27 de ago. de 2010
Sai lista das 100 primeiras cidades a serem atendidas pelo PNBL
A Telebrás já tem uma meta de conexões à banda larga em 2010. Foi apresentada nesta quinta-feira, 26/8, no Fórum Brasil Conectado, a lista das primeiras 100 cidades do país, além de 15 capitais e do Distrito Federal, que contarão com oferta de backhaul da estatal e, com isso, acesso à internet dentro do teto de preço de R$ 35 como definido pelo Plano Nacional de Banda Larga.
Como já fora antecipado, o foco inicial é nas regiões Nordeste e Sudeste, mas também há cidades de Goiás e Tocantins. Também como esperado, há cidades mais pobres, mas algumas que podem ser consideradas prósperas, como Campinas e São Carlos, ambas em São Paulo. Sem contar as capitais, a população atingida chega a 14 milhões.
A divulgação da lista das 100 cidades, além de orientar a Telebrás, tem como objetivo atrair provedores de acesso interessados em utilizar a capacidade no atacado a ser vendida pela estatal. “Vamos precisar de parceiros entre os pequenos provedores e esperamos que, com o anúncio, esses parceiros apareçam”, diz o presidente da Telebrás, Rogério Santanna.
Os provedores existentes ou a existirem nessas cidades terão que calcular se há interesse em prestar acesso via rede pública com base nas premissas do PNBL. Ou seja, de que o preço do Mbps no atacado será de R$ 230 e o valor a ser cobrado dos assinantes por conexões de, pelo menos, 512 kbps seja no máximo de R$ 35.
Além disso, a Telebrás pretende adotar o padrão de oferta de 1 para 10 – ou seja, aquele que prevê que o megabit seja dividido, no máximo, por 10 clientes. “O mercado pratica uma padrão de 1 para 16 ou até 1 para 35. Isso quer dizer que os 512 kbps no padrão 1 para 10 terão performance até melhor do 1 Mbps no padrão 1 para 35”, afirma Santanna.
A seleção das primeiras cidades obedeceu a alguns critérios, especialmente de estarem situados a até 50 km da linha principal de fibras óticas do setor elétrico que será gerenciada pela Telebrás. Além disso, representam principalmente municípios com baixo IDH, reduzida proporção de acessos – em alguns casos, nenhuma – e a existência de programas como UCA (Um Computador por Aluno), Cidade Digital, Telecentro, etc.
No caso de não aparecerem parceiros em todas as cidades, há duas opções preparadas. A primeira, a troca de algumas cidades – e já existe uma lista com outras que obedecem aos mesmos critérios de seleção. A outra alternativa será, naturalmente, a prestação direta de acesso pela Telebrás, mas o objetivo é que isso só aconteça depois de o Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital (CGPID) definir os critérios do que é a ausência de “oferta adequada” onde haverá competência da estatal atuar.
Além de possibilitar a venda de capacidade no atacado e, assim, induzir ofertas mais baratas de acesso à internet, a lista das 100 primeiras cidades inclui as capitais e, com isso, especialmente ao ligar Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, permitir que o governo tenha condições de, gradativamente, substituir os contratos de comunicação de dados em vigor com as operadoras privadas.
Lista das 100 primeiras cidades. Cique aqui.
Fonte: Guia das Cidades Digitais
Como já fora antecipado, o foco inicial é nas regiões Nordeste e Sudeste, mas também há cidades de Goiás e Tocantins. Também como esperado, há cidades mais pobres, mas algumas que podem ser consideradas prósperas, como Campinas e São Carlos, ambas em São Paulo. Sem contar as capitais, a população atingida chega a 14 milhões.
A divulgação da lista das 100 cidades, além de orientar a Telebrás, tem como objetivo atrair provedores de acesso interessados em utilizar a capacidade no atacado a ser vendida pela estatal. “Vamos precisar de parceiros entre os pequenos provedores e esperamos que, com o anúncio, esses parceiros apareçam”, diz o presidente da Telebrás, Rogério Santanna.
Os provedores existentes ou a existirem nessas cidades terão que calcular se há interesse em prestar acesso via rede pública com base nas premissas do PNBL. Ou seja, de que o preço do Mbps no atacado será de R$ 230 e o valor a ser cobrado dos assinantes por conexões de, pelo menos, 512 kbps seja no máximo de R$ 35.
