18 de fev. de 2010
As lutas não são poucas... na Bahia então...
Coisas de um país não preconceituoso
por Daniel Campos*
Em 2003, a juíza Luislinda Dias Valois dos Santos proferiu a primeira sentença brasileira baseada na Lei do Racismo.
Deu ganho de causa a uma negra acusada de ter roubado um frango e dois sabonetes da principal rede de supermercados da Bahia.
Declarada a sentença, Luislinda foi ameaçada de morte. Mas isso não era novidade na vida da primeira juíza negra do Brasil.
Negra, mulher, divorciada, nordestina e de origem pobre, ela costuma dizer que se for morta seu assassino será o racismo.
Tinha nove anos quando um professor lhe disse que seu lugar era na cozinha de uma branca.
Ao ser aprovada no concurso público para procuradora, uma Bahia comandada por coronéis brancos mandou-a para Curitiba.
Para regressar, passou no concurso da Justiça Estadual da Bahia e foi exilada em uma comarca sem luz, telefone e água encanada. De pronto, foi avisada de que, mais dia menos dia, seria morta.
Fez um curso de justiça célere na Austrália e, ao aplicar esse processo por aqui, quiseram saber o que ela ganhava julgando com rapidez.
Advogados já pediram cancelamento de audiência ao saber que a juíza não era branca. Muitos ainda se perguntam o que aquela mulher de rastafári vermelho faz sentada na cadeira do juiz.
Certo dia entrou em um banco e foi chamada e tratada como bandida pelos seguranças. Depois de alguns sustos, passou a ter cuidado com a água que bebe e com o percurso que faz diariamente.
Foram muitas as intimidações para que ela renunciasse à magistratura.
Como não conseguiram matá-la fisicamente, fecharam-lhe todas as portas do Judiciário. Sem se intimidar, passou a fazer audiências na periferia, nos alagados, nos quilombos.
De barco, ônibus ou a pé, a juíza tentou levar justiça à população mais carente.
Porém, foi duramente censurada. Até mesmo do premiado projeto Balcões de Cidadania, do qual foi idealizadora e coordenadora, foi afastada.
Mesmo ganhando diversos prêmios e homenagens, Luislinda é tida, dentro do meio, como uma juíza menor.
Ela tem certeza de que muito do problema do preconceito está dentro do Judiciário, ainda branco e machista.
No Brasil, pouco mais de 1% dos juízes se declaram negros e a maioria, principalmente nas instâncias superiores, é do sexo masculino.
Aos 67 anos, a filha de Iansã tem todos os requisitos necessários para se tornar desembargadora.
Só que Luislinda não precisa jogar búzios, ler cartas ou freqüentar o terreiro de mãe Bebé para saber que ninguém a quer como desembargadora. Como juíza, já incomoda muita gente.
* Daniel Campos é poeta, escritor, jornalista, pós-graduado em Comunicação Criativa pela ABJL e autor do portal de literatura e poesia http://www.danielcampos.biz
por Daniel Campos*
Em 2003, a juíza Luislinda Dias Valois dos Santos proferiu a primeira sentença brasileira baseada na Lei do Racismo.
Deu ganho de causa a uma negra acusada de ter roubado um frango e dois sabonetes da principal rede de supermercados da Bahia.
Declarada a sentença, Luislinda foi ameaçada de morte. Mas isso não era novidade na vida da primeira juíza negra do Brasil.
Negra, mulher, divorciada, nordestina e de origem pobre, ela costuma dizer que se for morta seu assassino será o racismo.
Tinha nove anos quando um professor lhe disse que seu lugar era na cozinha de uma branca.
Ao ser aprovada no concurso público para procuradora, uma Bahia comandada por coronéis brancos mandou-a para Curitiba.
Para regressar, passou no concurso da Justiça Estadual da Bahia e foi exilada em uma comarca sem luz, telefone e água encanada. De pronto, foi avisada de que, mais dia menos dia, seria morta.
Fez um curso de justiça célere na Austrália e, ao aplicar esse processo por aqui, quiseram saber o que ela ganhava julgando com rapidez.
Advogados já pediram cancelamento de audiência ao saber que a juíza não era branca. Muitos ainda se perguntam o que aquela mulher de rastafári vermelho faz sentada na cadeira do juiz.
Certo dia entrou em um banco e foi chamada e tratada como bandida pelos seguranças. Depois de alguns sustos, passou a ter cuidado com a água que bebe e com o percurso que faz diariamente.
Foram muitas as intimidações para que ela renunciasse à magistratura.
Como não conseguiram matá-la fisicamente, fecharam-lhe todas as portas do Judiciário. Sem se intimidar, passou a fazer audiências na periferia, nos alagados, nos quilombos.
De barco, ônibus ou a pé, a juíza tentou levar justiça à população mais carente.
Porém, foi duramente censurada. Até mesmo do premiado projeto Balcões de Cidadania, do qual foi idealizadora e coordenadora, foi afastada.
Mesmo ganhando diversos prêmios e homenagens, Luislinda é tida, dentro do meio, como uma juíza menor.
Ela tem certeza de que muito do problema do preconceito está dentro do Judiciário, ainda branco e machista.
No Brasil, pouco mais de 1% dos juízes se declaram negros e a maioria, principalmente nas instâncias superiores, é do sexo masculino.
Aos 67 anos, a filha de Iansã tem todos os requisitos necessários para se tornar desembargadora.
Só que Luislinda não precisa jogar búzios, ler cartas ou freqüentar o terreiro de mãe Bebé para saber que ninguém a quer como desembargadora. Como juíza, já incomoda muita gente.
* Daniel Campos é poeta, escritor, jornalista, pós-graduado em Comunicação Criativa pela ABJL e autor do portal de literatura e poesia http://www.danielcampos.biz
E quem disse que Chapeuzinho Vermelho não pode ser negra?
Paulo de Tássio Borges da Silva1
Pedagogo, especialista em Sociologia
E-mail: paulo_tassio@correios.net.br
RESUMO: A presente tessitura nasce a partir de uma experiência vivenciada num espaço educativo não-formal com crianças de idade entre 5 e 6 anos. O trabalho teve como objetivo problematizar o preconceito racial presente nos contos infantis e provocar uma desconstrução do mesmo a partir das vozes, dos gestos, olhares e performances das crianças. O mesmo se desenvolveu na perspectiva qualitativa sob o enfoque etnográfico, utilizando-se da metodologia do teatro aplicado à educação.
PALAVRAS-CHAVES: Educação não-formal; criança; conto infantil.
ABSTRACT: This fabric comes from an experience within a non-formal education to children aged between 5 and 6 years. The work aims to discuss the racial bias present in children’s stories and cause deconstruction of it from the voices, gestures, looks and performances of children. The same is developed in a qualitative way in the ethnographic approach, using the methodology applied to the theater education.
KEY- WORDS: Non-formal education; children; children’s story.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/documentos/Chapeuzinho_vermelho_negra.pdf
1. Pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Educação, Educação Escolar Indígena e Interculturalidade: Experiências entre os Povos indígenas Tupinambá, Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe e do Órgão de Educação e Relações Étnicas com Ênfase em Culturas Afro-Brasileiras - ODEERE da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -UESB.
Blog Nota 10 da Revista África e Africanidades - GANHADORES
Resultado do Concurso / Edição 2009.
O concurso teve por objetivo selecionar os melhores Blogs nas categorias Blog Nota 10 – África e Africanidades, destinada a blogueiros e Blog do Professor Nota 10 África e Africanidades tendo como critérios conteúdo, criatividade, apresentação, quantidade de postagens e de comentários. Para a categoria Blog do Professor Nota 10 - África e Africanidades ainda foram avaliados as participações de alunos e outros membros da comunidade escolar no projeto que deu origem ao blog.
Entre os diversos inscritos na categoria Blog do professor Nota 10 apenas o Blog do Projeto África, projeto da professora Ana Paula Mogetti Ferraz, do Colégio Estadual Barão de Itacurussá, no Rio de Janeiro contemplou todos os pré-requisitos. Muitos professores inscreveram seus blogs individuais que não estavam inseridos num projeto pedagógico.
