei fazer o pregão. Quando a advogada chegou e me viu - negra e de cabelo rastafari. E ela, tendo feito aquelas colocações que havia feito anteriormente, ficou perdida. Tive pena da moça e disse a ela: "Doutora, a senhora está um pouco nervosa e tensa. Esperava aqui um juiz e, se fosse uma juíza, não seria uma negra com o cabelo rastafari vermelho". Ela negou e eu marquei a audiência para o dia seguinte com a aprovação da parte contrária.
Aconteceram mais casos como este? - Vários! Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira - digo a minha cadeira, pois eu sou a juíza de lá no momento - estava sentada uma advogada, loira por sinal. Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar. Aí ela respondeu: "Não senhora, esta cadeira é do juiz". Eu disse: "Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. E a juíza sou eu". A advogada em questão ficou me olhando, duvidando que eu fosse a juíza e continuou sentada. Pediu um "minutinho" e eu disse que não tinha um, porque não existe diminutivo de minuto. Pedi, por favor, para ela se levantar, pois eu precisava trabalhar e era a juíza. Ela ainda ficou meio perdida, sem saber se levantava da cadeira ou não. Aí falei: "Se a senhora não se levantar vou chamar o oficial que está lá fora". Ela começou a olhar para o meu cabelo e esqueceu de se levantar. Me aproximei, encostei na cadeira e fiquei esperando. A advogada ficou com vergonha e após esse impacto todo, desnecessário, é que se levantou e eu sentei.
A maioria desses casos foi em seu ambiente de trabalho? - Um deles foi no avião. Eu de férias e disseram que o voo não sairia. Perguntei o motivo e me disseram que eu estava sentada no lugar de um militar. Eu disse que comprei a minha passagem com o meu dinheiro, que não foi uma doação. Pediram para que eu me identificasse, quando mostrei a carteira pediram desculpas, ofereceram refrigerante, café. Eu disse que nunca mais iria viajar por aquela empresa. São essas situações que passamos a todo instante como magistrada! Outra vez foi com o meu filho que é promotor de justiça do Estado de Sergipe. Compramos uma caminhonete e fomos abordados na estrada. Pensaram que éramos assaltantes porque estávamos com a caminhonete 0 km, ainda sem placa. Fomos parar no posto policial. Uma situação muito constrangedora: presumiram que dois negros dentro de uma caminhonete cabine dupla eram assaltantes. Tem outras situações, mas que eu até prefiro esquecer.
Fale um pouco sobre a justiça itinerante, um projeto inovador que serviu de exemplo para outras partes do país. - Esse projeto foi o seguinte: eu era coordenadora do juizado e cheguei em Brasília para participar de um encontro e percebi que poderia criar projetos para levar a justiça célere para as comunidades mais distantes das capitais. De pronto consegui uma verba, não o dinheiro em espécie. Assinei o primeiro projeto terrestre que denominamos de Justiça bairro a bairro. Depois, voltando a Brasília já existia uma verba para outro projeto que é o Balcão Justiça e Cidadania. Não perdi tempo, é bom aproveitar as oportunidades. Quando voltei à Bahia conversei com o então presidente do Tribunal e ele disse: "Faça o projeto e vamos aproveitar". Nós fizemos, o lançamento foi maravilhoso e o pessoal de Direito e Planejamento do Tribunal me ajudou muito. Nós implantamos para também desafogar um pouco a Justiça que está cheia de processos que não se resolvem, pois o número de juízes é pequeno e a demanda, depois da constituição de 1988, ficou muito grande. Por meio dos balcões de Justiça e Cidadania se leva todo o tipo de serviço para o cidadão: carteira de identidade, exame médico... Até tirar fotografia eu consegui, ensinar como se alimentar, se vestir. Não se vestir no sentido amplo, mas sem gastar muito, com elegância, corte de cabelo. E também técnicas de mediação de conflitos e a solução desses conflitos.