Além disso, a Telebrás pretende adotar o padrão de oferta de 1 para 10 – ou seja, aquele que prevê que o megabit seja dividido, no máximo, por 10 clientes. “O mercado pratica uma padrão de 1 para 16 ou até 1 para 35. Isso quer dizer que os 512 kbps no padrão 1 para 10 terão performance até melhor do 1 Mbps no padrão 1 para 35”, afirma Santanna.
A seleção das primeiras cidades obedeceu a alguns critérios, especialmente de estarem situados a até 50 km da linha principal de fibras óticas do setor elétrico que será gerenciada pela Telebrás. Além disso, representam principalmente municípios com baixo IDH, reduzida proporção de acessos – em alguns casos, nenhuma – e a existência de programas como UCA (Um Computador por Aluno), Cidade Digital, Telecentro, etc.
No caso de não aparecerem parceiros em todas as cidades, há duas opções preparadas. A primeira, a troca de algumas cidades – e já existe uma lista com outras que obedecem aos mesmos critérios de seleção. A outra alternativa será, naturalmente, a prestação direta de acesso pela Telebrás, mas o objetivo é que isso só aconteça depois de o Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital (CGPID) definir os critérios do que é a ausência de “oferta adequada” onde haverá competência da estatal atuar.
Além de possibilitar a venda de capacidade no atacado e, assim, induzir ofertas mais baratas de acesso à internet, a lista das 100 primeiras cidades inclui as capitais e, com isso, especialmente ao ligar Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, permitir que o governo tenha condições de, gradativamente, substituir os contratos de comunicação de dados em vigor com as operadoras privadas.
Lista das 100 primeiras cidades. Cique aqui.
Fonte: Guia das Cidades Digitais
26 de ago. de 2010
Rede Afro envia documento aos ministros do STF
A Rede Nacional de Negras e Negros Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é um fórum nacional que agrega militantes do movimento negro e LGBT na luta contra o racismo, o machismo, a lesbofobia, a transfobia e a homofobia.
Manifestamos nosso veemente repúdio à cobertura da imprensa ao caso do ministro Joaquim Barbosa, fotografado em um bar em período de licença médica solicitada no Supremo Tribunal Federal, pelas insistentes "sugestões" de comportamento indevido – que beiram acusações e julgamento público. Os grandes jornais deram manchete ao caso e, sem ouvir o ministro, faziam ilações que não cabem à cobertura isenta dos fatos. Após a resposta do Dr. Joaquim Barbosa, a mídia destacou um "ataque" à equipe da matéria inicial da Folha de São Paulo.
Fica nítida, ao analisar as reportagens, a intenção de enfraquecer o ministro Joaquim Barbosa. A imprensa brasileira, acostumada a defender abusivamente os interesses da elite, não se preocupa em disfarçá-lo mesmo que comprometa sua dita "independência". No caso, os interesses são 1) os privilégios da elite branca que domina as redações e outros espaços de poder e 2) a impunibilidade dessa elite, que o ministro tem afrontado em sua atuação no STF.
Por que a imprensa não critica Gilmar Mendes pelos diligentes "habeas corpus" produzidos quando um banqueiro ou qualquer representante da classe dominante é preso sob graves acusações? Por que a imprensa não investigou o suposto esquema de grampeamento do mesmo ministro, da ministra Ellen Gracie e outros, em mais um caso "denunciado" pela Veja com participação ativa?
Se o ministro usou indevidamente sua licença médica, é uma questão que deve ser analisada no STF após consulta ao médico dele – e possivelmente a outros profissionais de saúde, para comprovação. Não cabe aos jornais emitir opinião a respeito de um elemento subjetivo, ainda mais sem pedir informações aos profissionais competentes.
A intenção desse documento não é defender o ministro de qualquer acusação. Isso ele mesmo pode fazer.
Ao contrário, os movimentos negros que assinam este documento repudiam as práticas abusivas de um jornalismo parcial e irresponsável. O que se torna notável no julgamento midiático do ministro é a intenção de questionar a competência do único negro do Supremo. É uma realidade conhecida de qualquer homem ou mulher negra em algum espaço de poder, que precisa provar diariamente que de fato pertence àquele lugar. No caso de Joaquim Barbosa, tem um fator especial: pela importância e visibilidade do cargo, atingi-lo afeta a toda a comunidade negra e suas perspectivas de ascensão social. O ministro é um exemplo positivo para a minoria de estudantes de direito e jovens advogados negros. Um perigo indesejável para o status quo!