O projeto Blog do Projeto África ainda destacou-se pela multidisciplinaridade, integração com a comunidade, o que possibilitou momentos de diálogos entre o universo escolar, grupos culturais, intelectuais e representantes do Movimento Negro.
Na categoria blogueiro a seleção também foi muito difícil pela variedade e qualidade dos participantes. Os ganhadores foram
1º Lugar: Blog Literatura Suburbana
2º Lugar: Blog da Associação Crianças Raízes do Abaeté
3º Lugar: Blog Memorial Lélia Gonzalez - Continente África
Em breve a revista publicará maiores informações sobre cada um dos blogs ganhadores.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/
O concurso teve por objetivo selecionar os melhores Blogs nas categorias Blog Nota 10 – África e Africanidades, destinada a blogueiros e Blog do Professor Nota 10 África e Africanidades tendo como critérios conteúdo, criatividade, apresentação, quantidade de postagens e de comentários. Para a categoria Blog do Professor Nota 10 - África e Africanidades ainda foram avaliados as participações de alunos e outros membros da comunidade escolar no projeto que deu origem ao blog.
Entre os diversos inscritos na categoria Blog do professor Nota 10 apenas o Blog do Projeto África, projeto da professora Ana Paula Mogetti Ferraz, do Colégio Estadual Barão de Itacurussá, no Rio de Janeiro contemplou todos os pré-requisitos. Muitos professores inscreveram seus blogs individuais que não estavam inseridos num projeto pedagógico.
O projeto Blog do Projeto África ainda destacou-se pela multidisciplinaridade, integração com a comunidade, o que possibilitou momentos de diálogos entre o universo escolar, grupos culturais, intelectuais e representantes do Movimento Negro.
Na categoria blogueiro a seleção também foi muito difícil pela variedade e qualidade dos participantes. Os ganhadores foram
1º Lugar: Blog Literatura Suburbana
2º Lugar: Blog da Associação Crianças Raízes do Abaeté
3º Lugar: Blog Memorial Lélia Gonzalez - Continente África
Em breve a revista publicará maiores informações sobre cada um dos blogs ganhadores.
Fonte: http://www.africaeafricanidades.com/
3 de fev. de 2010
Campanha Nacional AFIRME-SE! Pela Manutenção no STF das Políticas de Ação Afirmativa.
Prezado(a) Representante de Entidade/Instituição do Movimento Social, Movimento Negro, Movimento Indígena, Movimento Homossexual, Movimento Quilombola e demais:
Gostaríamos de contar com sua presença, representando vossa instituição, em reunião Plenária de articulação da campanha nacional AFIRME-SE! Pela Manutenção no STF das Políticas de Ação Afirmativa. Em Salvador a plenária acontece na próxima quinta-feira, dia 4 de fevereiro, das 18h às 20h, na Sala Luiz Orlando na Biblioteca Central dos Barris. Diversas entidades dos movimentos sociais, negro e indígena, estão sendo convidadas a participar.
Data: quinta-feira, 4/02/2010, às 18h
Local: Biblioteca Central dos Barris - Salvador/BA
Por Fernando Conceição*
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'A senhora é deputada?' - Um caso de discriminação racial
Negra e militante de movimentos sociais, a deputada federal Janete Pietá (PT-SP) foi vítima de discriminação racial por parte de uma funcionária do cerimonial da Presidência da República, na terça-feira 26, em Brasília, durante o lançamento dos programas Bolsa Copa e Bolsa Olímpica, pelo presidente Lula. A deputada foi barrada ao tentar entrar no evento, no auditório do Ministério da Justiça. Ela pegou a fila para retirar o pin que lhe daria acesso ao espaço destinado aos parlamentares e, ao se apresentar, a funcionária a olhou de cima a baixo e exclamou: “A senhora, deputada??? !!!... Eu nunca lhe vi nos eventos presidenciais”.
Pietá ainda comentou, calmamente, que a representante do cerimonial não era obrigada a conhecer os 513 deputados do Congresso, mas deveria, ao menos, saber identificar o seu broche de parlamentar utilizado na lapela. Mas não adiantou. Fundadora do PT, a deputada disse ter sentido dor e humilhação. “Como uma mulher afrodescendente, que ousa fazer um penteado afro, de tranças rasteiras, que não chega arrogante, pode ser deputada? Está mentindo, então!”, protesta Pietá.
A deputada procurou o responsável pelo cerimonial. “De longe, vi a funcionária me olhando com desprezo”, afirmou. Segundo o cerimonial, a funcionária, não identificada, era contratada por uma empresa terceirizada e seria demitida. Pietá intercedeu: “Não precisa ser demitida. Quero que ela aprenda a respeitar as pessoas e não discriminar ninguém”.
Leia, abaixo, o artigo que a deputada escreveu para o site de CartaCapital:
Invisibilidade secular
Chove em Brasília e na minha face correm lágrimas. Não há consolo para julgamento sumário. Saí com vida, porém a dor, a humilhação, a indignação cidadã me corroem a alma. Em pleno século XXI sinto o açoite da chibata. As diferenças que ferem a cidadania. O milenar olhar de superioridade e de indicação da porta da cozinha ou da senzala. Como uma mulher afrodescendente, que ousa fazer um penteado afro, de tranças rasteiras, que não chega arrogante, olhando de cima, ostentando brancura, ouro, e cercada de um séquito de assessores, é deputada federal!?.. Não pode ser deputada. Está mentindo! Não lhe permito o acesso e com olhar soberbo a humilho frente à platéia que espera a vez de passar pela revista para acessar o evento com a presença do presidente da República. Tenho poder de julgar, esnobar e colocá-la no seu devido lugar. Tenho o poder de poder oprimir deste lugar em que estou, vestida e investida de autoridade.
Cumpri todas as formalidades de quem acessa ao evento. Entrei na fila, esperei minha vez para buscar meu pin de acesso às cadeiras de deputados(as). A única regalia para nós deputadas é não passar pela
revista da bolsa e sabe-se como é uma bolsa de mulher... Aliás, hoje quando vou ao Banco também deixo minha bolsa nos armários que ficam do lado de fora. É sempre catastrófico, chaves, celulares, moedas, sombrinha... e a porta eletrônica a trancar e apitar. Eis a mulher que me olhou de cima e me ouviu dizer as palavras inacreditáveis, em tom baixo quase coloquial: “Sou deputada federal”. Ao que ela me interpelou severa: “A senhora, deputada!!!???... Eu nunca lhe vi nos eventos presidenciais!” Calmamente respondi: “A senhora não é obrigada a conhecer os 513 deputados e deputadas, mas como pessoa do cerimonial deveria olhar para minha lapela e reconhecer meu broche de deputada, cartão de visitas aqui e em qualquer ministério”. Ao que me respondeu com grande autoridade: “Sou do cerimonial da presidência”. Ao que respondi: “Vou procurar o responsável pelo cerimonial”. Fui, e ela de longe me olhava com desprezo. Depois descobri que era terceirizada, o que é secundário pelo que o feito revela.
Sei que hoje uma parlamentar que zela por ser séria tem que enfrentar desprezo e zombarias por causa dos que não se comportam com ética, e porque em regra tudo acaba em pizza (ou panetone). É doloroso, porém, esse sentimento generalizado contra os políticos, uma vez que boa parte dos que se elegem são pessoas sérias. Mas a secular discriminação racial e social contra aqueles que foram oprimidos e seus descendentes, ainda mais por quem tem a tarefa de recepcionar na República, é muito mais dolorosa. É intolerável. É de chorar, como chorei copiosamente depois.
A cerimônia, com a presença do presidente Lula, governador e prefeito do Rio, ministros da Justiça, Esporte, Turismo e da Casa Civil, era para apresentar mais um passo num novo paradigma de segurança pública, um avanço para a categoria policial militar, que através da Bolsa Copa e da Bolsa Olímpica trará capacitação e aumento do soldo dos profissionais de segurança e bombeiros envolvidos nas operações de
segurança nas sedes dos dois eventos esportivos. Certamente fará parte da capacitação dos agentes de segurança destacar a chaga da discriminação racial no Brasil e os caminhos para evitá-la.
