7 de fev. de 2011

É mais que um jogo, é a sua vida! - Dia da Internet Segura 2011 no Brasil



Matéria de Claudia Cardozo

Em 2011, o Dia Mundial da Internet Segura será no dia 08 de fevereiro. 65 países do mu ndo estão mobilizados para participar do Dia promovendo campanhas de promoção do uso responsável e seguro da Internet. O tema deste ano é: “Estar online é mais que um jogo, é a sua vida”. A campanha reforça a ideia de que nossa vida online também é real e não apenas virtual. “Quando estamos online precisamos ser tão educados quanto em outros espaços de relacionamento e respeitar todos os direitos e deveres como cidadãos. A Internet não é um mundo paralelo, uma terra sem lei. É mais um espaço real de nossa vida”, lembra Rodrigo Nejm, psicólogo e Diretor de Prevenção da SaferNet Brasil.

O Dia da Internet Segura (“Safer Internet Day”) é uma iniciativa anual da INSAFE, rede de organizações dedicadas à promoção do uso seguro da Internet nos países da Comunidade Europeia. O objetivo geral da rede e da data é fortalecer campanhas sobre o uso ético e responsável da internet e outras tecnologias, por meio da difusão de informações, recursos pedagógicos e guias de boas práticas. No Brasil, a organização do evento está sob a responsabilidade da SaferNet Brasil , da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, os quais vêm buscando mobilizar instituições interessadas em participar das campanhas com atividades de prevenção, divulgação, debates e seminários sobre o uso consciente da Internet.

A proposta do evento é ser multi-institucional, acreditando na responsabilidade compartilhada entre governos, educadores, pais, ONGs, veículos de mídia e empresas para garantir a proteção dos direitos dos cidadãos no que se refere ao uso das novas tecnologias. Os organizadores acreditam que a parceria entre esses atores é fundamental para estimular o uso positivo dessas novas tecnologias, bem como reduzir os riscos decorrentes de comportamentos perigosos ou abusivos. No Brasil, mais de 20 organizações, entre elas instituições públicas, organizações não governamentais e escolas já estão preparando atividades para marcar a data.



AGENDA

08 Fevereiro

Revista Viração e SaferNet: Grupo de jovens mediará debate sobre o tema “É mais que um jogo, é a sua vida”, com a presença de convidados do CDI LAN, Instituto Paramitas, Polícia Federal, blogueiros, pais e jovens. O debate ocorrerá em São Paulo-SP e será transmitido ao vivo pela internet, via Twitcam, a partir das 14h30min www.diadainternetsegura.org.br

Childhood Brasil e SaferNet: Lançamento do Concurso Nacional para educadores e estudantes sobre uso ético e responsável da Internet. Serão premiados as melhores criações de dicas e sugestões de atividades que tratem dos temas cidadania, sexualidade, direitos humanos e segurança na Internet. Para o concurso será lançado um Hotsite com as regras e formulários de inscrição;

Safernet Brasil: Nova cartilha SaferDic@s em quadrinhos será disponibilizada como Recurso Educacional Aberto no site de Prevenção da SaferNet com quadrinhos e 2 dois vídeos com animações da cartilha;

GlobalConn: Mobilização na Praça da Assembleia, em Belo Horizonte, das 10 às 16hs


09 Fevereiro

SID-BR: Vídeo-debate sobre uso ético da Internet no Instituto Crescer

Floresta Digital/Acre: Palestras e oficinas diárias sobre uso seguro e responsável da Internet até dia 11/02 nos telecentros em Rio Branco e mais 10 municípios do Estado;

Digital Max: Palestras para pais e exposição de vídeos em Santos/SP e Niterói/RJ;


13 Fevereiro

GlobalConn: Mobilização e orientação na Praça da Assembleia, em Belo Horizonte,as 9 às 13hs

AGENDA COMPLETA EM: http://www.diadainternetsegura.org.br/
Fonte: Nética

Quatro entre dez educadores desconhecem canais de denúncia de crimes na internet

Cerca de 40% dos educadores não sabem como nem onde denunciar crimes cometidos na internet, aponta uma pesquisa inédita divulgada pela Safernet para marcar o Dia da Internet Segura, que será realizado nesta terça (8). Foram entrevistadas 966 pessoas que trabalham nas redes pública e particular em quatro estados do país.

Apenas 15% dos entrevistados sabiam da existência do site denuncie.org.br, mantido pela Safernet, e outros 12% disseram que procurariam uma delegacia para denunciar crimes cometidos na internet.

A pesquisa apontou ainda que metade dos educadores considera que as atuais medidas de proteção de crianças disponíveis na internet são insuficientes. Quase 70% deles igualam o perigo dos riscos online ao existente em outros espaços públicos frequentados pelos seus alunos.

Além disso, os educadores reconhecem que é urgente trabalhar questões ligadas ao uso ético da internet (55%), embora não tenham subsídios para realizar essa discussão em sala de aula. Isso porque a pesquisa mostra que quase 30% dos entrevistados informaram não ter nenhum recurso para tratar do tema com os alunos.

“Há uma carência de materiais para que educadores abordem o uso seguro da internet em sala de aula”, reforça Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da Safernet. A maioria dos entrevistados (79%) disse ainda que gostaria que existisse um canal online para tirar dúvidas sobre o tema.

A organização não-governamental concluiu que o uso ético das tecnologias precisa ser incorporado aos currículos escolares. A prática deve ocorrer de forma simultânea à inclusão digital dos alunos, educadores e pais. “É importante que o jovem entenda que a internet não é uma terra sem lei”, alerta Nejm.


Dia da Internet Segura

Organizações de 65 países vão comemorar o Dia Mundial da Internet Segura nesta terça (8), que tem como objetivo mobilizar internautas – principalmente crianças e adolescentes – para o uso consciente da rede. O tema deste ano, "Estar online é mais que um jogo. É sua vida", chama a atenção para a responsabilidade ética dentro do mundo virtual.

Matéria de: ANA IKEDA
Do UOL TecnologiaFonte: UOL Tecnologia

4 de fev. de 2011

Convergência x propriedade cruzada: a quem interessa a confusão?

Além do Estadão, quem estaria interessado em confundir "convergência de mídias" com propriedade cruzada? Uuem estaria interessado em colocar na agenda pública a precária hipótese aventada por um conselheiro da Anatel, como se aquela opinião pudesse constituir uma decisão de governo em matéria que, de fato, é constitucional?

Linque para o artigo: Convergência X Propriedade Cruzada

Vale a pena ler o artigo e Venício Lima. Muito bem construído e nos faz refletir que estes oligopólios, monopólios e famigerados usurpadores da informação ainda se manterão desta forma durante muito tempo. Temos que ir para a ANATEL, para o Ministério das Comunicações, para as Agências reguladoras, para o Parlamento, pois assim, podemos ver o que acontece de fato.

3 de fev. de 2011

Sobre o Caso Mayara Petruso

Será que temos novidades em relação ao caso Petruso? Aqui, longe, não dá pra saber direito. Mas, vamos ao texto mais atual:

"Na Justiça, o Ministério Público Federal em São Paulo também decretou na semana passada o sigilo de Justiça da investigação contra jovem, a pedido do advogado da acusada, Osvaldo Zago. A procuradora da República Melissa Garcia Blagitz Abreu e Silva entendeu que o assédio da imprensa atrapalha a apuração do caso e a segurança de Mayara Petruso.

Parte interessa no caso, a OAB de Pernambuco disse que desconhecia o segredo da investigação e, um mês depois do acontecido, ainda espera retorno do MPF para saber se queixa-crime será aceita pelo órgão. A entidade diz que aguardará a manifestação da procuradora sobre se abrirá ou não processo criminal contra a jovem antes de se pronunciar. O Ministério Público Federal informa, contudo, que ainda não há processo formal aberto contra Mayara Petruso na Justiça."

Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

Com a imensa repercussão negativa do episódio de racismo no Twitter, há usuários que apagaram de seus perfis na internet mensagens que atacam os nordestinos. Há casos até de vários perfis que foram retirados da web.

É possível constatar isso com uma rápida olhada nos perfis listados na página Xenofonia não! O canal traz a reprodução de uma série de tweets com conteúdo pejorativo em relação aos nordestinos. Ao clicar em muitos deles, nota-se que vários perfis que continham mensagens racistas não existem mais.

Efeito judicial - Se a intenção for ficar livre de possíveis processos, como o que sofrerá uma usuária de São Paulo, alvo de notícia-crime feita pela OAB-PE, o efeito pode ser nulo.