Este projeto também foi levado para o interior? - .Implantei aqui na Bahia e, depois que passei a ser coordenadora deste Balcão de Justiça e Cidadania, levei para o interior, principalmente no baixo sul, com a colaboração do Dr. Norberto Odebrecht, que foi um grande amigo de meu pai. Ele disse que me ajudaria neste sentido e quando cheguei lá descobri umas comunidades quilombolas. Para mim foi fantástico e ainda criei dentro destes balcões de Justiça e Cidadania o Balcão Itinerante no baixo sul, onde nos deslocávamos através de canoas e barcos para chegar nas comunidades quilombolas, porque como você deve saber são comunidades bem distantes, longe de tudo e de todos. Criei este projeto, instalei e hoje ele está em diversos lugares. Graças a Deus tem tanto êxito que está sendo copiado.
O que precisamos fazer para mudar, diminuir e enfrentar a discriminação? - Sem dúvida o Brasil tem tido um prejuízo muito grande perdendo verdadeiros gênios só porque são negros. Eles não são bem acolhidos aqui, vão embora e quando chegam lá fora eles fluem e não retornam. O prejuízo é sempre nosso, não é do físico do Brasil, mas enquanto população! Nós precisamos conscientizar de que todos somos iguais, todos nós pagamos impostos e que nós temos nossos direitos
Fonte: http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/138/imprime157507.asp
1 de fev. de 2010
30 de jan. de 2010
18 de jan. de 2010
Apoio à candidatura de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz
O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental – IARA – lançou no Brasil a indicação de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz (www.adami.adv. br e www.iara.org. br).
A indicação de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz de 2010 foi formalizada em Oslo pelo cientista político Clóvis Brigagão, fellow do Instituto Nobel e ex-presidente da Associação Internacional de Pesquisa da Paz.
A atual conjuntura internacional favorece a candidatura brasileira e o nome de Abdias Nascimento tem peso singular na área dos direitos humanos e da diversidade.
A candidatura precisa receber endossos de pessoas e instituições qualificadas (detalhes da qualificação abaixo). O endosso consiste de uma carta assinada e enviada por correio com cópia para o Ipeafro.
15 de jan. de 2010
Cônsul haitiano afirma que "o africano em si tem maldição"
No meio de uma tragédia de tamanho desproporcional ao país, pois já tem mais de 45 mil pessoas mortas, o seu Cônsul no Brasil, afirma que os lugares onte tem africano, nada pode dar certo. Ora, isto reflete sentimentos e visões sempre preconceituosas em relação à todos e todas nós. E ele se refere estritamente à religião. Imagine.
Para ver um vídeo que retrata fielmente o que ele falou, clique aqui.
Para ver um vídeo que retrata fielmente o que ele falou, clique aqui.
14 de jan. de 2010
Farça desfarçada [quem tem R$ pra pagar?]
Cerca de 88% dos municípios brasileiros já conta com infraestrutura para banda larga
Da RedaçãoMais de 2.500 municípios, o que corresponde a 88% do total no território brasileiro já têm infraestrutura para banda larga, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Anatel recebeu na terça-feira representantes do Ministério das Comunicações e do Planejamento, da Educação, além de membros da Casa Civil e das concessionárias de telefonia fixa para reunião sobre cumprimento das metas relacionadas à infraestrutura nos municípios e banda larga em escolas públicas.
Continua...
Da RedaçãoMais de 2.500 municípios, o que corresponde a 88% do total no território brasileiro já têm infraestrutura para banda larga, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Anatel recebeu na terça-feira representantes do Ministério das Comunicações e do Planejamento, da Educação, além de membros da Casa Civil e das concessionárias de telefonia fixa para reunião sobre cumprimento das metas relacionadas à infraestrutura nos municípios e banda larga em escolas públicas.
Continua...