Nós, negros e negras do Brasil, temos o direito à visibilidade e ao respeito em qualquer lugar. Chega de julgamentos sumários, negados quando se exerce o direito de defesa, mas reiterados pelo silencioso e frio olhar seguinte. Chega de ter que fazer sincretismos para sermos aceitos pela casa grande. Chega de invisibilidade forçada.
Acreditem, somos menos de 5% de deputados e deputadas federais negros. É hora de o Senado aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, que teve que ser muito atenuado para passar na Câmara. É hora de uma nova educação para aplicar o princípio constitucional de que todos somos iguais. É hora de não se conformar, de protestar em cada caso, num mutirão prático-educativo assumido por dezenas de milhões de negros e negras. Lembrar que assim como lugar de operário também é na presidência da República, nos ministérios, no Parlamento, o lugar do negro e da negra é em qualquer lugar de poder: na política, na
administração, no judiciário... A maioria da nação, negros e negras, quer a visibilidade a que tem direito. E, por suposto, quer respeito.
Janete Rocha Pietá
Mulher e militante negra, política fundadora do PT e atualmente deputada federal pelo PT-SP
Marcio Alexandre M. Gualberto
2 de fev. de 2010
"O direito a discutir o racismo é apenas do negro"
REVISTA RAÇA - Páginas Pretas
Entrevistada: Luislinda Valois
por Maurício Pestana
Aspectos históricos, sociais e raciais devem ser levados em conta pelo juiz quando o réu é negro? - Não. Acredito que a lei deve ser aplicada sem importar a raça, a situação social ou econômica. Agora o que observamos é que sempre o negro é condenado. Eu digo sempre que se não tiver a quem condenar, condena-se o negro, mesmo que ele ainda esteja na barriga da mãe.
Entrevistada: Luislinda Valois
por Maurício Pestana
"Parece que somos iguais , mas só somos iguais na constituição brasileira e nas constituições estaduais . Mas no dia -a-dia , nos cargos e nas oportunidades não somos iguais a ninguém, só somos iguais aos leigos, única e exclusivamente"
Aos 9 anos de idade, a então menina Luislinda Valois passou por uma situação muito difícil na escola. Um professor havia pedido aos alunos esquadros de plástico para a realização de um trabalho. O pai da menina só pôde comprar um de madeira. O professor, irritado, a mandou ir para "a casa da branca, que deixasse de estudar e que lá fizesse uma feijoada". A vergonha da ocasião foi um estímulo para que Luislinda estudasse ainda mais para quando estivesse formada, voltasse e prendesse o professor racista.
Era a sua primeira sentença!
Hoje, a juíza baiana Luislinda Valois já soma excelentes trabalhos prestados à população - principalmente a mais carente - e 25 anos de profissão, tempo mais que suficiente para ser desembargadora, mas... "No judiciário a porta não é nem fechada, ela é lacrada. Eu, por algum motivo tive condições de chegar, mas percebo que existe uma certa rejeição, não à minha pessoa, mas ao problema do negro", relata esta mulher de poder, autora do livro O negro no século XXI. E ela não para por aí...
Dá para afirmar que existe discriminação no meio judiciário? - Não somente no meio judiciário! Eu sinto discriminação a todo instante e em todos os meios, é que nem sempre a gente pode e tem a oportunidade de falar. Somente agora que eu estou tendo essa chance de levar ao conhecimento público as situações que o negro passa, principalmente aqui na Bahia onde a discriminação e o racismo são bem mais acentuados do que nos demais estados da federação.
Pelo tempo de profissão (25 anos) era para a senhora ser desembargadora. O negro tem mais dificuldades na promoção também na Justiça brasileira? - Não restam dúvidas, no judiciário a porta não é nem fechada, ela é lacrada. Eu, por algum motivo tive condições de chegar, mas percebo que existe uma certa rejeição, não à minha pessoa, mas ao problema do negro. Porque nós temos aqui 35 desembargadores e apenas 1 é negro. Todos sabem que existem outros magistrados não negros que chegaram à magistratura bem depo de mim e que já são desembargadores. Outros chegaram à capital no ano passado e já foram convocados para o Tribunal de Justiça da Bahia. E eu, sequer fui convocada, para substituir alguém. E tenho 25 anos de serviço!
Acredita que na Bahia é mais difícil para o negro entrar nessas áreas quase que blindadas na sociedade brasileira? - Com certeza, inclusive não somente no judiciário, no legislativo ou no executivo, mas nas empresas privadas também. Se você observar vai ver que no Polo de Camaçari existem muitas multinacionais, mas a maioria dos negros que trabalham lá estão em trabalhos minúsculos, inferiores, geralmente como comandados, como subalternos, jamais como altos executivos ou comandantes.
Pesquisas nos Estados Unidos revelam que a chance de um réu negro ser condenado é infinitamente maior do que um branco. Aqui no Brasil esses dados se assemelham? - Esses dados são mais graves, bem maiores, bem acentuados aqui no Brasil. Tive a oportunidade de ir em alguns presídios na Bahia e constatei: só existem jovens de 19 a 25 anos de idade e negros. É como se estivessem lá pedindo socorro e, mesmo que eles não tenham culpa formada, já estão ali condenados à morte de qualquer forma, porque estão condenados à morte realmente ou por falta de oportunidade. Mesmo que cumpram a pena, não vão ter a oportunidade de se reintegrarem à sociedade como desejamos.
Aspectos históricos, sociais e raciais devem ser levados em conta pelo juiz quando o réu é negro? - Não. Acredito que a lei deve ser aplicada sem importar a raça, a situação social ou econômica. Agora o que observamos é que sempre o negro é condenado. Eu digo sempre que se não tiver a quem condenar, condena-se o negro, mesmo que ele ainda esteja na barriga da mãe.
Como o Judiciário pode melhorar a atuação nos casos raciais? - Com um maior número de julgadores negros. Nós sabemos o que os nossos irmãos de raça sofrem, porém, isso não basta. É necessária uma maior divulgação do que o negro passa, porque se esconde muito o racismo existente e a discriminação. Isso precisa aflorar para que os magistrados conheçam a realidade do negro no Brasil. Parece que somos iguais, mas só somos iguais na constituição brasileira e nas constituições estaduais. Mas no dia-a-dia, nos cargos e nas oportunidades não somos iguais a ninguém, só somos iguais aos leigos, única e exclusivamente.
O que te motivou a entrar para a magistratura? - Aos 9 anos passei por uma situação muito difícil, que se fosse outra pessoa teria parado por ali e aceitado a proposta como de grande valia. Um professor pediu para fazer um trabalho escolar e precisava ser feito em esquadro de plástico. Meu pai comprou um de madeira e quando levei à escola, o professor disse que não foi aquele material que ele havia pedido. Então, respondi a ele: "Mas esse foi o material que o meu pai pôde comprar..." E ele me respondeu: "Se seu pai não pôde comprar o seu material de desenho, vá para a casa da branca, deixe de estudar e lá vá fazer uma feijoada..." Saí correndo da sala morta de vergonha, fiquei pelo pátio, depois voltei e disse ao professor: "Não vou fazer feijoada na casa da branca. Vou ser juíza e volto aqui para te prender..." A partir daquele dia coloquei na minha mente que aquilo não era nada de ruim para mim, era um estímulo para eu estudar mais, mais e mais. Na minha cabeça eu tinha que voltar para dizer a ele que eu era juíza e prendê-lo.
"Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira estavaa sentada uma advogada, loira por sinal . Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar . Aí ela respondeu: Não senhora, esta cadeira é do juiz. Eu disse: Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. e a juíza sou eu"
Há mais de duas décadas o racismo é crime inafiançável no Brasil, mas não tem ninguém preso por isso. A lei é muito dura ou a justiça é muito branda nos casos raciais? - Repito: faltam juizes negros para ver que o racismo realmente está arraigado nas pessoas! Quem não é negro não sentiu na pele, não passou pelo que nós passamos. Eu digo que para as pessoas saberem o que é ser negro no Brasil basta "ficar negro por 48 horas", se for possível. Claro que isso não é possível, então acredito sempre que as sentenças colocam o autor do crime de racismo numa situação mais branda, não como crime inafiançável. Daqui a pouco teremos essa oportunidade, até porque os negros estão levantando com sua competência e sua capacidade, dizendo: "Olha, nós estamos aqui, não se mede as pessoas pela raça, então deixem-nos em paz, queremos viver com nossos direitos assegurados, garantidos e reconhecidos". O direito a discutir o racismo é apenas do negro.
Certa vez fiz um cartum onde um advogado chega na corte e pergunta para uma mulher negra: "Onde está o juiz?". Já passou por situação semelhante? - Em determinado dia cheguei cedo, pois meu pai sempre me ensinou que horário existe para ser cumprido, então chego antes da audiência, do horário de expediente. Sentei na secretaria e comecei a ajudar o pessoal a juntar os documentos e os processos. Entrou uma advogada loira e disse: "O juiz vem hoje?". Sinalizei para uma das funcionárias não dizer nada. Aí a advogada disse que o juiz não chegava e começou a criticar... E eu esperando ali, quando deu o horário da audiência, coloquei a toga e aguardei, mandei fazer o pregão. Quando a advogada chegou e me viu - negra e de cabelo rastafari. E ela, tendo feito aquelas colocações que havia feito anteriormente, ficou perdida. Tive pena da moça e disse a ela: "Doutora, a senhora está um pouco nervosa e tensa. Esperava aqui um juiz e, se fosse uma juíza, não seria uma negra com o cabelo rastafari vermelho". Ela negou e eu marquei a audiência para o dia seguinte com a aprovação da parte contrária.
Aconteceram mais casos como este? - Vários! Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira - digo a minha cadeira, pois eu sou a juíza de lá no momento - estava sentada uma advogada, loira por sinal. Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar. Aí ela respondeu: "Não senhora, esta cadeira é do juiz". Eu disse: "Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. E a juíza sou eu". A advogada em questão ficou me olhando, duvidando que eu fosse a juíza e continuou sentada. Pediu um "minutinho" e eu disse que não tinha um, porque não existe diminutivo de minuto. Pedi, por favor, para ela se levantar, pois eu precisava trabalhar e era a juíza. Ela ainda ficou meio perdida, sem saber se levantava da cadeira ou não. Aí falei: "Se a senhora não se levantar vou chamar o oficial que está lá fora". Ela começou a olhar para o meu cabelo e esqueceu de se levantar. Me aproximei, encostei na cadeira e fiquei esperando. A advogada ficou com vergonha e após esse impacto todo, desnecessário, é que se levantou e eu sentei.
A maioria desses casos foi em seu ambiente de trabalho? - Um deles foi no avião. Eu de férias e disseram que o voo não sairia. Perguntei o motivo e me disseram que eu estava sentada no lugar de um militar. Eu disse que comprei a minha passagem com o meu dinheiro, que não foi uma doação. Pediram para que eu me identificasse, quando mostrei a carteira pediram desculpas, ofereceram refrigerante, café. Eu disse que nunca mais iria viajar por aquela empresa. São essas situações que passamos a todo instante como magistrada! Outra vez foi com o meu filho que é promotor de justiça do Estado de Sergipe. Compramos uma caminhonete e fomos abordados na estrada. Pensaram que éramos assaltantes porque estávamos com a caminhonete 0 km, ainda sem placa. Fomos parar no posto policial. Uma situação muito constrangedora: presumiram que dois negros dentro de uma caminhonete cabine dupla eram assaltantes. Tem outras situações, mas que eu até prefiro esquecer.
Fale um pouco sobre a justiça itinerante, um projeto inovador que serviu de exemplo para outras partes do país. - Esse projeto foi o seguinte: eu era coordenadora do juizado e cheguei em Brasília para participar de um encontro e percebi que poderia criar projetos para levar a justiça célere para as comunidades mais distantes das capitais. De pronto consegui uma verba, não o dinheiro em espécie. Assinei o primeiro projeto terrestre que denominamos de Justiça bairro a bairro. Depois, voltando a Brasília já existia uma verba para outro projeto que é o Balcão Justiça e Cidadania. Não perdi tempo, é bom aproveitar as oportunidades. Quando voltei à Bahia conversei com o então presidente do Tribunal e ele disse: "Faça o projeto e vamos aproveitar". Nós fizemos, o lançamento foi maravilhoso e o pessoal de Direito e Planejamento do Tribunal me ajudou muito. Nós implantamos para também desafogar um pouco a Justiça que está cheia de processos que não se resolvem, pois o número de juízes é pequeno e a demanda, depois da constituição de 1988, ficou muito grande. Por meio dos balcões de Justiça e Cidadania se leva todo o tipo de serviço para o cidadão: carteira de identidade, exame médico... Até tirar fotografia eu consegui, ensinar como se alimentar, se vestir. Não se vestir no sentido amplo, mas sem gastar muito, com elegância, corte de cabelo. E também técnicas de mediação de conflitos e a solução desses conflitos.
Este projeto também foi levado para o interior? - .Implantei aqui na Bahia e, depois que passei a ser coordenadora deste Balcão de Justiça e Cidadania, levei para o interior, principalmente no baixo sul, com a colaboração do Dr. Norberto Odebrecht, que foi um grande amigo de meu pai. Ele disse que me ajudaria neste sentido e quando cheguei lá descobri umas comunidades quilombolas. Para mim foi fantástico e ainda criei dentro destes balcões de Justiça e Cidadania o Balcão Itinerante no baixo sul, onde nos deslocávamos através de canoas e barcos para chegar nas comunidades quilombolas, porque como você deve saber são comunidades bem distantes, longe de tudo e de todos. Criei este projeto, instalei e hoje ele está em diversos lugares. Graças a Deus tem tanto êxito que está sendo copiado.
O que precisamos fazer para mudar, diminuir e enfrentar a discriminação? - Sem dúvida o Brasil tem tido um prejuízo muito grande perdendo verdadeiros gênios só porque são negros. Eles não são bem acolhidos aqui, vão embora e quando chegam lá fora eles fluem e não retornam. O prejuízo é sempre nosso, não é do físico do Brasil, mas enquanto população! Nós precisamos conscientizar de que todos somos iguais, todos nós pagamos impostos e que nós temos nossos direitos
Certa vez fiz um cartum onde um advogado chega na corte e pergunta para uma mulher negra: "Onde está o juiz?". Já passou por situação semelhante? - Em determinado dia cheguei cedo, pois meu pai sempre me ensinou que horário existe para ser cumprido, então chego antes da audiência, do horário de expediente. Sentei na secretaria e comecei a ajudar o pessoal a juntar os documentos e os processos. Entrou uma advogada loira e disse: "O juiz vem hoje?". Sinalizei para uma das funcionárias não dizer nada. Aí a advogada disse que o juiz não chegava e começou a criticar... E eu esperando ali, quando deu o horário da audiência, coloquei a toga e aguardei, mandei fazer o pregão. Quando a advogada chegou e me viu - negra e de cabelo rastafari. E ela, tendo feito aquelas colocações que havia feito anteriormente, ficou perdida. Tive pena da moça e disse a ela: "Doutora, a senhora está um pouco nervosa e tensa. Esperava aqui um juiz e, se fosse uma juíza, não seria uma negra com o cabelo rastafari vermelho". Ela negou e eu marquei a audiência para o dia seguinte com a aprovação da parte contrária.