Isso porque, se houver alguma prova do crime – um print screen da tela com a mensagem, entre outras provas, desde que com a veracidade provada pela perícia -, o internauta é passível de processo do mesmo modo, afirma o advogado Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum Advogados e professor de Direito Eletrônico no Mackenzie e da Escola Paulista de Direito.

“Se houver a materialidade do ato criminoso, ele pode ser processado mesmo que tenha retirado da internet de seu perfil de rede social”, afirma Vainzof.

O que acontece se a pessoa pedir desculpas? - Uma das dúvidas que surgiram no caso das ofensas aos nordestinos no Twitter diz respeito à possibilidade de retratação: a pessoa que tiver feito um comentário ofensivo pode ficar livre de processo se pedir desculpas publicamente?

“Se for uma acusação de calúnia ou difamação, é possível haver exclusão da pena, não da indenização por danos morais. Mas se o crime for enquadrado como racismo não cabe retratação. O episódio envolvendo mensagens contra os nordestinos no Twitter, por exemplo, pode ser tipificado como racismo”, afirma.

“É importante dizer que essas penalidades sobre as quais estamos falando servem não só para os casos de racismo na rede contra nordestinos, mas também aos ferem outros grupos, como judeus, negros etc”, reforça Vainzof.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/blog/navedigital/2010/11/04/apagar-comentario-racista-nao-livra-internauta-de-processo-diz-advogado/

Mulheres e homens negros são sujeitos de conhecimento, sim!




Com esta máxima, Ana Flávia Pinto, Eliane Cavalleiro e Tatiane Rodrigues abrem o terceiro nº da Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as trazendo temas pertinentes às lutas contemporâneas das comunidades negras sem abandonar as lutas passadas e fundamentais para compreendermos a construção da sociedade brasileira. Temas da literatura, das questões quilombolas, o uso do conceito de racismo institucional e o feminismo negro são brilhantemente apresentados e construídos por pesquisadores a quem muito temos que nos orgulhar.

Em sua apresentação, as referidas pesquisadora nos diz que em relação ao "respeito ao público e à recepção deste periódico científico, os números são animadores. Já são quase 8 mil visitas à Revista, com acessos vindos das Américas, da África e da Europa. Cada texto teve uma média de 300 acessos realizados por leitores(as) brasileiros(as) e de países como Estados Unidos, Portugal, França, México, Colômbia, Uruguai, Argentina, Moçambique, Senegal, Canadá, Espanha, entre outros."

Agora, é só acessar: http://www.abpn.org.br/Revista/index.php/edicoes

Série afro brasileira para WEB TV seleciona atores no dia 11 de fevereiro

(Já é!) é uma expressão carioca, que quer dizer; Feito, concordo, aceito. A expressão se tornou titulo do roteiro do seriado de TV, pela originalidade da idéia de se fazer uma série onde podemos acreditar que todos podem realizar seus sonhos.


OBJETIVO DO PROJETO: Incentivar e dar visibilidade aos artistas afro-brasileiros.

PÚBLICO BENEFICIÁRIO DO PROJETO: Já é! – Seriado de TV que tem como o público beneficiário a população afro-brasileira. A Série pretende enfocar o dia-a-dia, os sonhos, anseios, angústias e lutas dos jovens artistas e empreendedores da raça negra no Brasil de hoje.

A população negra – soma das pessoas que se auto declaram pretas e pardas segundo o IBGE – já é a mais numerosa do Brasil, diz estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com maioria absoluta de negros. A base do estudo é dada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Segundo o IPEA, órgão do governo federal, os negros têm se reconhecido mais como tal.

Essa situação aponta para mudanças de políticas universais com crescimento econômico, não só de transferência de renda. Precisamos de políticas corporativas e de ação afirmativa, como único meio de reduzir as desigualdades raciais no Brasil.

O projeto propõe ajustar-se a uma realidade orçamentária de médio porte, adequado o seu formato e às necessidades para sua viabilização. Com previsão inicial de ser um seriado de TV-WEB, (Já é!), Também objetiva se tornar um seriado para a televisão aberta.

A série será veiculada gratuitamente pela internet para um público estimado em milhões de internautas, no Brasil e em todo o mundo.

Adaptação a partir da seguinte Fonte: http://africas.com.br/site/index.php/archives/7657
Outras fontes: http://www.dumproducao.com.br/

1 de fev. de 2011

São Paulo Fashion Week cumpre acordo e abre espaço a modelos afrodescendentes

São Paulo – Prestes a completar 15 anos, a São Paulo Fashion Week (SPFW) aceitou cumprir um termo de ajuste de conduta (TAC) assinado junto ao Ministério Público do estado. Pelo acordo, a organização do evento, um dos mais importantes desfiles de moda do mundo, garante que 10% dos modelos que se apresentassem no evento sejam negros ou negras. Para a ONG Educação e Cidadania de Afro-descendentes e carentes (Educafro), a medida é louvável, mas insuficiente.


No SPFW, ao menos 10% dos modelos devem
ser negros, afrodescendentes ou indígenas,
determinou o Ministério Público
(Foto: Agência Fotosite/Divulgação SPFW)
 Em carta, o diretor-executivo da entidade, Frei Davi Santos, agradeceu aos organizadores das edições de 2009 e 2010 pelo cumprimento do TAC que determinava um número mínimo de modelos afrodescendentes. Ele, porém, acredita ser ainda muito inexpressiva a inclusão "tendo em vista a quantidade de modelos afrodescendentes disponíveis para o mercado", explica o texto contido na carta.

A proposta do ativista dobrar a proporção de modelos afrodescendentes. "Se o IBGE revelou que a porcentagem atual da população negra no Brasil é de 51,3%, porque a SPFW não dá mais um salto e assume o compromisso nesta edição de 2011 de ampliar para 20% o índice de negros/as? Mas não é o bastante: queremos também a garantia de igualdade de cachê entre os/as modelos afrodescendentes, indígenas e brancos/as", escreve a carta.

A Educacafro também interpretou a ação como uma forma de conscientização da população sobre a necessidade de combater todos os tipos de discriminação. “É preciso exterminar qualquer situação de discriminação contra a comunidade negra e demais carente”, conclui a nota.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/01/sao-paulo-fashion-week-cumpre-acordo-e-abre-espaco-a-modelos-afrodescendentes

Meios de comunicação do país ainda não incorporaram negros

"Por isso, um veículo de massa traz poder às pessoas que o possuem ou que fazem parte de sua programação e “atualmente, não há interesse que a população negra alcance esse poder e tenha voz para fomentar seus avanços sociais”
Osmar Gaspar


A baixa participação da população negra nas programações e propagandas veiculadas nos grandes meios de comunicação de massa no Brasil pode significar menores oportunidades de trabalho e alimentar um preconceito racial velado no país, aponta estudo realizado na Faculdade de Direito (FD) da USP. Para o pesquisador Osmar Teixeira Gaspar, responsável pelo trabalho, “ter visibilidade acarreta algumas possibilidades ao longo da vida e a falta dela também pode criar um ideário popular de que determinadas funções devem ser ocupadas por determinados esteriótipos”.

Segundo o pesquisador todo material publicitário atualmente ainda é feito com um recorte racial, assim como algumas telenovelas. “Você raramente vê algum médico ou cientista negro nas telenovelas, isso faz um garoto negro pensar que, devido à sua cor, jamais poderá participar daquele universo branco e exercer aquelas funções. Esta censura midiática desperdiça e marginaliza talentos”, afirma Gaspar. “Isso não incentiva negros a almejar determinadas profissões.”

Com isso, o estudo de mestrado desenvolvido por Gaspar busca traçar como o conteúdo dos veículos de comunicação de massa e seus personagens fatalmente refletem no mercado de trabalho, por meio da análise das telenovelas das emissoras Globo, SBT e Record, no período de 2005 a 2010, e de revistas impressas. “Nas peças publicitárias ou nos comerciais de televisão, os elementos negros ou estão no fundo da cena ou não tem voz”, relata o pesquisador.

O estudo examinou algumas revistas impressas brasileiras – como Elle, Sou+Eu, Manequim, Claudia, Vogue Brasil, TPM entre outras – e apontou que as mulheres brancas aparecem nessas publicações 94,08% das vezes contra apenas 6,081% das mulheres negras. De acordo com o pesquisador, isso é um dos exemplos de como a ausência ou a discriminação da população negra nos veículos de massa refletem nas oportunidades profissionais. “As agências publicitárias pouco fazem uso de modelos afrodescendentes, o que não é justificável, pois as classes C e D do Brasil, onde se encontram a maioria da população negra, são um grande mercado consumidor”, infere Gaspar.