7 de jan. de 2010
Retrospectiva da Exclusão Digital x Inclusão Digital

De acordo com os dados da PNAD 2008, é alto o número de brasileiros/as que não acessam a internet: 104,7 milhões! De acordo com a pesquisa, 33% não acham necessário; 32% não sabe como utilizá-la; 30% não tinham acesso a um computador. Em relação à distribuição territorial da exclusão digital, os estados de Alagoas [48%], Rondônia [43%] e Acre [47%]. Com a popularização do computador pessoal, os preços estão baixando, mas ainda assim não consegue ser vetor de aumento da inclusão digital. Sem perder de vista, que a posse ou uso do computador não necessariamente representa estar incluído digitalmente.
Fontes compiladas para esta matéria: http://www.fatimanews.com.br/canais/noticias/?id=94085
População Negra no Brasil já é 50,3%
Em um ano, a população brasileira ganhou 3,2 milhões de pessoas autodeclaradas pardas, enquanto viu desaparecer 450 mil brancos e 1 milhão de pretos. É o que indicam os dados deste ano da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Além do crescimento em números absolutos, os pardos aumentaram a sua participação na base populacional em termos percentuais.
Em 2007, a população residente no país era composta por 48,4% de pessoas brancas, 43,8% de pardas, 6,8% de pretas e 0,9% de amarelas e indígenas. Um ano depois, houve uma elevação de 1,3 ponto percentual na proporção de brasileiros declarados pardos e uma redução das populações pretas (0,7 ponto percentual) e brancas (0,8 ponto percentual).
As razões do "empardecimento" da população
Para especialistas, este fenômeno não deve ser atribuído apenas à variação da taxa de nascimentos e óbitos. Como a pesquisa é baseada na autodeclaração dos entrevistados e a noção de raça é uma construção social, esta variação pode ter raízes em questões subjetivas, ligadas ao sentimento de pertencer a uma determinada etnia, ao preconceito ou mesmo uma reação ao debate sobre políticas afirmativas no Brasil.
Continua...
Obs.: População Negra aqui no Blog é considerada a somatória dos dados das pessoas que se autodeclaram pardas e pretas, respectivamente 43,8% e 6,5%
Título original: Brasil perde brancos e pretos e ganha 3,2 milhões de pardos
Rodrigo Martins, Do UOL Notícias, Em São Paulo
5 de jan. de 2010
Retrospectiva do Racismo Virtual em 2009
Em 2009 tivemos um número de acontecimentos importantes para entendermos como precisamos concentrar esforços para organizar melhor o mundo virtual e fazer o enfrentamento a toda forma de intolerência, desrespeito, preconceito e racismos.
[CASO 1] A partir da retrospectiva de Atheniense (2009), podemos perceber que em relação ao racismo na Internet, tivemos a seguinte situação, que significou uma vitória contra o racismo:
"Em 2009 houve a primeira decisão da justiça brasileira que condenou um réu acusado da prática de crimes de racismo na rede mundial de computadores. A Justiça entendeu que o estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 23 anos, morador de Brasília, praticou o crime de racismo e preconceito contra a raça negra, ao fazer críticas ao sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília (UNB). O estudante escreveu em várias mensagens que divulgou pelo Orkut que \\\"os negros são burros, macacos subdesenvolvidos, fracassados, incapazes, ladrões, vagabundos, malandros, sujos e pobres.\\\" A sentença destaca que Marcelo agiu com dolo intenso, porque nas mensagens que divulgou, reiterou as expressões ofensivas a raça negra. Os desembargadores Roberval Casemiro, Silviano Barbosa e Sergio Rocha (TJDFT) foram unânimes no voto de condenação ao estudante."
[CASO 2] Enfrentado racismos que têm rebatimentos no mundo virtual:
Noticiamos repetidas vezes os casos da ausência de negros e negras no Fashion Week. Pois é. Em 2009 a organização teve que cumprir uma decisão judicial. Paulo Sampaio, muito bem nos brinda com uma reportagem que relata o feito:
"Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo em evento de moda na cidade. As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW."
[CASO 3] DISNEY LANÇA PRIMEIRA PRINCESA NEGRA
A Disney vai trazer às telas a primeira princesa negra de suas produções. O nome da personagem é Tiana e ela será conhecida de todos em dezembro, na animação ‘A Princesa e o Sapo’.