Aconteceram mais casos como este? - Vários! Recentemente cheguei ao juizado para trabalhar e em minha cadeira - digo a minha cadeira, pois eu sou a juíza de lá no momento - estava sentada uma advogada, loira por sinal. Disse a ela para me ceder o lugar que eu precisava trabalhar. Aí ela respondeu: "Não senhora, esta cadeira é do juiz". Eu disse: "Esta cadeira é do juiz, mas neste momento ela é da juíza. E a juíza sou eu". A advogada em questão ficou me olhando, duvidando que eu fosse a juíza e continuou sentada. Pediu um "minutinho" e eu disse que não tinha um, porque não existe diminutivo de minuto. Pedi, por favor, para ela se levantar, pois eu precisava trabalhar e era a juíza. Ela ainda ficou meio perdida, sem saber se levantava da cadeira ou não. Aí falei: "Se a senhora não se levantar vou chamar o oficial que está lá fora". Ela começou a olhar para o meu cabelo e esqueceu de se levantar. Me aproximei, encostei na cadeira e fiquei esperando. A advogada ficou com vergonha e após esse impacto todo, desnecessário, é que se levantou e eu sentei.
A maioria desses casos foi em seu ambiente de trabalho? - Um deles foi no avião. Eu de férias e disseram que o voo não sairia. Perguntei o motivo e me disseram que eu estava sentada no lugar de um militar. Eu disse que comprei a minha passagem com o meu dinheiro, que não foi uma doação. Pediram para que eu me identificasse, quando mostrei a carteira pediram desculpas, ofereceram refrigerante, café. Eu disse que nunca mais iria viajar por aquela empresa. São essas situações que passamos a todo instante como magistrada! Outra vez foi com o meu filho que é promotor de justiça do Estado de Sergipe. Compramos uma caminhonete e fomos abordados na estrada. Pensaram que éramos assaltantes porque estávamos com a caminhonete 0 km, ainda sem placa. Fomos parar no posto policial. Uma situação muito constrangedora: presumiram que dois negros dentro de uma caminhonete cabine dupla eram assaltantes. Tem outras situações, mas que eu até prefiro esquecer.
Fale um pouco sobre a justiça itinerante, um projeto inovador que serviu de exemplo para outras partes do país. - Esse projeto foi o seguinte: eu era coordenadora do juizado e cheguei em Brasília para participar de um encontro e percebi que poderia criar projetos para levar a justiça célere para as comunidades mais distantes das capitais. De pronto consegui uma verba, não o dinheiro em espécie. Assinei o primeiro projeto terrestre que denominamos de Justiça bairro a bairro. Depois, voltando a Brasília já existia uma verba para outro projeto que é o Balcão Justiça e Cidadania. Não perdi tempo, é bom aproveitar as oportunidades. Quando voltei à Bahia conversei com o então presidente do Tribunal e ele disse: "Faça o projeto e vamos aproveitar". Nós fizemos, o lançamento foi maravilhoso e o pessoal de Direito e Planejamento do Tribunal me ajudou muito. Nós implantamos para também desafogar um pouco a Justiça que está cheia de processos que não se resolvem, pois o número de juízes é pequeno e a demanda, depois da constituição de 1988, ficou muito grande. Por meio dos balcões de Justiça e Cidadania se leva todo o tipo de serviço para o cidadão: carteira de identidade, exame médico... Até tirar fotografia eu consegui, ensinar como se alimentar, se vestir. Não se vestir no sentido amplo, mas sem gastar muito, com elegância, corte de cabelo. E também técnicas de mediação de conflitos e a solução desses conflitos.
Este projeto também foi levado para o interior? - .Implantei aqui na Bahia e, depois que passei a ser coordenadora deste Balcão de Justiça e Cidadania, levei para o interior, principalmente no baixo sul, com a colaboração do Dr. Norberto Odebrecht, que foi um grande amigo de meu pai. Ele disse que me ajudaria neste sentido e quando cheguei lá descobri umas comunidades quilombolas. Para mim foi fantástico e ainda criei dentro destes balcões de Justiça e Cidadania o Balcão Itinerante no baixo sul, onde nos deslocávamos através de canoas e barcos para chegar nas comunidades quilombolas, porque como você deve saber são comunidades bem distantes, longe de tudo e de todos. Criei este projeto, instalei e hoje ele está em diversos lugares. Graças a Deus tem tanto êxito que está sendo copiado.
O que precisamos fazer para mudar, diminuir e enfrentar a discriminação? - Sem dúvida o Brasil tem tido um prejuízo muito grande perdendo verdadeiros gênios só porque são negros. Eles não são bem acolhidos aqui, vão embora e quando chegam lá fora eles fluem e não retornam. O prejuízo é sempre nosso, não é do físico do Brasil, mas enquanto população! Nós precisamos conscientizar de que todos somos iguais, todos nós pagamos impostos e que nós temos nossos direitos
Fonte: http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/138/imprime157507.asp
1 de fev. de 2010
30 de jan. de 2010
18 de jan. de 2010
Apoio à candidatura de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz
O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental – IARA – lançou no Brasil a indicação de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz (www.adami.adv. br e www.iara.org. br).
A indicação de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz de 2010 foi formalizada em Oslo pelo cientista político Clóvis Brigagão, fellow do Instituto Nobel e ex-presidente da Associação Internacional de Pesquisa da Paz.
A atual conjuntura internacional favorece a candidatura brasileira e o nome de Abdias Nascimento tem peso singular na área dos direitos humanos e da diversidade.
A candidatura precisa receber endossos de pessoas e instituições qualificadas (detalhes da qualificação abaixo). O endosso consiste de uma carta assinada e enviada por correio com cópia para o Ipeafro.
15 de jan. de 2010
Cônsul haitiano afirma que "o africano em si tem maldição"
No meio de uma tragédia de tamanho desproporcional ao país, pois já tem mais de 45 mil pessoas mortas, o seu Cônsul no Brasil, afirma que os lugares onte tem africano, nada pode dar certo. Ora, isto reflete sentimentos e visões sempre preconceituosas em relação à todos e todas nós. E ele se refere estritamente à religião. Imagine.
Para ver um vídeo que retrata fielmente o que ele falou, clique aqui.
Para ver um vídeo que retrata fielmente o que ele falou, clique aqui.
14 de jan. de 2010
Farça desfarçada [quem tem R$ pra pagar?]
Cerca de 88% dos municípios brasileiros já conta com infraestrutura para banda larga
Da RedaçãoMais de 2.500 municípios, o que corresponde a 88% do total no território brasileiro já têm infraestrutura para banda larga, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Anatel recebeu na terça-feira representantes do Ministério das Comunicações e do Planejamento, da Educação, além de membros da Casa Civil e das concessionárias de telefonia fixa para reunião sobre cumprimento das metas relacionadas à infraestrutura nos municípios e banda larga em escolas públicas.
Continua...
Da RedaçãoMais de 2.500 municípios, o que corresponde a 88% do total no território brasileiro já têm infraestrutura para banda larga, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Anatel recebeu na terça-feira representantes do Ministério das Comunicações e do Planejamento, da Educação, além de membros da Casa Civil e das concessionárias de telefonia fixa para reunião sobre cumprimento das metas relacionadas à infraestrutura nos municípios e banda larga em escolas públicas.
Continua...
7 de jan. de 2010
Retrospectiva da Exclusão Digital x Inclusão Digital

De acordo com os dados da PNAD 2008, é alto o número de brasileiros/as que não acessam a internet: 104,7 milhões! De acordo com a pesquisa, 33% não acham necessário; 32% não sabe como utilizá-la; 30% não tinham acesso a um computador. Em relação à distribuição territorial da exclusão digital, os estados de Alagoas [48%], Rondônia [43%] e Acre [47%]. Com a popularização do computador pessoal, os preços estão baixando, mas ainda assim não consegue ser vetor de aumento da inclusão digital. Sem perder de vista, que a posse ou uso do computador não necessariamente representa estar incluído digitalmente.
Fontes compiladas para esta matéria: http://www.fatimanews.com.br/canais/noticias/?id=94085
População Negra no Brasil já é 50,3%
Em um ano, a população brasileira ganhou 3,2 milhões de pessoas autodeclaradas pardas, enquanto viu desaparecer 450 mil brancos e 1 milhão de pretos. É o que indicam os dados deste ano da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Além do crescimento em números absolutos, os pardos aumentaram a sua participação na base populacional em termos percentuais.