Representatividade - Após anos de escravidão e influências europeias sob território tupiniquim, a ausência das populações negras nos palcos decisórios, de debate e de poder na sociedade brasileira se tornou algo natural, defende o pesquisador. “Parte dos próprios negros se acostumaram com sua ausência e naturalizaram a ideia”, afirma.

Segundo o pesquisador, um veículo de comunicação de massa participa das decisões e dos processos de construção de uma sociedade. Por isso, um veículo de massa traz poder às pessoas que o possuem ou que fazem parte de sua programação e “atualmente, não há interesse que a população negra alcance esse poder e tenha voz para fomentar seus avanços sociais”.

Por fim, Gaspar ressalta que deve-se apenas defender a Constituição Federal. “Nossa Constituição não hierarquiza e tampouco admite qualquer tipo de censura aos brasileiros em razão de seu fenótipo. Ao contrário, ela lhes assegura o direito de gozarem das mesmas oportunidades, representatividade e visibilidade”, diz.

Contudo, segundo o pesquisador, é necessário que o Estado brasileiro implemente políticas públicas que efetivamente democratizem e assegurarem o acesso e a inserção desta população negra aos meios de comunicação de massa, de forma proporcional à sua representatividade dentro da sociedade brasileira. “Entendo que a televisão comercial deve ser lucrativa, mas por outro lado, não se pode desvalorizar o ser humano. A TV deve e pode investir em uma grade de programação plural que aborde diversos aspectos culturais do Brasil e das etnias que compõem nossa sociedade”, conclui.

Mais informações: email osmartgaspar@yahoo.com.br
Fonte: http://www.usp.br/agen/?p=45620

25 de jan. de 2011

Câmara deve analisar neste ano marco civil da internet


O Poder Executivo deve enviar à Câmara, em breve, o anteprojeto de lei que trata do marco civil da internet. A proposta, que está atualmente na Casa Civil, define direitos e responsabilidades de usuários e provedores. Durante consulta pública sobre o assunto, promovida pelo Ministério da Justiça no ano passado, mais de duas mil contribuições foram recebidas e, em virtude disso, o texto inicial sofreu alterações.

As mudanças dizem respeito à remoção de conteúdo inapropriado da rede. A nova redação do anteprojeto prevê que o provedor de serviço de internet somente poderá ser responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial, não tomar as providências para, dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o material apontado como infringente – por exemplo, algo que incite a pedofilia ou que contenha calúnia, injúria ou difamação.

O texto inicial dizia que a notificação sobre o conteúdo inadequado poderia ser feita pelo ofendido, não havendo necessidade de ordem judicial para a responsabilização do provedor. Além disso, estabelecia que o usuário responsável pela publicação do conteúdo poderia contestar o provedor, requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva por eventuais danos a terceiros. Essa parte foi excluída do anteprojeto; agora, qualquer contra-argumentação deverá ser feita pela via judicial. A nova versão do texto determina ainda que as regras para remoção de conteúdo inapropriado deverão ser seguidas também pelos usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros – donos de blogs, por exemplo.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) considera as alterações feitas no texto positivas. Ele inclusive sugeriu mudanças nesse sentido ao Ministério da Justiça. “Conforme o Direito brasileiro, alterar e remover conteúdo pode significar censura. Isso não deve ser tarefa de um site”, justificou.

O deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) também apoia a proposta do governo. “Deve estar no marco civil tudo aquilo que diz respeito à garantia do usuário de ter acesso à internet, à privacidade do cidadão e até mesmo ao anonimato daquele que quiser utilizar a rede de maneira anônima. Além disso, é preciso estabelecer normas sobre a remoção de conteúdo e a responsabilidade do provedor”, explica. Segundo ele, os parlamentares deverão decidir se as regras para o armazenamento, por parte dos provedores, das informações de conexões dos usuários deverão fazer parte do marco civil ou do projeto de lei sobre crimes virtuais (PL 84/99), que tramita em regime de urgência na Câmara.

Já as normas para garantir a privacidade dos cidadãos na internet serão complementadas, segundo o Ministério da Justiça, pelo anteprojeto de lei que trata da proteção de informações pessoais em bancos de dados. O Executivo promoverá consulta pública, até 31 de janeiro, para discutir essa proposta. Na opinião de Paulo Teixeira, os deputados devem primeiramente aprovar o marco civil; em seguida, uma lei que defina os crimes virtuais; e, por último, a legislação que objetiva proteger os dados pessoais, completando assim a regulação da internet.

Fonte: http://www.irdeb.ba.gov.br/evolucaohiphop/?p=2677&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

20 de jan. de 2011

2010 marcou o início da 'Terceira Era' de cibercrimes, diz analista

Práticas criminosas online com propósitos políticos marcam uma nova fase entre as ameaças na web. O ano de 2010 pode entrar para a história da humanidade por marcar o início da 'Terceira Era' de cibercrimes, de acordo com o especialista em segurança da Sophos Graham Cluley.

Segundo ele, a primeira 'Primeira Era' foi marcada por hackers amadores e pela criação dos vírus para PC; a 'Segunda', pela fusão do crime organizado com as novas tecnologias de Internet; e a 'Terceira Era', com a evolução das técnicas utilizadas anteriormente em formas cada vez mais variadas e sofisticadas. "O último ano foi realmente marcante quando o assunto é crimes de computação", comentou Cluley.

Um dos grandes destaques de 2010 foi a aparente migração de antigas práticas de spam e ameaças na web para as redes sociais, que possivelmente se tornarão o principal mecanismo de ataques aos usuários.

"A atual escala de atividades maliciosas no Facebook parece estar fora de controle", observou ele. "E a rede social parece ser incapaz ou estar pouco disposta a investir em recursos necessários para eliminar esse tipo de ameaça", completou.

Entretanto o grande diferencial da "Terceira Era" - que estabeleceria o final de 2010 como um marco – foi o início de práticas criminosas online com propósitos geo-políticos.

No ano passado, por exemplo, Hillary Clinton criticou a China de forma velada por um suposto envolvimento em um ataque chamado de Aurora contra empresas norte-americanas, entre elas a Google. O vírus Stuxnet danificou o programa nuclear iraniano, que, segundo especulações, foi criado pelo exército de Israel em parceria com órgãos dos Estados Unidos (EUA). E o novo governo do Reino Unido de repente definiu cibersegurança como um das suas maiores preocupações militares.

Além disso, em 2010, também foram destaque os documentos diplomáticos dos EUA entregues ao Wikileaks e o ativismo online do grupo Anonymous, que desenvolveu a ideia do cibercrime como uma ferramenta política não convencional.

Todas as três categorias de crimes cibernéticos – seja para apenas incomodar os internautas com spams, furtar dados ou remunerados ou não políticos – representam uma ameaça aos consumidores e empresas e, por vezes, é difícil diferenciá-los.

Um bom exemplo de como esses assuntos podem fundir-se em um único crime foi visto em setembro, quando o Twitter foi vítima do worm "onMouseOver" para atingir o perfil de figuras políticas, como a esposa do ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, Sarah Brown e até mesmo Robert Gibbs, secretário de imprensa do presidente dos EUA, Barack Obama.

Em 2010 também ocorreu um aumento significativo de detenções por atividades ligadas a cibercrimes, desde internautas a verdadeiras gangues organizadas.

Antes, a criminalidade na Internet era considerada como sendo de baixo risco e as pressões para encontrar os culpados, aparentemente, modestas. Agora, de repente o cibercrime se tornou importantes para os governos e os criminosos nos países desenvolvidos já não podem afirmar que não serão encontrados ou mesmo extraditados.

(John E Dunn)

Publicada em 19 de janeiro de 2011


Fonte: IDG News Service

MPF recomenda que Big Brother Brasil respeite direitos humanos

(Última Instância) O MPF (Ministério Público Federal) enviou à Rede Globo de Televisão um documento oficial em que recomenda que a emissora respeite os direitos humanos na edição número 11 do programa Big Brother Brasil.