Reparando o que aconteceu até hoje, percebemos que a inocente EMPRESA ESTADUNIDENSE DISNEY, produziu a princesa ruiva [Ariel], a “castanha” [Bela], a loira [Cinderela] e a de cabelo preto [Branca de Neve] e a Bela Adormecida e Jasmini. Cadê a negra?
Estaremos nos empenhando cada vez mais para que casos como estes não fiquem impunes, pois a tecnologia da informação e comunicação é vista como uma das peças chaves para o desenvolvimento do país, mas de nada adiantará isto acontecer, com práticas racistas permitidas. Feliz 2010 e vamos em frente.
Agnaldo Neiva.
Leia o artigo de Atheniense, acesse: Retrospectiva do Direito na Tecnologia da Informação em 2009
Leia a reportagem de Sampaio, acesse: Promotora quer cota para negros em desfiles
Leia postagem sobre a Primeira Princesa Negra, aqui mesmo: Disney Lança primeira princesa negra
Imagem: http://i2.r7.com/
"Em 2009 houve a primeira decisão da justiça brasileira que condenou um réu acusado da prática de crimes de racismo na rede mundial de computadores. A Justiça entendeu que o estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 23 anos, morador de Brasília, praticou o crime de racismo e preconceito contra a raça negra, ao fazer críticas ao sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília (UNB). O estudante escreveu em várias mensagens que divulgou pelo Orkut que \\\"os negros são burros, macacos subdesenvolvidos, fracassados, incapazes, ladrões, vagabundos, malandros, sujos e pobres.\\\" A sentença destaca que Marcelo agiu com dolo intenso, porque nas mensagens que divulgou, reiterou as expressões ofensivas a raça negra. Os desembargadores Roberval Casemiro, Silviano Barbosa e Sergio Rocha (TJDFT) foram unânimes no voto de condenação ao estudante."
[CASO 2] Enfrentado racismos que têm rebatimentos no mundo virtual:
Noticiamos repetidas vezes os casos da ausência de negros e negras no Fashion Week. Pois é. Em 2009 a organização teve que cumprir uma decisão judicial. Paulo Sampaio, muito bem nos brinda com uma reportagem que relata o feito:
"Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo em evento de moda na cidade. As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW."
[CASO 3] DISNEY LANÇA PRIMEIRA PRINCESA NEGRA
A Disney vai trazer às telas a primeira princesa negra de suas produções. O nome da personagem é Tiana e ela será conhecida de todos em dezembro, na animação ‘A Princesa e o Sapo’.
Reparando o que aconteceu até hoje, percebemos que a inocente EMPRESA ESTADUNIDENSE DISNEY, produziu a princesa ruiva [Ariel], a “castanha” [Bela], a loira [Cinderela] e a de cabelo preto [Branca de Neve] e a Bela Adormecida e Jasmini. Cadê a negra?
Estaremos nos empenhando cada vez mais para que casos como estes não fiquem impunes, pois a tecnologia da informação e comunicação é vista como uma das peças chaves para o desenvolvimento do país, mas de nada adiantará isto acontecer, com práticas racistas permitidas. Feliz 2010 e vamos em frente.
Agnaldo Neiva.
Leia o artigo de Atheniense, acesse: Retrospectiva do Direito na Tecnologia da Informação em 2009
Leia a reportagem de Sampaio, acesse: Promotora quer cota para negros em desfiles
Leia postagem sobre a Primeira Princesa Negra, aqui mesmo: Disney Lança primeira princesa negra
Imagem: http://i2.r7.com/
Interfaçe que dá certo? TIC e Educação?
A tecnologia de informação e comunicação (TIC) pode desempenhar um papel importante de apoio na melhoria da qualidade da educação e na reforma educacional. Assim, o Projeto Padrões de Competência para Professores produziu as três brochuras acima com o objetivo de fornecer diretrizes sobre como melhorar as capacidades dos professores nas práticas de ensino por meio de TICs.
Fonte: UNESCO
Fonte: UNESCO
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Tecnologia da Informação e Comunicação
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