Em 2007, a população residente no país era composta por 48,4% de pessoas brancas, 43,8% de pardas, 6,8% de pretas e 0,9% de amarelas e indígenas. Um ano depois, houve uma elevação de 1,3 ponto percentual na proporção de brasileiros declarados pardos e uma redução das populações pretas (0,7 ponto percentual) e brancas (0,8 ponto percentual).
As razões do "empardecimento" da população
Para especialistas, este fenômeno não deve ser atribuído apenas à variação da taxa de nascimentos e óbitos. Como a pesquisa é baseada na autodeclaração dos entrevistados e a noção de raça é uma construção social, esta variação pode ter raízes em questões subjetivas, ligadas ao sentimento de pertencer a uma determinada etnia, ao preconceito ou mesmo uma reação ao debate sobre políticas afirmativas no Brasil.
Continua...
Obs.: População Negra aqui no Blog é considerada a somatória dos dados das pessoas que se autodeclaram pardas e pretas, respectivamente 43,8% e 6,5%
Título original: Brasil perde brancos e pretos e ganha 3,2 milhões de pardos
Rodrigo Martins, Do UOL Notícias, Em São Paulo
5 de jan. de 2010
Retrospectiva do Racismo Virtual em 2009
Em 2009 tivemos um número de acontecimentos importantes para entendermos como precisamos concentrar esforços para organizar melhor o mundo virtual e fazer o enfrentamento a toda forma de intolerência, desrespeito, preconceito e racismos.
[CASO 1] A partir da retrospectiva de Atheniense (2009), podemos perceber que em relação ao racismo na Internet, tivemos a seguinte situação, que significou uma vitória contra o racismo:
"Em 2009 houve a primeira decisão da justiça brasileira que condenou um réu acusado da prática de crimes de racismo na rede mundial de computadores. A Justiça entendeu que o estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 23 anos, morador de Brasília, praticou o crime de racismo e preconceito contra a raça negra, ao fazer críticas ao sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília (UNB). O estudante escreveu em várias mensagens que divulgou pelo Orkut que \\\"os negros são burros, macacos subdesenvolvidos, fracassados, incapazes, ladrões, vagabundos, malandros, sujos e pobres.\\\" A sentença destaca que Marcelo agiu com dolo intenso, porque nas mensagens que divulgou, reiterou as expressões ofensivas a raça negra. Os desembargadores Roberval Casemiro, Silviano Barbosa e Sergio Rocha (TJDFT) foram unânimes no voto de condenação ao estudante."
[CASO 2] Enfrentado racismos que têm rebatimentos no mundo virtual:
Noticiamos repetidas vezes os casos da ausência de negros e negras no Fashion Week. Pois é. Em 2009 a organização teve que cumprir uma decisão judicial. Paulo Sampaio, muito bem nos brinda com uma reportagem que relata o feito:
"Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo em evento de moda na cidade. As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW."
[CASO 3] DISNEY LANÇA PRIMEIRA PRINCESA NEGRA
A Disney vai trazer às telas a primeira princesa negra de suas produções. O nome da personagem é Tiana e ela será conhecida de todos em dezembro, na animação ‘A Princesa e o Sapo’.
Reparando o que aconteceu até hoje, percebemos que a inocente EMPRESA ESTADUNIDENSE DISNEY, produziu a princesa ruiva [Ariel], a “castanha” [Bela], a loira [Cinderela] e a de cabelo preto [Branca de Neve] e a Bela Adormecida e Jasmini. Cadê a negra?
Estaremos nos empenhando cada vez mais para que casos como estes não fiquem impunes, pois a tecnologia da informação e comunicação é vista como uma das peças chaves para o desenvolvimento do país, mas de nada adiantará isto acontecer, com práticas racistas permitidas. Feliz 2010 e vamos em frente.
Agnaldo Neiva.
Leia o artigo de Atheniense, acesse: Retrospectiva do Direito na Tecnologia da Informação em 2009
Leia a reportagem de Sampaio, acesse: Promotora quer cota para negros em desfiles
Leia postagem sobre a Primeira Princesa Negra, aqui mesmo: Disney Lança primeira princesa negra
Imagem: http://i2.r7.com/
"Em 2009 houve a primeira decisão da justiça brasileira que condenou um réu acusado da prática de crimes de racismo na rede mundial de computadores. A Justiça entendeu que o estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 23 anos, morador de Brasília, praticou o crime de racismo e preconceito contra a raça negra, ao fazer críticas ao sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília (UNB). O estudante escreveu em várias mensagens que divulgou pelo Orkut que \\\"os negros são burros, macacos subdesenvolvidos, fracassados, incapazes, ladrões, vagabundos, malandros, sujos e pobres.\\\" A sentença destaca que Marcelo agiu com dolo intenso, porque nas mensagens que divulgou, reiterou as expressões ofensivas a raça negra. Os desembargadores Roberval Casemiro, Silviano Barbosa e Sergio Rocha (TJDFT) foram unânimes no voto de condenação ao estudante."
[CASO 2] Enfrentado racismos que têm rebatimentos no mundo virtual:
Noticiamos repetidas vezes os casos da ausência de negros e negras no Fashion Week. Pois é. Em 2009 a organização teve que cumprir uma decisão judicial. Paulo Sampaio, muito bem nos brinda com uma reportagem que relata o feito:
"Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo em evento de moda na cidade. As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW."
[CASO 3] DISNEY LANÇA PRIMEIRA PRINCESA NEGRA
A Disney vai trazer às telas a primeira princesa negra de suas produções. O nome da personagem é Tiana e ela será conhecida de todos em dezembro, na animação ‘A Princesa e o Sapo’.
Reparando o que aconteceu até hoje, percebemos que a inocente EMPRESA ESTADUNIDENSE DISNEY, produziu a princesa ruiva [Ariel], a “castanha” [Bela], a loira [Cinderela] e a de cabelo preto [Branca de Neve] e a Bela Adormecida e Jasmini. Cadê a negra?
Estaremos nos empenhando cada vez mais para que casos como estes não fiquem impunes, pois a tecnologia da informação e comunicação é vista como uma das peças chaves para o desenvolvimento do país, mas de nada adiantará isto acontecer, com práticas racistas permitidas. Feliz 2010 e vamos em frente.
Agnaldo Neiva.
Leia o artigo de Atheniense, acesse: Retrospectiva do Direito na Tecnologia da Informação em 2009
Leia a reportagem de Sampaio, acesse: Promotora quer cota para negros em desfiles
Leia postagem sobre a Primeira Princesa Negra, aqui mesmo: Disney Lança primeira princesa negra
Imagem: http://i2.r7.com/
Interfaçe que dá certo? TIC e Educação?
A tecnologia de informação e comunicação (TIC) pode desempenhar um papel importante de apoio na melhoria da qualidade da educação e na reforma educacional. Assim, o Projeto Padrões de Competência para Professores produziu as três brochuras acima com o objetivo de fornecer diretrizes sobre como melhorar as capacidades dos professores nas práticas de ensino por meio de TICs.
Fonte: UNESCO
Fonte: UNESCO
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Tecnologia da Informação e Comunicação
30 de dez. de 2009
Os Casos de Racismo no Second Life
Argumentos otimistas em relação aos universos virtuais ou metaversos, nos informam que estes mundos virtuais nos promete um comunicação sem levar em conta a distância física, o sexo ou raça. Cada avatar é flexível, tornando-o sempre atual. Uma pesquisa feita comprova que nossos preconceitos estão transitando para este mundo virtual.
Trazendo a questão racial no mundo virtual
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Northwestern, (Chicago) conduziu um estudo muito interessante sobre os preconceitos que levamos para o mundo virtual, e os resultados são surpreendentes. Os investigadores usaram o que se chama uma "porta na cara”.
A equipa de investigação dos avatares pediu um ensaio fotográfico de duas horas, seguido de um pedido de uma foto. Inicia-se a partir daí uma análise a partir das gradações em negro e branco.
O efeito da técnica DITF foi significativamente reduzida quando o avatar requerente foi negro. Os avatares branco no experimento DITF recebeu cerca de um aumento de 20 por cento, em conformidade com o pedido moderado, o aumento para avatares negros foi de 8 por cento.