Como resume a militante Deise Benedito, militante da organização Fala Preta e referência do movimento negro brasileiro, "Simplesmente o Dr.Joaquim Barbosa, até o presente, enfrenta com dignidade o Império que contra-ataca a insuportável existência de um 'ser', e este ser é um negro fora do lugar onde os negros devem permanecer nesta sociedade, que ergueu-se às custas do sangue e suor da carne negra importada da África para as Américas".
A imprensa tem um papel fundamental no exercício da democracia e das liberdades individuais e coletivas. No entanto, ao vincular sua atuação à defesa de interesses de grupos sociais dominantes, torna-se instrumento de incentivo e manutenção das desigualdades. É o que ocorre nesse caso, posicionando-se contra um ministro negro, apoiador das cotas raciais e correto na aplicação da justiça para a elite econômica. O movimento negro continuará observando os "deslizes" desse tipo de cobertura jornalística e denunciando seus abusos.
Fonte: Rede Nacional de Negras e Negros LGBT
Leia materia completa: Rede Afro envia documento aos ministros do STF
Portal Geledés
Manifestamos nosso veemente repúdio à cobertura da imprensa ao caso do ministro Joaquim Barbosa, fotografado em um bar em período de licença médica solicitada no Supremo Tribunal Federal, pelas insistentes "sugestões" de comportamento indevido – que beiram acusações e julgamento público. Os grandes jornais deram manchete ao caso e, sem ouvir o ministro, faziam ilações que não cabem à cobertura isenta dos fatos. Após a resposta do Dr. Joaquim Barbosa, a mídia destacou um "ataque" à equipe da matéria inicial da Folha de São Paulo.
Fica nítida, ao analisar as reportagens, a intenção de enfraquecer o ministro Joaquim Barbosa. A imprensa brasileira, acostumada a defender abusivamente os interesses da elite, não se preocupa em disfarçá-lo mesmo que comprometa sua dita "independência". No caso, os interesses são 1) os privilégios da elite branca que domina as redações e outros espaços de poder e 2) a impunibilidade dessa elite, que o ministro tem afrontado em sua atuação no STF.
Por que a imprensa não critica Gilmar Mendes pelos diligentes "habeas corpus" produzidos quando um banqueiro ou qualquer representante da classe dominante é preso sob graves acusações? Por que a imprensa não investigou o suposto esquema de grampeamento do mesmo ministro, da ministra Ellen Gracie e outros, em mais um caso "denunciado" pela Veja com participação ativa?
Se o ministro usou indevidamente sua licença médica, é uma questão que deve ser analisada no STF após consulta ao médico dele – e possivelmente a outros profissionais de saúde, para comprovação. Não cabe aos jornais emitir opinião a respeito de um elemento subjetivo, ainda mais sem pedir informações aos profissionais competentes.
A intenção desse documento não é defender o ministro de qualquer acusação. Isso ele mesmo pode fazer.
Ao contrário, os movimentos negros que assinam este documento repudiam as práticas abusivas de um jornalismo parcial e irresponsável. O que se torna notável no julgamento midiático do ministro é a intenção de questionar a competência do único negro do Supremo. É uma realidade conhecida de qualquer homem ou mulher negra em algum espaço de poder, que precisa provar diariamente que de fato pertence àquele lugar. No caso de Joaquim Barbosa, tem um fator especial: pela importância e visibilidade do cargo, atingi-lo afeta a toda a comunidade negra e suas perspectivas de ascensão social. O ministro é um exemplo positivo para a minoria de estudantes de direito e jovens advogados negros. Um perigo indesejável para o status quo!
Como resume a militante Deise Benedito, militante da organização Fala Preta e referência do movimento negro brasileiro, "Simplesmente o Dr.Joaquim Barbosa, até o presente, enfrenta com dignidade o Império que contra-ataca a insuportável existência de um 'ser', e este ser é um negro fora do lugar onde os negros devem permanecer nesta sociedade, que ergueu-se às custas do sangue e suor da carne negra importada da África para as Américas".
A imprensa tem um papel fundamental no exercício da democracia e das liberdades individuais e coletivas. No entanto, ao vincular sua atuação à defesa de interesses de grupos sociais dominantes, torna-se instrumento de incentivo e manutenção das desigualdades. É o que ocorre nesse caso, posicionando-se contra um ministro negro, apoiador das cotas raciais e correto na aplicação da justiça para a elite econômica. O movimento negro continuará observando os "deslizes" desse tipo de cobertura jornalística e denunciando seus abusos.
