9 de jun de 2011

Veja demonstra incapacidade de fazer leitura da realizada

Prezados/as,
Recebi uma mensagem de um Blog, ligado ao grupo da Revista VEJA e percebi que seu seu analista político não consegue analisar minimamente a realidade racial do Brasil, vemos um anti-cotista mais uma vez sendo contra cotas (ele é contra a cota nos concursos públicos no Rio de Janeiro), anti declarações ministeriais sérias (ele discorda da Ministra Luiza Bairros, ofendendo-a), e ao mesmo tempo apresenta números estatísticos que não dialogam com as categorias raciais construídas através da força dos movimentos sociais. 

Estas são posições que vão de encontro a toda a construção dos movimentos sociais e do movimento negro brasileiro, no qual me incluo. 

Enfim, um Blog tendencioso, como o é a Empresa que o mantém no ar. E que se torna uma leitura tão  repugnante que realmente poderemos nos perguntar onde este rapaz fez seu curso de graduação. Enfim. Vejam o caso, se é que ainda está no blog.




“Não podemos deixar que haja espaço reservado às pessoas brancas”. Quem fala? Ora, a ministra da Igualdade Racial!

Veja - São Paulo/SP - BLOGS E COLUNISTAS - 07/06/2011 - 17:57:00




O governador Sérgio Cabral, como a gente sabe, é o preferido das chamadas minorias que querem se comportar como maioria. Já defendeu a descriminação da maconha, acha o aborto como uma forma de diminuir a violência e a miséria, freqüenta as paradas gays e, na segunda-feira, assinou um decreto que reserva 20% das vagas em concursos públicos estaduais a candidatos que se autodeclarem negros ou indígenas.
Cabral não gosta muito da minoria dos bombeiros. Aí, se preciso, como diria o presidente João Figueiredo, ele prende e arrebenta. Para atacar Anthony Garotinho, também andou reclamando do “fundamentalismo” evangélico. Mas voltemos.
O governador decidiu instituir a cota sem dar pelota para a Assembléia Legislativa, por exemplo. Pra quê? Se os “movimentos sociais” querem… Cabral não teve o cuidado nem mesmo de mesclar o critério chamado “racial” com qualquer outro — o social, por exemplo. Eu me oponho a qualquer cota, deixo claro.
É evidente que se trata de um agressão à Constituição Federal. Mas quem há de recorrer? Não será o Ministério Público, certo? Qualquer outra entidade que o fizesse correria o risco de ser tachada de “racista”. Como o critério é autodeclaratório, não cabe a uma comissão do governo decidir: “Não! Você não é negro”. Aliás, se o fizesse, lembraria um comitê nazista…
A ministra da Igualdade Racial, Luíza Helena de Bairros, achou a decisão de Cabral o “ó” do borogodó e deu a seguinte declaração, cujo alcance estou tentando entender até agora:
“Na medida em que o senso demográfico mostra que existe uma maioria negra na sociedade, não podemos deixar que haja espaços reservados às pessoas brancas. A composição racial do País deve estar representada em todas as esferas.”
É mentira! O censo demográfico de 2010 aponta que são negros 6,3% dos brasileiros; autodeclaram-se “pardos” 43,2%; dizem-se brancos 49,9%; os índios são 0,4%, e os amarelos, 0,5%. Uma ministra da “Integração Racial” que decide seqüestrar os “negros” para a “categoria” dos “pardos” se autodeclara intelectualmente.

Continua...

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

6 de jun de 2011

Violação de Símbolos de Nossa Resistência

A sociedade brasileira reage com violência física, patrimonial e simbólica à qualquer possibilidade de reparação e promoção da igualdade, por menor que seja. As repostas são realmente muito violentas.

São exemplos o racismo cotidiano, a atuação da força policial que sabe identificar os tipos suspeitos, a declaração de autos de resistências para encobrir homicídios por motivação racista e eugênica, a pichação de monumentos e patrimônio material e imaterial da população negra.

São vários exemplos que estão em nosso cotidiano, só nestes primeiros 6 meses de 2011. Pichação de monumentos, invasão em quilombos, tentativas de derrubada de Decretos que protegem as comunidades quilombolas, as situações de racismo em bancos, supermercados, lojas, shopping's, além da prática cotidiana de racismo institucional de muitas das nossas instituições governamentais.