O que é interessante é que os avatares estavam dispostos a ajudar um negro, mas em percentual muito reduzido. Os jogadores pareciam mais dispostos a fazer as coisas por um avatar branco do que para um avatar preto. Por si só, este estudo pode ser vítima de uma série de falhas operacionais: Falar com avatares ocupado, mudanças na forma como a pergunta foi feita, ou variações da restrição de tempo estimado de uma sessão de fotos.
Mas como uma outra série de entrevistas mostra, a questão da preferência racial no Second Life pode ser muito mais aceito e compreendido no mundo virtual do que pensamos.
Ser negro no Second Life
Wagner James dedica algum tempo à questão da corrida virtual em seu grande livro, "The Making of Second Life". Ele entrevistou vários avatares negros no mundo virtual, incluindo uma mulher branca que experimentou como um avatar de pele negra, apenas para encontrar seu círculo social, que ficou muito reduzido, e os amigos perguntando quando ela estava "voltando ao normal."
A variedade de peles no Second Life
A questão da raça pode ser tão desconfortável no mundo virtual que os negros escolherão avatares branco para evitar desagradável indiferença experimentada pela mulher branca mencionada acima.
A idéia de que uma mulher negra escolheria um avatar branco, apenas para evitar o embaraço social de ser negro no metaverso é preocupante.
Em vez de construir um mundo virtual onde a raça é irrelevante, o condicionamento social está produzindo um espaço onde os negros estão tendendo a aceitar ou escolher um tom de pele branca, ou “favoráveis".
O pior é sobre preconceito que ocorre no mundo virtual. Não é que ele ocorra com a aprovação consciente dos participantes – na maioria dos casos, os participantes não extereorizam visões preconceituosas -, mas o condicionamento social faz com que haja uma transição para um tom de pele branco, de modo automático.
Não é que a pele virtual branca é "melhor" do que um tom mais escuro, é apenas que o tom de pele branca que parece ser uma "norma cultural" para os participantes do Second Life. Branco então, é o padrão. É por isso que os amigos da mulher branca, entrevistada por Wagner James Au perguntou, talvez desconhecendo o verdadeiro significado, quando ela estava "voltando ao normal."
Quantos negros ou asiáticos ou os participantes do Oriente Médio preferem colocar pele branca, porque sentem que é simplesmente mais fácil do que lidar com o embaraço potencial de jogar como sua verdadeira cor.
O que pode ser feito sobre o preconceito racial tão arraigado em nossas práticas e consciência? E como admitir que nós, participantes e avatares continuem disseminando estes preconceitos com a nossa aprovação consciente?
Tradução livre: http://translate.google.com.br + Agnaldo Neiva
Para saber mais:
• http://www.northwestern.edu/newscenter/stories/2008/09/virtualworld.html
• http://www.blogcatalog.com/search.frame.php?term=racism+virtual+world&id=0be0bac88a1d6b23a41ec501072da48c
28 de dez. de 2009
Projeto do marco regulatório da internet deve chegar ao Congresso até março de 2010
Retomando as discussões em torno dos assuntos legais relacionados à internete, voltará a circular o projeto de lei, internamento ao Congresso Nacional. O que nos preocupa é que ficam de fora, assuntos relacionados a direito penal. Sabemos que este é um dos temas mais caros desta discussão, já que não há legislação específica nesta temática, permitindo que várias interpretações aconteçam, em temas relativamente próximos. Estaremos acompanhando este tema um tanto polêmico.
Brasília - Até março do próximo ano deve chegar ao Congresso Nacional o projeto de lei do novo marco regulatório da internet. Produzido pelo Ministério da Justiça, o marco civil, como está sendo chamado, deverá tratar de direitos fundamentais dos usuários de internet, responsabilidades desses usuários e deveres do Estado.
“A ideia é criar uma primeira camada de interpretações para assuntos legais relacionados à internet, lançando pedras fundamentais para depois tratar outras questões”, explica o coordenador do projeto, Paulo Rená da Silva Santarém.
Para saber mais:
Observatório do Racismo Virtual participa de concurso internacional
O Observatório do Racismo Virtual participa do Concurso Blog Nota 10, uma iniciativa da Revista África e Africanidades, que pretende selecionar os melhores Blogs do Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Duas categorais serão premiadas: Blog’s de pessoas físicas e Blog’s de professores/as da educação básica. O resultado será publicado em 30 de janeiro de 2010.
Você também faz parte deste observatório. Leia, copie, comente, faça sugestões... nossa participação irá contar pontos valiosos para o enfrentamento deste temáticas, tão invisibilizada: o racismo virtual.
Link da revista: africaeafricanidades
23 de dez. de 2009
Brasil marginaliza índios e negros, diz ONU
Discurso de Navi Pillay, Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas por ocasião de sua visita ao Brasil
(...) Uma questão que foi incrivelmente invisível foi a situação dos povos indígenas. Entre todos os funcionários estaduais e federais que encontrei, acho que não tinha uma única pessoa indígena. Isto é muito indicativo de sua continua marginalização. Houve avanços importantes em termos de legislação para proteger os direitos dos povos indígenas, mas a implementação desses direitos particularmente em nível estadual parece estar demorando demais. A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país, e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras na armadilha do trabalho forçado.
Mesmo a grande população afro-brasileira está enfrentando problemas semelhantes em termos de implementação de programas socioeconômicos e discriminação que os impede de concorrer em igualdade de condições com outros brasileiros. Além do Ministro para a Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, vi poucos afro-brasileiros em altos cargos. Isso foi particularmente notável na Bahia, onde três quartos da população são afro-brasileiros, mas dificilmente qualquer um de seus principais administradores.
Para saber mais: UNIFEM
20 de dez. de 2009
Esquire - Dezembro de 1963.
Foi a primeira vez que um negro foi retratado como Papai Noel na capa de uma revista americana.
A Esquire perdeu U$ 750.000 em anúncios, mas aumentou sua circulação de 500.000 para 2.500.000 exemplares por ano.
Reinou pouco, pois um jovem Cassius Clay o derrotou impunemente em Fevereiro de 1964.
A segunda luta em Maio de 1965, já com Muhammad Ali foi decidida em menos de dois minutos. Ele nunca mais foi o mesmo.
Morreu sozinho e misteriosamente em sua casa em Las Vegas em 1971.
O gorro vermelho e branco não disfarça o olhar de tristeza de um rosto marcado pelas surras tomadas do pai e dos punchs e jabs dos adversários.
Mas a imagem de tom melancólico, não deixa de exibir esperança.
Fonte: http://obeec.spaces.live.com/
17 de dez. de 2009
Yalorixás no Século XXI
Acontece, na Biblioteca dos Barris, a mostra fotográfica Yalorixás no Século XXI. As imagens são de autoria do fotógrafo Alberto Lima.
A exposição está sendo promovida pelo Núcleo Omi-Dùdú em parceria com a Sepromi. As fotografias fazem parte de um calendário que será distribuído gratuitamente.
A mostra ficará até o dia 31 e engloba outras atividades como debates e palestras sobre as religiões de matriz africana, reinaguração da Sala Luiz Orlando, mostra de filmes, desfile de moda afro, dentre outras.
Fonte: Blog Mundo Afro
A exposição está sendo promovida pelo Núcleo Omi-Dùdú em parceria com a Sepromi. As fotografias fazem parte de um calendário que será distribuído gratuitamente.
A mostra ficará até o dia 31 e engloba outras atividades como debates e palestras sobre as religiões de matriz africana, reinaguração da Sala Luiz Orlando, mostra de filmes, desfile de moda afro, dentre outras.
Fonte: Blog Mundo Afro
6 de dez. de 2009
2 de dez. de 2009
Conheça o CULTNE - Acervo Digital de Cultura Negra Brasileira
Assista, edite, reproduza!
Esta é a chamada principal do portal, que nos apresenta uma acervo onde podemos conhecer novos pontos de vista da história do nosso país, através de materiais inéditos em vídeo, em diversos momentos artísiticos e políticos, registrados ao longo de décadas.