Fonte: Rede Nacional de Negras e Negros LGBT
Leia materia completa: Rede Afro envia documento aos ministros do STF
Portal Geledés
ENAP sedia 2º Fórum Brasil Conectado
23/08/10 - A ampliação da cobertura em banda larga, o preço a ser cobrado pelo serviço e a melhoria da qualidade da conexão serão debatidos no 2º Fórum Brasil Conectado, que ocorrerá na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em 24, 25 e 26 de agosto. A abertura do evento, às 8h30min desta terça-feira, terá a participação da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Erenice Guerra, do coordenador do Programa de Inclusão Digital, Cezar Alvarez, e da presidente da ENAP, Helena Kerr do Amaral.
O Fórum compõe a agenda de implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado pelo governo federal em maio deste ano com o objetivo de ampliar o acesso da população à internet em banda larga. O evento vai reunir representantes das operadoras de telecomunicações, da indústria fornecedora de equipamentos para o setor, de provedores de acesso à internet, associações de defesa do consumidor e governos federal, estaduais e municipais, em um total de 56 entidades, que vão discutir e propor ações para o PNBL.
A agenda de trabalho terá painéis de debates, que vão discutir temas como a rede nacional de infraestrutura, implantação de dutos e fibras em obras civis, estímulo aos fornecedores nacionais do setor de telecomunicações, os parâmetros de qualidade para a banda larga, o modelo de licitação com contrapartidas de interesse público, dentre outros.
Instalado em junho passado, o Fórum Brasil Conectado é vinculado ao Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital (CGPID), instância da Casa Civil da Presidência da República.
Fonte: http://www.enap.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1270
O Fórum compõe a agenda de implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado pelo governo federal em maio deste ano com o objetivo de ampliar o acesso da população à internet em banda larga. O evento vai reunir representantes das operadoras de telecomunicações, da indústria fornecedora de equipamentos para o setor, de provedores de acesso à internet, associações de defesa do consumidor e governos federal, estaduais e municipais, em um total de 56 entidades, que vão discutir e propor ações para o PNBL.
A agenda de trabalho terá painéis de debates, que vão discutir temas como a rede nacional de infraestrutura, implantação de dutos e fibras em obras civis, estímulo aos fornecedores nacionais do setor de telecomunicações, os parâmetros de qualidade para a banda larga, o modelo de licitação com contrapartidas de interesse público, dentre outros.
Instalado em junho passado, o Fórum Brasil Conectado é vinculado ao Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital (CGPID), instância da Casa Civil da Presidência da República.
Fonte: http://www.enap.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1270
23 de ago. de 2010
Casos de Racismo Virtual - Um ano sem solução
Empresário ainda não consegue punição para ataques racistas feitos pelo Orkut
Cristina Camargo
Agência BOM DIA
O empresário João Francisco Xavier, 57, escolheu a última terça-feira (27 de abril) para descobrir o que aconteceu com uma denúncia grave sobre a pratica de racismo virtual.
A escolha da data teve uma razão: na terça-feira fez um ano que o dono de empresa de formação de vigilantes descobriu as ofensas feitas por meio do Orkut e tomou as providências que achava adequadas.
No meio do ano passado, Xavier relatou o caso ao BOM DIA. Estava indignado com a falta de providências quatro meses após ter procurado a polícia com as cópias das ofensas, o ataque virtual gravado e uma suspeita de autoria.
Na terça-feira, foi diferente. Ele foi ao 2º DP (Distrito Policial) acompanhado do advogado José Hermann Schroeder e saiu satisfeito.
Foi informado que a investigação continua e que o delegado pediu à Justiça uma ordem de quebra do sigilo do Google, responsável pelo Orkut, para descobrir o IP (Internet Protocol) do responsável pelas ofensas.
“A gente percebe que a apuração está andando. A passos lentos, mas andando”, comemorou na saída. A alegria durou pouco. O empresário e o advogado terminaram a tarde no Fórum, onde foram verificar a tramitação do pedido de quebra de sigilo. Tiveram uma surpresa, desta vez negativa: o pedido foi arquivado.
Agora, Xavier precisa esperar a resposta a um pedido de desarquivamento para saber o que aconteceu e tentar reverter a decisão. Está indignado, mas reafirma o que já havia dito: vai até o fim.
Ele considera que o ataque feito pelo Orkut foi a pior manifestação de racismo que já enfrentou. Um internauta que usou o pseudônimo de “Catturandi Polizia del stato”, referência à polícia italiana, deixou 19 recados na página com afirmações racistas, xingamentos e ameaças.