"A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão lembra que, em 2010, o programa foi alvo de mais de 400 reclamações de cidadãos denunciando casos de homofobia, incitação à violência, apelo sexual, inadequação no horário de exibição e violação da dignidade da pessoa humana", diz o site jurídico Última Instância, que lembra também que nesse mesmo ano a Rede Globo foi obrigada a exibir comunicado explicando as formas de contágio do HIV após um dos participantes afirmar que os heterossexuais não correm risco de se infectarem com o vírus da Aids.

O diretor do programa, J.B. Oliveira, o Boninho, causou polêmica ao dizer que seriam liberadas as agressões entre os participantes na edição deste ano.

Leia as recomendações do MPF à Rede Globo sobre o BBB 11:

- observar a própria autoregulamentação da emissora ( Princípios & Valores da TV Globo no Vídeo - Tit. 1 - A Missão da TV Globo e Tít. II Crianças), expedida em dezembro de 2009, na qual assume a missão de exibir conteúdos de qualidade que atendam às finalidades artística, cultural, informativa, educativa e que contribuam para o desenvolvimento da sociedade;
- adotar medidas preventivas necessárias para evitar a veiculação de práticas de violações de direitos humanos, tais como tratamento desumano ou degradante, preconceito, racismo e homofobia;
- dar cumprimento integral à classificação indicativa atribuída ao programa (não recomendado para menores de 14 anos), nos termos da Portaria 1220/2007 do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça (DEJUS);
- adequar a exibição do programa a horário de menor exposição a crianças e adolescentes, observada a classificação indicativa atribuída ao programa BBB11 nos estados em que há divergência de fuso horário e também em razão do horário de verão, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Mandado de Segurança nº 14041/DF.

Fonte: Liga Brasileira de Lésbicas

19 de jan. de 2011

Ameaça virtual também é crime

Nessa entrevista, o advogado civilista Tito Lívio Caruso Bernardi, também editor do site jurídico Expresso da Notícia, fala sobre a existência de crime sobre essa troca de mensagens pedindo a morte da chefe de Estado, Dilma Rousseff.


É crime fazer ameaça virtual? Tito Lívio: “Sim, o crime é passível de um a seis meses de prisão, mas também pode ser enquadrado como crime de segurança nacional com penas maiores. No caso seria contraditório para o atual governo pedir a aplicação dessa lei uma vez que a presidenta Dilma foi julgada e condenada por crime contra a segurança Nacional o durante o período da ditadura e não seria conveniente enquadrar esses jovens na mesma lei”.

O Procurador Geral da República tomou a iniciativa de investigar o caso após denuncias recolhidas por auxiliares do deputado Dr. Rosinha (PT) e que circulavam pela internet em diferentes blogs. Essas mensagens do Twitter foram repassadas também para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que prometeu levar o caso adiante e confirmou a abertura da investigação. Segundo o ministro “a Polícia Federal vai ajudar nas investigações”


Há como identificar e punir essas pessoas? Tito Lívio: “Já houve no passado a identificação e punição desse tipo de crime, inclusive para casos de racismo e pedofilia. Mas os provedores de mídia que lucram com os acessos dificultam as investigações e por outro lado as autoridades policiais não parecem estar aparelhadas e preparadas para combater esse tipo de crime”.



A identificação desses jovens pode ser chamada de censura na Internet? Tito Lívio: Não se trata de censura. A incitação à violência está claramente tipificada na Constituição brasileira como crime e regulamentada pelo Código Penal.


Que medida pode adotar o governo para evitar essas ameaças no futuro? Tito Lívio: As autoridades devem analisar o papel dos provedores no Brasil. Eles oferecem muitas facilidades para os usuários, mas nenhuma proteção contra ameaças virtuais, vírus e ataques caluniosos contra pessoas, empresas e organizações. Como obtém lucro com a circulação de mensagens devem também ter a responsabilidade para evitar que os crimes sejam cometidos de uma forma tão banal no ambiente virtual.

Fonte: http://www.rnw.nl/portugues/article/ameaca-virtual-tambem-e-crime

Jovens ofendem nordestinos e moradores de periferia pela internet

Mais uma década do século 21 tem início e ainda assim um preconceito mais do que ultrapassado continua sendo notícia. Pela internet, jovens têm humilhado nordestinos que vivem em São Paulo e a população mais humilde do Rio de Janeiro.

Alguns casos vieram a público nesta semana e viraram assunto de polícia. Em São Paulo, a homenagem da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi com o tema “São Paulo, capital do Nordeste” virou motivo de ameaça. E-mails ofensivos foram recebidos pela agremiação. Em uma das mensagens, repleta de palavrões, os nordestinos são chamados de “povinho de cabeça chata”.

No Rio de Janeiro, mais ofensas pela internet. Desta vez, o alvo são as pessoas que visitam a árvore de Natal na Lagoa Rodrigo de Freitas. “Chega a ser repugnante o que está escrito, dizendo que as pessoas que moram no subúrbio, que moram na Baixada, são menores, são piores, são gentinha”, diz o delegado Fernando Veloso.

No Rio e em São Paulo, os autores das mensagens podem até ser presos. O crime de racismo é punível com até cinco anos de prisão.“A gente quando pensa em crime pensa em arma, pensa em violência, pensa em agressão. Não é um crime nesse sentido, mas ele é tão grave quanto um crime que é cometido com uma arma em punho, porque ele ofende a dignidade das pessoas”, afirma Veloso.

No Rio, o autor das ofensas é o estudante de direito João Marcos Crespo, que mora próximo à lagoa, em um bairro nobre. Na casa dele, foram encontrados objetos que fazem menção ao nazismo. Uma das ideias valorizadas pelo estudante é a eugenia - tese de Adolf Hitler para justificar a perseguição aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.

Para a polícia, o estudante escreveu mensagens racistas. Elas dizem que os moradores de subúrbio têm genética inferior, cabelo ruim e estatura baixa. Nesta semana, ele foi interrogado pelo delegado. “Ele atribui essas mensagens a uma brincadeira. A gente percebe que pelo teor da mensagem a gente percebe que não é brincadeira”, diz Veloso.Na casa do jovem, ninguém quer falar sobre o assunto.

São Paulo - Já o estudante responsável por parte das ofensas à escola de samba paulista se recusa a admitir que errou ao ofender os nordestinos. “Eu não me arrependo de criticar. Eu me arrependi de usar as palavras que eu usei. Se fosse qualquer outra escola, eu ia criticar do mesmo jeito”, diz Caio César.

Em fotos, o jovem aparece com uma bandeira do estado de São Paulo tatuada nas costas. No texto ofensivo aos nordestinos, ele se diz um paulista separatista. “Sim, sim, eu sou separatista”, admite.

Movimentos separatistas querem a independência de alguns estados, formando um novo país.
Essa ideia nunca vingou no brasil. “É uma qualidade do Brasil impedir tendências separatistas que sempre levam a discriminações e formas racistas”, diz o historiador Marco Antonio Villa. Você pregar o separatismo e também tendo como argumento que as outras pessoas são de uma raça inferior é crime”, diz a delegada Margarett Barreto.

A delegada e o defensor público Ricardo César Franco são especializados em crimes raciais. Eles acompanham o crescimento de comunidades na internet que pregam ideias preconceituosas.Franco diz que há uma espécie de manifesto contra os nordestinos migrantes circulando pela web. As ofensas que chegaram na Acadêmicos do Tucuruvi seguem o mesmo pensamento deste texto.

Mas o autor não admite que suas afirmações foram criminosas. “Cara, se é crime isso, a gente vai ter muito criminoso solto por aí.” A polícia paulista vai cobrar explicações. “A gente tem os rastros dos contatos dele que foram feitos na rede virtual. Então nós vamos localizá-lo com certeza”, diz Barreto.

No Rio de Janeiro, João Marcos Crespo deve responder por crime de racismo. E a busca agora é por quem trocou as mensagens preconceituosas com o estudante. “São pessoas que concordaram com essas mensagens e também estão fazendo divulgar, difundir, uma mensagem discriminatória, uma postura racista”, afirma Veloso.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/01/jovens-ofendem-nordestinos-e-moradores-de-periferia-pela-internet.html

Polêmica em torno do racismo de Lobato pode chegar à Dilma

Brasília - Passados mais de 60 dias desde o início da polêmica gerada em torno do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, que, segundo parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) deve deixar de ser incluído no Programa Nacional Biblioteca na Escola, do MEC, por conter estereótipos racistas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, (foto) ainda não decidiu se homologará o parecer e o processo desapareceu do noticiário.