Funcionário limpa monumento a Zumbi dos Palmares, no Rio
Que esta pichação na estátua de Zumbi dos Palmares, símbolo nacional e memorial de nossa história resistência, ancestralidade e identidade sirva de exemplo de que nossa luta não deve parar. De que devemos nos manter juntos e defendendo ideais os mais sensatos para nosso povo.

Nesta ano em que se ausenta de nosso meio o grande Abdias do Nascimento, que atitudes racistas como esta sejam superadas. Que seja defendido nossos monumentos!!! Que sejam protegidos nosso legado!!!

Agnaldo Neiva

Fonte da imagem: Divulgação-5.jun.11/Prefeitura do Rio - http://www.rio.rj.gov.br

Rio cria cota para negros e índios em concursos públicos

O governador Sérgio Cabral (PMDB) assinou nesta segunda decreto que cria cotas de 20% para negros e indígenas em concursos públicos para órgãos do Poder Executivo e entidades da administração do Estado do Rio.

"A paisagem do serviço público brasileiro vai começar a mudar a partir do Estado do Rio de Janeiro. Queiramos um dia que essa política não seja necessária, mas ela é necessária para gerar mais oportunidades. Só dessa maneira nós vamos gerar um país desenvolvido", afirmou.

Cabral vinculou a pichação de um monumento a Zumbi dos Palmares, no centro do Rio, à assinatura do decreto.

Funcionário limpa monumento a Zumbi dos Palmares, no Rio


"Os racistas não param. Me vêm e picham a imagem de Zumbi. Pois ela já está limpa, e o decreto está assinado."

O decreto, que entra em vigor em 30 dias, não exime negros e indígenas de obterem as notas mínimas estipuladas para cada concurso.

Caso faltem candidatos nessa condição, as vagas serão redistribuídas para não cotistas. A legislação tem vigência inicial de dez anos, ao cabo dos quais passará por uma reavaliação que determinará se é necessário estendê-la ou não.

Fonte: 

Observatório do Racismo Virtual no Twitter

Me rendi ao microblog... enfim. 
Para seguir @oracismovirtual

5 de jun de 2011

Pegando na veia do racismo no Brasil

Por Luiz Weis em 24/05/2011 no Blog Desativado


(...)



Neste último fim de semana, tivemos um exemplo da diferença que faz quando um jornal pega na veia de um daqueles assuntos a partir dos quais uma sociedade se enxerga melhor a si mesma.
É o especial da Folha de domingo sobre racismo: 16 páginas sem um único anúncio, atualizando a sua primeira grande incursão pelo problema – o caderno, publicado em 1995, chamado “Racismo Cordial”.
O de agora – “O Racismo Confrontado” – também se baseia numa pesquisa do Datafolha sobre as atitudes declaradas dos brasileiros a respeito das relações entre brancos e negros. Embora obviamente preparado antes, saiu três dias depois que a Câmara dos Deputados aprovou projeto de cotas para negros, pardos e indígenas que tenham feito o ensino médio em escola pública nas universidades federais brasileiras.
A primeira “notícia” da pesquisa é que caiu dramaticamente, de 11% para 3%, a proporção daqueles que assumem o seu preconceito em relação aos negros, enquanto permaneceu estável (na casa de 90%) o contingente dos que acham que o brasileiro têm preconceito de cor.
Foi como se tivessem dito: “Eu não, mas os outros sim.” Está claro que as pessoas ficaram mais inibidas em manifestar o seu preconceito. A hipocrisia, dizem os franceses, é a homenagem que o vício presta à virtude. Mais disfarçado, o preconceito se rende ao fato de que o racismo é inaceitável.
Também caíram consistentemente as porcentagens de concordância com frases racistas, do tipo “Negro bom é negro de alma branca” (de 47% para 26%) ou “As únicas coisas que os negros sabem fazer bem são música e esporte” (de 43% para 20%).
A outra importante revelação do levantamento é que desta vez só 37% dos entrevistados – ante 50% em 1995 – se declaram brancos. Os “pardos” aumentaram de 29% para 36%, os “pretos” continuam o que eram (12% na primeira pesquisa, 14% agora).
Continua...