“Olha o macaco aí... Mete uma bala nessa coisa aí... Quer banana quer?”, escreveu num comentário.
Além de ficar chocado com a agressividade, Xavier não se conforma com a dificuldade em conseguir que as providências legais sejam tomadas. “Sou empresário, conhecido e sinto essa dificuldade. Imagine uma pessoa que não tem voz”.
Ministério Público cobra dados do Google
O Ministério Público Federal de São Paulo cobra do Google dados de pesquisa sobre remoção de conteúdo da internet. Segundo estudo da empresa, o Brasil é o líder de pedidos para remover conteúdos.
O Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público enviou ofício pedindo cópia dos dados fornecidos e que subsidiaram os números sobre o país constantes do relatório Google Requests, realizado e publicado pela empresa.
A procuradora da República Priscila Costa Schreiner, coordenadora do Grupo do MPF responsável pela investigação de casos de pornografia infantil e racismo na internet, questiona se os números citados se referem especificamente aos crimes de pornografia infantil e quer saber de que tipo de casos tratam os outros números sobre o país.
A distribuição de pornografia infantil na Internet é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo a Constituição, o crime de racismo é inafiançável e a pena para quem incita a discriminação ou o preconceito por meio da Internet é de dois a cinco anos.
Xavier já atuou como vigilante
Xavier estava em Presidente Prudente na última terça-feira, mas decidiu voltar para Bauru e visitar o distrito policial no primeiro aniversário do ataque racista.
Em Prudente fica a filial da Marajox, empresa que ele abriu em 2006 e já formou mais de 16 mil vigilantes.
Ele mesmo já trabalhou como vigilante, em São Paulo. Foi quando percebeu a possibilidade de investir no setor. Também já foi militar e hoje recebe alunos de todo o país.
Bem sucedido após uma vida de esforços, não aceita a manutenção da prática do racismo. Chega a acreditar que o fato de ser um negro de sucesso provoque incômodo e os ataques.
“Sou negro, era pobre e atuava como vigilante. De repente virei empresário, sou conhecido no Brasil inteiro. Dói para algumas pessoas ver onde cheguei”, disse ao BOM DIA no ano passado.
A Marajox emprega cerca de 40 pessoas, entre funcionários diretos e indiretos [os instrutores].
“Em pleno século 21 isso ainda acontece...”, lamenta Xavier sobre os ataques que nunca mais vai esquecer.
Fonte: Rede Bom Dia
Cristina Camargo
Agência BOM DIA
O empresário João Francisco Xavier, 57, escolheu a última terça-feira (27 de abril) para descobrir o que aconteceu com uma denúncia grave sobre a pratica de racismo virtual.
A escolha da data teve uma razão: na terça-feira fez um ano que o dono de empresa de formação de vigilantes descobriu as ofensas feitas por meio do Orkut e tomou as providências que achava adequadas.
No meio do ano passado, Xavier relatou o caso ao BOM DIA. Estava indignado com a falta de providências quatro meses após ter procurado a polícia com as cópias das ofensas, o ataque virtual gravado e uma suspeita de autoria.
Na terça-feira, foi diferente. Ele foi ao 2º DP (Distrito Policial) acompanhado do advogado José Hermann Schroeder e saiu satisfeito.
Foi informado que a investigação continua e que o delegado pediu à Justiça uma ordem de quebra do sigilo do Google, responsável pelo Orkut, para descobrir o IP (Internet Protocol) do responsável pelas ofensas.
“A gente percebe que a apuração está andando. A passos lentos, mas andando”, comemorou na saída. A alegria durou pouco. O empresário e o advogado terminaram a tarde no Fórum, onde foram verificar a tramitação do pedido de quebra de sigilo. Tiveram uma surpresa, desta vez negativa: o pedido foi arquivado.
Agora, Xavier precisa esperar a resposta a um pedido de desarquivamento para saber o que aconteceu e tentar reverter a decisão. Está indignado, mas reafirma o que já havia dito: vai até o fim.
Ele considera que o ataque feito pelo Orkut foi a pior manifestação de racismo que já enfrentou. Um internauta que usou o pseudônimo de “Catturandi Polizia del stato”, referência à polícia italiana, deixou 19 recados na página com afirmações racistas, xingamentos e ameaças.
“Olha o macaco aí... Mete uma bala nessa coisa aí... Quer banana quer?”, escreveu num comentário.