Por isso, o responsável pela denúncia - o técnico em gestão de Educação, licenciado em Letras e Língua Portuguesa, Antonio Gomes da Costa Neto - entrou com pedido de certidão no Conselho para saber em que pé está o caso. “Como não houve uma posição formal do ministro entrei com pedido de certidão”, afirmou. O prazo para que o Conselho se manifeste termina na semana que vem.

Com a certidão em mãos, Costa Neto pedirá uma posição do Conselho, inclusive porque a Lei do processo administrativo – a 9784/99 -, estabelece prazos.

Segundo ele, os prazos não podem ser ignorados e não descarta a possibilidade de entrar com representação pedindo a intervenção do Ministério Público Federal, bem como a hipótese de recorrer à autoridade hierarquicamente superior ao ministro, no caso a própria Presidente Dilma Rousseff.

Com a homologação do MEC, o parecer passará a ter validade em todo o país. “Caso contrário, será apenas uma norma sem eficácia plena. Os Conselhos Estaduais de Educação não terão obrigação de cumpri-lo”, acrescenta o autor da denúncia, que é branco, e acabou de ser aprovado com louvor como Mestre em Ensino Religioso e as Religiões de Matriz Africana no DF, pela Universidade de Brasília (UnB).

Por: Redação - Fonte: Afropress - 18/1/2011
Fonte: http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=2516

18 de jan. de 2011

E ainda dizem que não há racismo. É tudo uma questão de afinidade...

JOSÉ ROQUE PEIXOTO em 17 janeiro 2011


Porque será que logo no primeiro paredão temos três afrodescendentes no paredão do BBB? Será que foi pura coincidência? Ou já estamos vendo a marca do racismo entranhado nos participantes aflorando a disputa em busca dos 1,5 milhões de reais?

Uma coisa eu sei. Para atuar como racistas, os brancos não precisam de “afinidade”, formar grupos, ou qualquer coisa parecida para detonar com os pretos. E se formos avaliar, a única tática e estratégia no jogo onde o racismo é parte do todo, é limpar a área, mandando os pretinhos pra casa, e depois os brancos se resolvem como dividem o bolo e como organizam seus blocos.

Sabemos que no paredão só sairá um. Mas o fato de termos três afrodescendentes nos remete a reflexão de logo questionar: POR QUE OS TRÊS SÃO NEGROS? Será que não houve falta de afinidade entre os brancos? Ou a afinidade, no BBB, é apenas uma questão de pele e origem?

Nessa perspectiva, é possível descrever como se dará a ordem de indicação dos paredões até a final: primeiro os pretos. Depois as gordinhas. Depois os tiozinhos (ou o tiozinho). E daí vai seguindo até sobrar os sarados e saradas que tenham o perfil do imaginário coletivo brasileiro: o gostosão ou a gostosa ou os dois, na final.

Fiquemos atentos. Nesse jogo de cartas marcadas, onde vários comemoraram o aumente de participantes negros no BBB, alguma surpresa nada surpreendente haveria de acontecer.

Agora a responsabilidade é da Sociedade Brasileira, travestida de telespectador. Ou votam na Trans e Cabeleireira; ou votam no Homossexual e Jornalista; ou votam na Mulher e Dançarina.

Não sei se é engraçado ou uma catástrofe. Mas até os meios de comunicação estão dando conotação trágica para o fato (http://www.ospaparazzi.com.br/bbb/trio-negro-estreia-paredao-do-bbb...). Mandaram três negros, sendo uma mulher, uma trans e um gay.

Isso me faz terminar com um ditado sexista e homofóbico, mas que cabe para uma reflexão profunda sobre os fatos: “Além de preta, mulher. Além de preto, bicha!” Esse é o pensamento que norteiam os participantes do BBB 11.

No juntemos para derrotar a Racismo o Sexismo e a Homofobia, pois os mesmos serão fortalecidos pela Rede Globo de Televisão nos próximos meses como o show de bizarrices e mediocridades chamado Big Brother Brasil.

Fonte: roquepeixoto.blogspot.com
Fonte: http://correionago.ning.com/profiles/blogs/e-ainda-dizem-que-nao-ha

12 de jan. de 2011

Sobre a Regulamentação das mídias

O novo ministro das Comunicações do governo da presidente Dilma Roussef, Paulo Bernardo, no discurso de transmissão de cargo, defendeu a necessidade de um novo marco regulatório para o setor. De acordo com matéria veiculada no Porta Terra, o novo ministro disse que não se trata de uma revisão de direitos de liberdade de expressão já conquistados, e sim da garantia da pluralidade da informação.

Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, novamente defendeu uma agência de regulação da mídia, dizendo que “todos os países desenvolvidos do mundo têm uma agência. E ninguém vai lá xeretar o que você vai falar. Depois que você falou, se fez alguma propaganda incitando a pedofilia ou o racismo, por exemplo, ela olha aquilo e toma providências. Faz uma advertência para o difusor, e é isso”. Ainda sobre o tema, Bernardo disse ao jornal O Globo que a discussão deve ser feita “da forma mais pública possível, com audiências públicas e grandes debates”.

No entanto, no último final de semana, em entrevista a diversos jornais, o ministro Paulo Bernardo recuou em relação ao que havia dito anteriormente, e disse que há outras prioridades em relação ao marco regulatório, como o projeto de banda larga. Sobre o marco, Bernardo afirmou que é preciso um “exame detalhado” do projeto.

O Observatório Notícias & Análises levantou esse debate junto às organizações que vêm discutindo o tema.



Celso Schroder1



Todas as democracias consolidadas têm instituições reguladoras da mídia, que regulam a implementação de políticas públicas no campo da comunicação. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) defende a necessidade de um controle público para o exercício da liberdade de expressão e para a aplicação de regras democráticas através de mecanismos públicos. Entre as formas de controle estão os conselhos, que quanto maiores, mais representativos e transversais, melhor. É por isso que é importante a existência de conselhos como esse, que seja mais executivo e deliberativo, como foi discutido na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

A garantia da liberdade de imprensa tem que se dar de acordo com os interesses da população e não de interesses comerciais e privados As falas do ministro Paulo Bernardo não têm sido claras quando ele aponta alguns tipo s de regulações. Ao que aprece, ele não está reconhecendo a Confecom e as suas decisões. Ele sinaliza para uma nova consulta, e isso é muito ruim, porque foi um enorme esforço que precisa ser contemplado.

"A garantia da liberdade de imprensa tem que se dar de acordo com os interesses da população e não de interesses comerciais e privados. "

Quando dizem que um órgão regulador pode acarretar uma censura, isso é uma crítica ingênua e desprovida de qualquer argumento político. Ao contrário, nesse atual momento do sistema de comunicação no Brasil, a gente não consegue discutir o papel da mídia em relação à mulher, ao negro, aos homessexuais, porque as discussões hoje são limitadas ao interesse comercial. Isso sim é censura, quando a população não decide o destino e o que é discutido.

O que vemos é uma tentativa exaustiva de não regulamentação, impondo ao sistema de comunicação no Brasil a voz do dono, do gerente ou do governo. O que a FENAJ e o FNDC pautam é que a comunicação, assim como a saúde e a educação, é um serviço público, que deve ter um controle público – e não estatal.

1Celso Schroder é presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e membro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)



Alberto Dines2



Primeiro é preciso cumprir a Constituição ou então revogá-la. E ao cumprir a Carta teremos que ressuscitar o Conselho de Comunicação Social. Entrementes inicia-se o debate sobre o marco regulatório, isonomia para a distribuição de conteúdos, participação estrangeira, etc., etc.

A agência é a última etapa. Penso que então podemos pensar em algo parecido com a americana FCC, criada em 1934. Antes disso, o Ministério das Comunicações, o Conselho e as comissões da Câmara e do Senado podem encarregar-se de limpar o terreno e colocar a mídia eletrônica dentro da legalidade.

2Alberto Dines é o Editor responsável pelo Observatório da Imprensa

"O chamado controle social da mídia implicará em interferência nos conteúdos jornalísticos, o que fere frontalmente o princípio da liberdade de expressão previsto na Constituição"


Ricardo Pedreira3



Mais do que desnecessária esse tipo de instância reguladora é incompatível com a liberdade de expressão. Um conselho ou um órgão fiscalizador nos termos do que tem sido proposto pelos setores que defendem o chamado controle social da mídia implicará em interferência nos conteúdos jornalísticos, o que fere frontalmente o princípio da liberdade de expressão previsto na Constituição. O controle social já existe, nos termos da Constituição e de toda nossa legislação. Há o direito de resposta e a legislação sobre danos morais. E o Poder Judiciário para julgar questões relacionadas ao direito de resposta e à legislação sobre danos morais.