Além de assistir, você pode se cadastrar e baixar todo nosso conteúdo para seu computador, utilizando livremente o material em edições jornalísiticas, projetos estudantis, ou qualquer atividade sem fins lucrativos, desde que citada a fonte.
Link: http://www.cultne.com.br/
A grande mídia e a desigualdade racial
Uma Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia revela posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas).
A pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É - 1093 matérias, no total - ao longo de oito anos. Em toda a pesquisa, as políticas de reparação - ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas - tiveram o maior percentual de textos com sentidos contrários: 22,2%.
As reportagens veicularam sentidos mais plurais do que os textos opinativos que, com pequenas variações, se posicionaram contrários à adoção das cotas, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e da demarcação de terras quilombolas. A argumentação central dos editoriais é de que esses instrumentos de reparação promovem racismo. A cobertura sobre ações afirmativas foi realizada, basicamente, em torno da política de cotas: 29,3% dos textos.
Outros instrumentos pouco foram noticiados. O Estatuto da Igualdade Racial esteve presente apenas em 4,5% dos textos. A discussão sobre as ações afirmativas mereceu atenção de 18,9%. A Lei 10.639/2003, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", praticamente não foi noticiada. Embora a maioria dos estudos e pesquisas realizadas por instituições como IBGE, IPEA, SEADE, OIT, UNESCO, ONU, UFRJ, IBOPE e DATAFOLHA, no período analisado, confirmem o acerto das políticas de ação afirmativa, apenas 5,8% dos textos publicados nos jornais noticiaram e debateram os dados revelados.
Os resultados da importante pesquisa realizada pelo OBM denunciam um estranho paradoxo. Enquanto a grande mídia tem se revelado cada dia mais zelosa - aqui e, sobretudo, em alguns países da América Latina - com relação ao que chama de liberdade de imprensa (equacionada, sem mais, com a liberdade individual de expressão), o mesmo não acontece com a defesa de direitos fundamentais como a reparação da desigualdade e da injustiça histórica de que padece a imensa população negra do nosso país.
Leia na integra o artigo de Venício Lima na Agência Carta Maior.
Fonte: Carlos Moreira, Rede 3º Setor.
20 de nov. de 2009
Propaganda Caixa Econômica faz homenagem a Oliveira Silveira
Um filme de 30 segundos desenvolvido a partir de uma obra do poeta e pesquisador Oliveira Silveira (1941-2009) será a homenagem da Caixa aos seus 14 mil funcionários afrodescendentes pelo Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de novembro. A mensagem foi criada pela agência de publicidade NovaS/B e será veiculada em todo o País, a partir de ontem, 19 de novembro.
Link da reportagem com o vídeo. Vale a pena ver... e se emocionar!!!
Aprovação cliente: Clauir Santos e Tadeu Rigo
Produtora som: ATAKK
Link da reportagem com o vídeo. Vale a pena ver... e se emocionar!!!
Agnaldo Neiva
Ficha técnica
Diretor de criação: Antonio Batista
Criação: Rafael Lago
RTV: Marcos Bugni
Atendimento: Thelma Bassit
Produtora: Paranoid BR
Direção: Heitor Dhalia
Diretor de fotografia: Adriano Goldman
Diretor de arte: Marlise Storchi
Montagem: Alex Lacerda
Pós- produção: Casablanca
Finalização: Casablanca
19 de nov. de 2009
Racismo da GLOBO - Em plena semana da Consciência Negra
Peço permissão a Valdélio, para postar sua reflexão acerca dos episodios meticulosamente tramados e criados pela GLOBO.
Caros e caras,
Pena que não tenha tempo para comentar como mais vagar a cena na novela da Globo em que Thaís Araújo é protagonista. Mas, vou falar alguma coisa.
É uma perversidade dos novelistas da emissora produzir, especialmente nesta Semana da Consciência Negra, uma cena em que uma mulher negra (Helena, na novela) é colocada na condição degradante, submissa e humilhante diante de uma branca que a olha de cima com todo o desprezo que o rancor racista pode incutir em alguém. Além de chorar e pedir perdão por um ato que ela não tem responsabilidade, a cena choca porque a personagem negra é compelida a atribuir a si toda a culpa pelo acidente do qual ela não está diretamente associada. Na verdade, o seu sentimento de culpa é decorrente não do acidente em si, mas sim por estar sentindo que o lugar social que ela se encontra não lhe é adequado e, conseqüentemente, não deveria estar, ou seja, fazendo parte de uma família branca. Por essa razão é que ela chora, chora por ter magoado duplamente os brancos: pertencer a uma família branca e ter supostamente contribuído para o acidente da mimada, grosseira e racista menina branca. A mãe de menina sabe que materialmente ela não tem culpa, mas, exige que ela pague pelo acidente com a pena de morte da humilhação, do sofrimento e da submissão mais abjeta: prostar-se ao chão de joelhos, pedir perdão e declarar ao mundo que é este o lugar do negro diante do branco.
Eu nunca vi na televisão algo tão aviltante com o nosso povo como essa cena.
No dia a dia da consciência negra é preciso que a gente diga pelo menos algumas coisas para as nossas crianças, aos jovens, aos adultos e anciões negros: NÃO DEIXEMOS A NOSSA DIGNIDADE SER PISADA PELOS BRANCOS! VAMOS LEVANTAR OS OS OMBROS E OS OLHOS E DIZER, SEM CHORAR: NÃO ACEITAMOS MAIS HUMILHAÇÃO! NÃO ACEITAMOS MAIS PROTAGONIZAR PAPÉIS QUE DEGRADAM A NOSSA CULTURA E A NOSSA CIVILIZAÇÃO! SAIAM DO NOSSO CAMINHO PORQUE VAMOS PASSAR! QUEIRAM OU NÃO!
Abraços,
Valdélio
Valdélio - Historiador - BA
Caros e caras,
Pena que não tenha tempo para comentar como mais vagar a cena na novela da Globo em que Thaís Araújo é protagonista. Mas, vou falar alguma coisa.
É uma perversidade dos novelistas da emissora produzir, especialmente nesta Semana da Consciência Negra, uma cena em que uma mulher negra (Helena, na novela) é colocada na condição degradante, submissa e humilhante diante de uma branca que a olha de cima com todo o desprezo que o rancor racista pode incutir em alguém. Além de chorar e pedir perdão por um ato que ela não tem responsabilidade, a cena choca porque a personagem negra é compelida a atribuir a si toda a culpa pelo acidente do qual ela não está diretamente associada. Na verdade, o seu sentimento de culpa é decorrente não do acidente em si, mas sim por estar sentindo que o lugar social que ela se encontra não lhe é adequado e, conseqüentemente, não deveria estar, ou seja, fazendo parte de uma família branca. Por essa razão é que ela chora, chora por ter magoado duplamente os brancos: pertencer a uma família branca e ter supostamente contribuído para o acidente da mimada, grosseira e racista menina branca. A mãe de menina sabe que materialmente ela não tem culpa, mas, exige que ela pague pelo acidente com a pena de morte da humilhação, do sofrimento e da submissão mais abjeta: prostar-se ao chão de joelhos, pedir perdão e declarar ao mundo que é este o lugar do negro diante do branco.
Eu nunca vi na televisão algo tão aviltante com o nosso povo como essa cena.
No dia a dia da consciência negra é preciso que a gente diga pelo menos algumas coisas para as nossas crianças, aos jovens, aos adultos e anciões negros: NÃO DEIXEMOS A NOSSA DIGNIDADE SER PISADA PELOS BRANCOS! VAMOS LEVANTAR OS OS OMBROS E OS OLHOS E DIZER, SEM CHORAR: NÃO ACEITAMOS MAIS HUMILHAÇÃO! NÃO ACEITAMOS MAIS PROTAGONIZAR PAPÉIS QUE DEGRADAM A NOSSA CULTURA E A NOSSA CIVILIZAÇÃO! SAIAM DO NOSSO CAMINHO PORQUE VAMOS PASSAR! QUEIRAM OU NÃO!
Abraços,
Valdélio
Valdélio - Historiador - BA
17 de nov. de 2009
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