Além de ficar chocado com a agressividade, Xavier não se conforma com a dificuldade em conseguir que as providências legais sejam tomadas. “Sou empresário, conhecido e sinto essa dificuldade. Imagine uma pessoa que não tem voz”.
Ministério Público cobra dados do Google
O Ministério Público Federal de São Paulo cobra do Google dados de pesquisa sobre remoção de conteúdo da internet. Segundo estudo da empresa, o Brasil é o líder de pedidos para remover conteúdos.
O Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público enviou ofício pedindo cópia dos dados fornecidos e que subsidiaram os números sobre o país constantes do relatório Google Requests, realizado e publicado pela empresa.
A procuradora da República Priscila Costa Schreiner, coordenadora do Grupo do MPF responsável pela investigação de casos de pornografia infantil e racismo na internet, questiona se os números citados se referem especificamente aos crimes de pornografia infantil e quer saber de que tipo de casos tratam os outros números sobre o país.
A distribuição de pornografia infantil na Internet é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo a Constituição, o crime de racismo é inafiançável e a pena para quem incita a discriminação ou o preconceito por meio da Internet é de dois a cinco anos.
Xavier já atuou como vigilante
Xavier estava em Presidente Prudente na última terça-feira, mas decidiu voltar para Bauru e visitar o distrito policial no primeiro aniversário do ataque racista.
Em Prudente fica a filial da Marajox, empresa que ele abriu em 2006 e já formou mais de 16 mil vigilantes.
Ele mesmo já trabalhou como vigilante, em São Paulo. Foi quando percebeu a possibilidade de investir no setor. Também já foi militar e hoje recebe alunos de todo o país.
Bem sucedido após uma vida de esforços, não aceita a manutenção da prática do racismo. Chega a acreditar que o fato de ser um negro de sucesso provoque incômodo e os ataques.
“Sou negro, era pobre e atuava como vigilante. De repente virei empresário, sou conhecido no Brasil inteiro. Dói para algumas pessoas ver onde cheguei”, disse ao BOM DIA no ano passado.
A Marajox emprega cerca de 40 pessoas, entre funcionários diretos e indiretos [os instrutores].
“Em pleno século 21 isso ainda acontece...”, lamenta Xavier sobre os ataques que nunca mais vai esquecer.
Fonte: Rede Bom Dia
MPF faz parceria com provedores para combater crimes cometidos na rede
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) firmou no último dia 19 do corrente, uma parceria com cinco provedores de serviços e acesso à internet para combater e prevenir a pornografia infantil, racismo e outros crimes cometidos na rede. Com essa medida, o MPF/RJ acredita que o processo de investigação dos crimes virtuais será facilitado.
Os provedores se comprometeram a enviar ao MPF denúncias de crimes cometidos na internet, guardar os dados de acesso de usuários por pelo menos um ano, no caso dos provedores de serviço, e de três anos, no caso de provedores de acesso. Além disso, a parceira estabelece fazer, periodicamente, chamadas contra essas práticas e divulgar campanha governamental sobre esse tema.
De acordo com a procuradora da República Neide Cardoso de Oliveira, que faz parte do Grupo de Combate aos Crimes de Divulgação de Pornografia Infantojuvenil e Racismo, o trabalho do MPF será facilitado, pois os provedores de internet deverão filtrar em seus servidores páginas que contenham esses crimes.
“Antes, nós dependíamos da denúncia de particulares, mas acredito que agora será facilitado o nosso trabalho, pois o próprio provedor, verificando que algum usuário de seus serviços praticou algum desses crimes, deve nos comunicar. Os provedores já têm a obrigação de terem filtros para verificar se ocorrem esses crimes na utilização de seus serviços”, afirmou.
Segundo a procuradora, 80% das denúncias de crimes na internet são de sites de relacionamento, que já assinaram esse mesmo termo de compromisso com o Ministério Público Federal em São Paulo, cidade onde essas empresas mantêm seus escritórios.
Da Agência Brasil
Os provedores se comprometeram a enviar ao MPF denúncias de crimes cometidos na internet, guardar os dados de acesso de usuários por pelo menos um ano, no caso dos provedores de serviço, e de três anos, no caso de provedores de acesso. Além disso, a parceira estabelece fazer, periodicamente, chamadas contra essas práticas e divulgar campanha governamental sobre esse tema.