Um dos pilares da convivência democrática é o de que ninguém tem o direito de determinar aos outros o que é mais ou menos adequado para ser dito, para ser expresso. Numa democracia, todo mundo é absolutamente livre para expressar aquilo que quer, sem nenhuma limitação prévia. Isso não significa impunidade, pois nos casos de mentira ou calúnia, sempre haverá a possibilidade da punição posterior. Um órgão regulador da mídia pode acarretar em censura porque agirá necessariamente de acordo do que pensam os seus integrantes, com as convicções e a ideologia de seus integrantes.

Eles terão o poder de julgar que tal ou qual informação ou opinião é mais ou menos adequada. Para evitar esse dirigismo é que existe a plenaliberdade de expressão, sem nenhum controle prévio, mas com eventuais penalidades posteriores, por meio do direito de resposta ou da legislação sobre danos morais.

3Ricardo Pedreira é diretor executivo da Agência Nacional de Jornais (ANJ)



Fonte: Baseado na reportagem de Vitor Castro em 11/01/2011
Fonte: http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatoriodefavelas/noticias/mostraNoticia.php?id_content=984

10 de jan. de 2011

Como o Racismo Institucional cria espaços diferenciados

A ocupação policial-militar dos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, começou bem mas rapidamente demonstrou os problemas da política de segurança, em especial as dificuldades quase insuperáveis de se realizar grandes operações sem que haja uma reforma na polícia. Os criminosos fugiram do cerco às favelas. Os moradores denunciam roubos e agressões por parte das autoridades que ocupam as comunidades. A resposta governamental foi colocar a ocupação sob controle do Exército, no que o general que chefia a missão classificou como uma "Força de Paz", semelhante àquela que ocorre no Haiti. É uma analogia perigosa: o país caribenho é um dos mais pobres do planeta, com apenas a sombra de um Estado. A cidade do Rio de Janeiro é uma das regiões mais ricas de uma nação emergente, de renda média.

O Rio tem serviços públicos (federais, estaduais, municipais) razoavelmente eficientes nos bairros de classe média e alta. A polícia não arromba casas em Ipanema, o lixo não está acumulado no Leblon, as milícias não ocupam as ruas do Jardim Botânico. A questão aqui não é construir um Estado, como no Haiti, mas sim expandi-lo e aperfeiçoá-lo para os significativos bolsões de pobreza que existem na cidade.

Veja como o Racismo Institucional afeta a vidad de milhares de pessoas, jovens, homens, mulheres, crianças negras principalmente.





Fonte: Blog Todos os Fogos

Mais de um século após Abolição, 1º negro Embaixador

Brasília - Embora com uma população negra (preta e parda) correspondente a 51,3% do total, segundo o IBGE, o Brasil só passou a ter um embaixador negro de carreira, a partir de dezembro passado, 122 anos e sete meses após a Abolição: trata-se do carioca Benedicto Fonseca Filho, 47 anos, que também tornou-se o diplomata mais jovem a chegar ao topo da carreira.

O Brasil é independente há quase 190 anos, e tem a maior população negra do planeta, depois da Nigéria. No entanto, é somente agora que o país tem seu primeiro embaixador de carreira negro (na década de 1960 houve políticos negros nomeados para o cargo). O diplomata em questão, Benedicto Fonseca Filho (foto), é filho de um funcionário administrativo do Ministério das Relações Exteriores e por conta disso viveu quando criança na Europa, estudando em boas escolas. Aos 47 anos, é também o mais jovem entre os embaixadores do Brasil.

Fonseca assumirá a direção do departamento de Ciência e Tecnologia da chancelaria, e torço para que o segundo, terceiro, quarto e por aí vai embaixadores negros apareçam num tempo mais curto do que os dois séculos necessários para que surgisse o primeiro. De fato, a política externa tem se aproximado das políticas sociais, inclusive no combate ao racismo e na promoção de igualdade racial.

Há dez anos o Ministério das Relações Exteriores estabeleceu um programa de ação afirmativa que concede bolsas de estudos a negros que querem ingressar na diplomacia. Tive muitos bons alunos beneficados pela iniciativa e vários deles tornaram-se diplomatas. Neste ano, a chancelaria instituiu outra modalidade, pela qual haverá acréscimo de 10% das vagas na segunda fase do concurso de admissão (são quatro etapas, no total), reservadas a negros.

Ter um serviço diplomático que reflita a composição étnica da população brasileira não é somente uma questão de justiça, é também um ativo importante para a política externa. Quando o Brasil iniciou sua reaproximação dos países africanos, na década de 1960, um dos elementos mais frágeis da retórica era a aposta no mito da “democracia racial” brasileira. Essa imagem desmoronou no contato dos líderes das novas nações da África com a sociedade do Brasil, e no apoio do governo brasileiro ao colonialismo de Portugal no continente.

Hoje é outro Brasil que dialoga com uma África renovada e talvez o melhor exemplo sejam os movimentos políticos e culturais da diáspora negra, abarcando também Estados Unidos, Caribe, os migrantes na Europa. As conferências da ONU contra o racismo têm sido um marco importante na internacionalização desse movimento, e poderiam ter ocorrido no Brasil, caso o governo e a sociedade tivessem se mobilizado para isso.

Os esforços brasileiros também passam uma mensagem importante para a América Latina, sobretudo para aqueles países nas quais as questões indígenas estão em grande evidência (Bolívia, Equador, Peru). Os equatorianos tiveram uma chanceler indígena, Nina Pacari – a quem entrevistei em Quito, e que muito me impressionou.

E o Brasil está deixando de ser uma nação marcada pela exclusão para tornar-se uma espécie de farol, quase de conto de fadas, de possibilidades de ascensão social. Um lugar meio mágico onde operários e mulheres torturadas viram presidentes, negros servem como embaixadores e várias pessoas com diferentes trajetórias de vida acreditam piamente que sua vocação é a felicidade. Oxalá seja assim. O mundo precisa de esperanças desse tipo.

Benedicto, que é filho de um contínuo funcionário do Itamaraty, nasceu no Rio, em 1.963 e mudou-se para Brasília, em 1.970. “O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa. É preciso que haja ações afirmativas. Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na minha época, isso não havia. Mas olhando retrospectivamente, creio que me beneficiei de certas circunstâncias. Tive oportunidades que raramente os negros têm. Morei no exterior, estudei idiomas com a ajuda do Itamaraty, porque ajudavam nos estudos dos filhos dos funcionários”, afirmou a repórter Juliana Rocha, da Sucursal da Folha de S. Paulo, em Brasília.

Fonte: http://todososfogos.blogspot.com/
Fonte: Fonte: Afropress - 6/1/2011

9 de jan. de 2011

Psicologia Social do Racismo no Mundo Virtual

Pesquisa lançada por professores da Universidade Northwestern, Paul Eastwick e Wendi Gardner diz que as suposições racistas e normas na vida real nos seguem nos mundos virtuais. Em seu artigo publicado recentemente, "É um jogo? Evidências de influência social no mundo virtual "(Influência Social, vol. 4), que infelizmente está em inglês, podemos perceber como estas conclusões são alcançadas.

Dados do artigo em inglês:
Is it a game? Evidence for social influence in the virtual world
http://people.tamu.edu/~eastwick/EastwickGardnerFinal.pdf
Paul W. Eastwick a; Wendi L. Gardner a
Northwestern University, Evanston, IL, USA

Fonte: Blog Bella Yan







Nos EUA, web passa TV como fonte de notícias dos jovens

Aos poucos a internet consegue tomar o mercado de notícias da televisão nos Estados Unidos. Um estudo realizado pela Pew Research Center revelou que a inversão já é realidade entre os mais jovens e tem mudado os hábitos de leitura entre os mais velhos.

Na faixa etária entre 18 e 29 anos, a web se tornou principal fonte de notícias nacionais e internacionais. Leia mais aqui...

Fonte: Blog Evolução Hip Hop

5 de jan. de 2011

Produtora Carioca lança filme MULATAS. O que você acha?

A palavra "mulata" é originária da expressão árabe "muwallad" que quer dizer mestiço. Porém, na versão utilizada no Brasil desde a escravidão o termo mulato assume um conceito antropológico de "raça" usado em tom ofensivo associado ao substantivo "mula" que é um animal fruto do cruzamento de um jumento com uma égua. Chamar negros mestiços de mulato enfatizava o fato de que negros e brancos formariam espécies diferentes tal qual a mula - animal estéril utilizado somente para o serviço pesado.

Entre as décadas de 60 e 80 Osvaldo Sargentelli, um conhecido produtor e radialista dos becos da boêmia carioca, ganhou muito dinheiro exportando a imagem de talentosas bailarinas negras oriundas das escolas de samba para Europa e o resto do mundo - As Mulatas de Sargentelli. Hoje em dia no Rio de Janeiro, diferentemente dos outros estados do Brasil, ser MULATA virou uma profissão que até se tornou tema de filme.

Veja o trailer abaixo e opine.

http://www.youtube.com/watch?v=HcSdMjLePL8&feature=player_embedded


Fonte: Corrêio Nagô

29 de dez. de 2010

Mais racismo nas capas de Revistas

Indianos criticam revista por clarear pele de atriz

A Revista Elle está sendo acusada de postura racista na Índia. A polêmica ocorreu por conta da edição de dezembro, que traz na capa a atriz Aishwarya Rai Bachchan. Apesar de ser uma estrela nacional, em razão de ter atudado em várias produções do complexo cinematográfico conhecido como Bollywood, vários conterrâneas da estrela estranharam a imagem da ex-Miss Mundo na foto. Para essas pessoas, a pele da atriz está tão pálida quanto a de alguém com origem europeia. Os fãs acusam a Elle de racismo. Os editores negam a alteração intencional.





Os jornais indianos afirmam que a primeira reação de Aishwarya foi não acreditar que a revista pudesse ter alterado a cor de sua pele. Mas, se ficar comprovado que houve intenção de fazê-lo, ela não descarta processar a publicação. Se decidir ir à Justiça contra Elle, a atriz indiana vai poder citar pelo menos um outro possível caso de racismo. Na edição de setembro, Elle passou por outra polêmica, ao ser criticada por clarear a pele da atriz Gabourey Sidibe, indicada ao Oscar de melhor atriz pelo ótimo Precious. Os editores dizem que trataram as fotos de Gabourey como as de qualquer outra modelo, mas o site Jezebel não perdoou e incluiu a capa entre as piores falhas de Photoshop de 2010.




Fonte: http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/blogs/identidade/

A Princesa e o Sapo – Um Conto de Fadas sobre Comunicação, Educação e Racismo*

Racismo, comunicação e educação - palestra de Cláudia Santos
20/03/2010 - 14:01:19


"Mas queremos isso marcando a nossa existência, sem ter que forçosamente embranquecer, fortalecendo nossa identidade, celebrando nossa ancestralidade, consolidando nossa resistência".

Claudia Santos



Geralmente quando se menciona o conto de fadas em que a princesa beija o sapo, relembramos as lições de moral dessa literatura. No caso desse conto, que surgiu escrito pela primeira vez 1810, em anotações dos Irmãos Grimm, vem a perspectiva de ensinar que é preciso cumprir as promessas ainda que a jura seja feita a um sapo.

Prometeu receber o sapo em sua casa e deixar que ele coma com você no seu prato uma sopa quentinha em troca da ajuda para resgatar sua bola de ouro do fundo do lago? Por mais asqueroso tudo possa parecer, nada de fugir e bater a porta. Cumpra a promessa. Mostre que sua palavra tem valor. Assim fez a princesa obediente a orientação do rei-pai. Essa é a moral que a narrativa compilada da tradição oral pelos Irmãos Grimm quer nos comunicar.

Nessa mesma versão dos Grimm a jovem princesa chega ao limite ao ver o sapo se preparando para dormir em sua cama real. Numa reação bem violenta, a moça atira o sapo contra uma parede. É a mistura da inusitada demonstração de ferocidade seguida do choque contra o muro que faz tudo mudar: quebra o feitiço do príncipe e liberta a princesa da jura. Tudo vira um lindo e rico casamento, onde os dois nobres serão felizes para sempre.

Eu imagino que vocês já ouviram essa versão. Talvez as que são professoras também já tenham escutado e possivelmente contam a história desse jeito. Talvez prefiram aquela versão ligeiramente diferente em que a princesa, cheia de virtudes, beija o sapo e ele logo se torna um galante príncipe.


Continua...

Fonte: http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=7951

A cor sumiu

Edson Lopes Cardoso
edsoncardoso@irohin.org.br
Em 13/05/2010

"Há, evidentemente, uma censura que alcançou as palavras, mas ainda não cerceou de todo as imagens".

Edson Cardoso






Como se trata de raridade, registramos que na segunda-feira (10.05.2010) editorial da “Folha de S. Paulo” fez alusão a diferenças raciais. O assunto tratado no editorial era recente descoberta de pesquisadores alemães, que afirmaram poder concluir, com base em evidências genéticas, que, entre 80 e 50 mil anos atrás, o Homo Sapiens, nossa espécie, teria cruzado com o Homem de Neandertal.

O editorial conclui afirmando que nós, humanos, somos na verdade formados por centenas ou milhares de outros cruzamentos com diferentes tipos ancestrais e que as diferenças raciais seriam apenas marcas de superfície. Sob a aparência de distintos traços fenotípicos, afirma a Folha, somos todos humanos.

Os termos ‘aparência’ e ‘superfície’, em oposição a uma essência profunda definidora da espécie, são, obviamente, termos de menor valor nessa hierarquização, com a qual o editorial da Folha chama nossa atenção para a irrelevância das distinções raciais.

Essas distinções consideradas “irrelevantes” e “superficiais” vêm sendo sistematicamente omitidas pelo noticiário da grande mídia, com raríssimas exceções. O editorialista da Folha talvez tenha considerado o cruzamento com neandertais, extintos há mais de 25 mil anos, uma temática esvaziada de tensões e conflitos, ao menos daqueles que envolvem a luta política pela manutenção de privilégios que caracterizam a realidade brasileira.

Influenciada por essas posições, a reportagem “PMs são presos acusados de matar mais um moboy” (mesma edição da Folha, p. C1) silencia sobre a cor de Alexandre Santos, executado por quatro policiais militares na frente de sua própria casa e na presença de familiares.

Na presença dos corpos negros sacrificados em todo o país, como sustentar uma argumentação que considera a cor da pele uma distinção irrelevante? Como apagar o fato de que “marcas de superfície” decidem o destino das pessoas?

No dia 24 de maio de 2009, Maxwill de Souza dos Santos, jovem negro de 21 anos, foi assassinado por policiais militares em Brás do Pina, Rio de Janeiro. A reportagem de Rubem Berta e Taís Mendes (O Globo, 26.05.2009, p. 13) não fazia alusão à cor de Maxwill. O fotógrafo Ricardo Leoni, porém, registrou imagem da mãe da vítima, com foto do filho numa mão e cápsulas de balas na outra.

Cristiano de Souza, negro, 17 anos, interno do Educandário Santo Expedito, em Bangu, Rio de Janeiro, foi torturado e assassinado, com a participação de diretores da instituição, em 10 de novembro de 2008. A reportagem de Marcos Nunes (O Globo, 31 de março de 2010, p. 21) nada nos diz sobre a cor de Cristiano, mas o fotógrafo Fabiano Rocha registrou foto da mãe da vítima tendo nas mãos a imagem do filho.

Não sabemos até quando os fotógrafos dos grandes jornais continuarão nos informando sobre irrelevantes marcas de superfície. Há, evidentemente, uma censura que alcançou as palavras, mas ainda não cerceou de todo as imagens.

No raciocínio da Folha, o humano é uma essência, de aparência descartável. O problema é que o racismo considera relevante, na definição do que seja humano, exatamente os elementos da aparência. E foi com base nessas distinções de aparência que nos organizamos como Estado e como sociedade de privilégios desumanos. Silenciar sobre a aparência das vítimas é contribuir para negar o papel decisivo da cor nesses crimes de ódio que se multiplicam em todo o país.

O censo de 2010 inclui a questão sobre cor/raça no questionário universal. A Folha considera essa pergunta irrelevante. A Folha é uma das grandes empresas de comunicação do país. Abra o olho.


Fonte: http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=8050

21 de dez. de 2010

Luiza Bairros ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

"Com a indicação de Luiza Bairros para ministra da SEPPIR a presidenta Dilma Roussef honra as lutas historicas do Movimento Negro e do Movimento de Mulheres Negras e abre novas portas para o futuro."

[c] Fernando Vivas

Quem é Luiza Bairros?