De acordo com a procuradora da República Neide Cardoso de Oliveira, que faz parte do Grupo de Combate aos Crimes de Divulgação de Pornografia Infantojuvenil e Racismo, o trabalho do MPF será facilitado, pois os provedores de internet deverão filtrar em seus servidores páginas que contenham esses crimes.
“Antes, nós dependíamos da denúncia de particulares, mas acredito que agora será facilitado o nosso trabalho, pois o próprio provedor, verificando que algum usuário de seus serviços praticou algum desses crimes, deve nos comunicar. Os provedores já têm a obrigação de terem filtros para verificar se ocorrem esses crimes na utilização de seus serviços”, afirmou.
Segundo a procuradora, 80% das denúncias de crimes na internet são de sites de relacionamento, que já assinaram esse mesmo termo de compromisso com o Ministério Público Federal em São Paulo, cidade onde essas empresas mantêm seus escritórios.
Da Agência Brasil
Vídeo da Embratur foca turistas brancos na Copa
As cores do Brasil na Copa
Publicado por: Luiz Monteiro
O Melrose Arch é um complexo de lojas, restaurantes e cafeterias localizado numa das áreas mais nobres de Johanesburgo. Dois telões foram colocados no local para que as cerca de cinco mil pessoas que se concentram ali diariamente possam assistir aos jogos da Copa. Há muitos turistas e cidadãos sul-africanos que fizeram do lugar uma espécie de ponto de encontro para torcer ao ar livre. Nos palcos, bandas locais e internacionais têm dado canjas antes e depois das partidas, para animar ainda mais o ambiente.
Nos últimos dias, vi equipes da Embratur, o órgão responsável para divulgar o turismo no Brasil, na região, entregando folhetos, exibindo vídeos e tocando música popular brasileira nas praças do Melrose Arch. Achei uma bela iniciativa. Afinal, a próxima Copa é nossa, o país tem um potencial espetacular e precisamos sim, aquecer ainda mais nossa economia com o dinheiro que movimenta o turismo. A África do Sul que, para muitos leigos, é um país miserável, cheio de criancinhas esqueléticas passando fome, recebe por ano 3 milhões de turistas a mais que o Brasil. Resultado da boa estrutura que o mercado dos safáris movimenta no país. A propósito, esse cenário de país pobrezinho não é verdadeiro. E muita culpa disso é nossa, da imprensa. A South Africa, como eles dizem aqui, é um país de contrastes, como o nosso. Mas no geral, não fica devendo muito ao Brasil em termos de estrutura. As rodovias aqui se comparam às europeias. A frota de veículos é nova e moderna porque o imposto é razoável. Só para dar um exemplo, muitas viaturas da Polícia Militar são BMW, modelo 320. Algo que, sejamos sinceros, é impensável no Brasil, onde nossos policiais andam com veículos de motor 1.0.
Só que a pergunta dela, por uns instantes, me deixou desconcertado. Existem muitos negros no Brasil?, quis saber. É claro que sim, respondi, para em seguida perguntar o motivo daquela dúvida. A senhora apontou para o telão e disse: Por que não os vejo ali?
Parecia que eu tinha levado uma pancada. Fiquei meio atordoado em dar uma explicação àquela senhora. Respirei fundo, sorri, e disse que, infelizmente, para o mercado publicitário brasileiro, os negros praticamente não existem, apesar de formarmos quase metade da população do Brasil, um país de todos.
Na hora lembrei que em minha última viagem ao Brasil, prestei atenção em um intervalo comercial inteiro de uma grande emissora e não vi nenhum negro nas propagandas. Nem mesmo no bloco comercial de patrocinadores da transmissão de futebol, que inclui cervejarias e bancos como anunciantes, não identifiquei nenhuma pessoa de pele negra. Parei pra pensar e fiquei imaginando um Maracanã em dia de FlaxFlu sem nenhum torcedor negro presente. Uma roda de bar com apenas pessoas de pele alva bebendo cerveja. Ou passar quase uma hora para ser atendido numa fila de banco e não ver nenhum cidadão de pele negra, parado, esperando pacientemente os dois únicos caixas em operação atender os clientes no balcão.
O vídeo de divulgação do Brasil na África do Sul é isso. Mostra um país onde apenas pessoas de pele clara podem desfrutar de uma praia em Fortaleza, passar uns dias num hotel cinco estrelas em Salvador ou fazer um passeio pelas Cataratas do Iguaçu.