Luiza Helena de Bairros nasceu a 27 de março de 1953 em Porto Alegre (RS). Filha do militar Carlos Silveira de Bairros e da dona de casa Celina Maria de Bairros. Sempre foi estimulada pelos pais quanto a sua formação. Não causou estranheza a seus familiares quando começou a envolver-se com as questões raciais, pois no período de colégio sempre fazia parte de grêmios e na universidade pertencia a diretórios acadêmicos, demonstrando um forte interesse pela militância estudantil. E foi na universidade, a partir de um amigo participante do diretório acadêmico, que teve seu primeiro contato com informações sobre os movimentos sociais americanos e ao conhecer o material dos Panteras Negras, ficou ainda mais entusiasmada com o caminho que estava traçando para sua luta política.

No início de 1979, participa da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ocorrida em Fortaleza. Foi impactada pela presença de inúmeros integrantes do Movimento Negro de várias regiões brasileiras, quando trava um contato mais próximo com o pessoal do Movimento Negro Unificado da Bahia e resolve muda-se para Salvador, no mês de agosto do mesmo ano.

Bacharel em Administração Pública e Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com conclusão em 1975; Especialista em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará concluindo em 1979; Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em Sociologia pela Michigan State University no ano de 1997.

Com toda esta qualificação trabalhou entre 2001 a 2003 no programa das nações Unidas para o Desenvolvimento/PNUD na coordenação de ações interagenciais e de projetos no processo de preparação e acompanhamento da III Conferência Mundial Contra o Racismo – relação Agências Internacionais/Governo/Sociedade Civil. Entre 2003 a 2005 trabalhou no Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional – DFID, na pré-implementação do Programa de Combate ao Racismo Institucional para os Estados de Pernambuco e Bahia. Entre 2005 a 2007 foi consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, para questões de gênero e raça como coordenadora do programa de combate ao Racismo Institucional – PCRI na Prefeitura da Cidade do Recife, Prefeitura Municipal de Salvador e Ministério Público de Pernambuco.

Entre 1976 e início da década de 1990 esteve envolvida em pesquisas relevantes para o conhecimento e combate do racismo no Brasil e nas Américas, como por exemplo sua participação na coordenação da pesquisa do Projeto Raça e Democracia nas Américas: Brasil e Estados Unidos. Uma cooperação entre CRH e a National Conference of Black Political Scientists/NCOBPS.

Enquanto docente trabalhou na Universidade Católica de Salvador, Universidade Federal da Bahia/UFBA, dentre outras. Foi organizadora de alguns livros memoráveis e autora de vários artigos e dossiês. Coordenou diversos eventos na área do combate a discriminação racial.

Dona de uma trajetória respeitável, Luiza é reconhecida como uma das principais lideranças do movimento negro no País. Faz parte dos grupos de estudiosas/os e ativistas que contribuem e lutam para a superação do racismo e sexismo e esteve nas últimas décadas à frente de inúmeras iniciativas de afirmação da identidade negra na sociedade brasileira.

Pesquisadora na área de políticas públicas para população afro descendente, sempre trabalhou em prol da redefinição de novos caminhos para as mulheres negras, apresentando e sugerindo propostas em políticas voltadas para a igualdade racial e de gênero. Coroando esta trajetória no dia 8 de agosto de 2008 tomou posse como titular da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial da Bahia - Sepromi.

Leia materia completa: Luiza Bairros para ministra da SEPPIR - Portal Geledés

ONU cobra empenho contra o racismo no lançamento do Ano Internacional dos Afrodescendentes – 2011

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, fez um apelo para que a comunidade internacional se empenhe em garantir aos afro-descententes direitos fundamentais como a saúde e a educação, no lançamento oficial do Ano Internacional dos Afro-descendentes - 2011. Os afro-descendentes estão entre as comunidades mais afetadas pelo racismo e enfrentam demasiadas vezes restrição de acesso a serviços básicos, como saúde e educação de qualidade", afirmou. "A comunidade internacional não pode aceitar que comunidades inteiras sejam marginalizadas por causa da sua cor de pele", completou.

Fonte: Site Geledés
Se o Papai Noel
não trouxer boneca preta
neste Natal
meta-lhe o pé no saco!

Cuti



http://www.cuti.com.br/

4 de dez. de 2010

Pesquisa: sem lan houses, inclusão digital falha no Brasil

A 1ª edição da pesquisa TIC Lan Houses 2010, conduzida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), e divulgada nesta quarta-feira, 1º de dezembro, comprova que boa parte dos acessos à Internet no país ainda acontece nesses estabelecimentos, especialmente, nas áreas de menor poder econômico, mesmo sendo superada pelos acessos feitos pelos domicílios. Também ratifica que a maior parte das lan houses é informal e precisa encontrar novos meios de sustentabilidade financeira.

"Não há dúvida que as lan houses têm um papel significativo ainda no projeto de inclusão digital no Brasil. Elas são, muitas vezes, o único local de acesso à rede da população. No Nordeste e no Norte, onde as ofertas de banda larga são menores, essa realidade é ainda mais percebida. Muitos vão para acessar a Internet, mas para fazer serviços, uma opção importante para sustentar os negócios com a disseminação dos acessos previstos pelo Programa Nacional de Banda Larga", observa Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

O levantamento reuniu 412 estabelecimentos em 120 municípios em todo o Brasil. O estudo comprovou que, hoje, o acesso à Internet em casa superou os acessos feitos nos estabelecimentos, mas também ratificou que as lan houses são relevantes para a inclusão digital e social. "O Brasil é desigual. Em muitos lugares, a lan house é essencial. É o único local de acesso à Internet", observa Barbosa.

Das lan houses pesquisadas, 80% declararam ser um negócio familiar, e em sua maioria absoluta (97%) declararam ter até três funcionários. Quase a metade, 49%, disseram ser um estabelecimento com algum grau de formalidade.

Os estabelecimentos que oferecem produtos e serviços complementares somaram 44% dos pesquisados, ação que comprova a necessidade de reinventar o negócio – não ficar apenas dependente do acesso à Internet. Comércio de informática, assistência técnica de computadores, papelaria e lanchonete são algumas das atividades oferecidas. A expectativa é que essas casas, observa Barbosa, possam vir a ser instrumentos de governo eletrônico – ainda pouco utilizado pela população – por desconhecimento e/ou precariedade dos serviços.


Diversidade de serviços

Um fator relevante, tanto para o negócio da lan house quanto para o cliente, é a diversidade de serviços oferecidos com valor adicionado, além do acesso à Internet. Dentre eles, destacam-se jogos e aplicativos de comunicação (Skype, MSN etc), serviços de cópia e impressão, cursos de informática e Internet, além de serviços de conveniência, como recarga de celular.

Uma parcela considerável, 46%, disponibiliza entre seis e dez computadores aos seus clientes. Outros 22% possuem entre um e cinco equipamentos, e apenas 32% das lan houses possuem dez ou mais computadores para acesso dos usuários.

Os dados sobre velocidade de conexão revelaram que as lan houses se aproximam mais de um perfil de conexão domiciliar do que propriamente de um negócio empresarial: 23% oferecem velocidades entre 256 Kbps e 1Mbps; 32%, entre 1 Mbps e 2 Mbps; 12%, entre 2 Mbps e 4 Mbps; e apenas 25% oferecem velocidades acima de 4 Mbps.

"Essa é a realidade do Brasil. As velocidades em casa são ainda menores (a maioria tem acesso abaixo de 256 Kbps) e as lan houses aparecem como lugares de conexões mais velozes", salienta Barbosa.

No dia-a-dia, ficou constatado que mais de 90% das lan houses oferecem o sistema Microsoft Windows nas estações de PCs. O sistema Linux/Ubuntu foi citado por 9% dos estabelecimentos e apenas 3% reportaram a disponibilidade do sistema operacional Macintosh/Mac OS.

A maioria das lan houses está em funcionamento há até dois anos, período crítico do ciclo de vida do negócio, e carecem de auxílio e incentivos para que sejam viáveis economicamente no médio e longo prazo. Pelos dados, 31% das lan houses pesquisadas funcionam há menos de um ano, enquanto outros 27% funcionam entre um e dois anos.

Quanto ao perfil dos gestores das lan houses, a pesquisa revela que a maioria é gerida por homens (74% dos entrevistados são do sexo masculino, contra 26% feminino). Por classe social, predomina a classe C (54%), contra 42% das classes A e B.

Fonte: Convergência Digital - Data: 03 de dezembro de 2010