Não quero aqui fazer propaganda de cota para negros no mercado publicitário. Pode ser bom para atores negros garantirem uma vaga no mercado de trabalho. Mas pode ser constrangedor para alguém saber que só conseguiu uma vaga num cast publicitário porque uma lei obrigou alguém a contratá-lo e, não fosse isso, ele continuaria penando para provar que é capaz de fazer um bom trabalho.
PARA REFLETIRMOS SOBRE AS COTAS!!!
Mas exibir um vídeo sobre um Brasil só com artistas brancos, na África do Sul, onde 80% da população é negra, soa, no mínimo como gafe ou brincadeira de mau gosto. Há muitos problemas a serem resolvidos no país que sedia esta Copa. A burocracia aqui é excessiva, o serviço público é lento, a Aids atinge 10% da população e crimes como assassinatos e estupros são comuns nas favelas. Mas, apesar do pesadelo do Apartheid, a classe média negra africana é enorme, se compararmos ao Brasil. É comum vermos nas ruas de Johanesburgo e das grandes cidades, negros e negras de todas as idades dirigindo BMWs, Mercedes, Audis e Porshes. Não é raro ver negros morando em mansões. Algo que, sejamos sinceros mais uma vez, é raro no Brasil. Aqui, negros almoçam e jantam em restaurantes finos.
Para a classe média brasileira, assistir a um intervalo inteiro na hora do jornal, da novela ou do futebol sem nenhum negro em cena, é normal. Passa batido. Mas para alguém de pele negra que vê milhares de pares dentro dos ônibus, no trabalho ou na praia durante o dia a dia, e não consegue vê-los na TV, que deveria ser o retrato da sociedade, pode ser doloroso. Nunca esqueço de uma mãe que me abordou um dia, em Brasília, enquanto eu gravava uma reportagem na rua. Sempre que o vejo na TV, digo ao meu filho que ele um dia também pode chegar onde você está. A mulher era negra. Sentiu-se representada na tela quando viu um repórter negro aparecer na televisão.
Vai aqui uma perguntinha para a Embratur: se o objetivo é arrecadar com a venda de passagens aéreas, hospedagem, restaurantes e bilhetes em pontos turísticos, por que não escalam atores negros nas propagandas? Há um mercado fantástico de pessoas assim, no Brasil e no mundo, que tiram férias e têm um dinheirinho no bolso. Mas eles precisam se sentir parte desse mundo turístico.
Eu, por enquanto, só preciso de uma resposta mais convincente para dar à senhora do Melrose Arch.
http://www.institutoadediversidade.com.br/cultura/video-da-embratur-foca-turistas-brancos-na-copa/
Publicado por: Luiz Monteiro
O Melrose Arch é um complexo de lojas, restaurantes e cafeterias localizado numa das áreas mais nobres de Johanesburgo. Dois telões foram colocados no local para que as cerca de cinco mil pessoas que se concentram ali diariamente possam assistir aos jogos da Copa. Há muitos turistas e cidadãos sul-africanos que fizeram do lugar uma espécie de ponto de encontro para torcer ao ar livre. Nos palcos, bandas locais e internacionais têm dado canjas antes e depois das partidas, para animar ainda mais o ambiente.
Nos últimos dias, vi equipes da Embratur, o órgão responsável para divulgar o turismo no Brasil, na região, entregando folhetos, exibindo vídeos e tocando música popular brasileira nas praças do Melrose Arch. Achei uma bela iniciativa. Afinal, a próxima Copa é nossa, o país tem um potencial espetacular e precisamos sim, aquecer ainda mais nossa economia com o dinheiro que movimenta o turismo. A África do Sul que, para muitos leigos, é um país miserável, cheio de criancinhas esqueléticas passando fome, recebe por ano 3 milhões de turistas a mais que o Brasil. Resultado da boa estrutura que o mercado dos safáris movimenta no país. A propósito, esse cenário de país pobrezinho não é verdadeiro. E muita culpa disso é nossa, da imprensa. A South Africa, como eles dizem aqui, é um país de contrastes, como o nosso. Mas no geral, não fica devendo muito ao Brasil em termos de estrutura. As rodovias aqui se comparam às europeias. A frota de veículos é nova e moderna porque o imposto é razoável. Só para dar um exemplo, muitas viaturas da Polícia Militar são BMW, modelo 320. Algo que, sejamos sinceros, é impensável no Brasil, onde nossos policiais andam com veículos de motor 1.0.
Mas voltando às praças de Melrose Arch, nesta segunda-feira, dia de jogo do Brasil contra o Chile, a turma da Embratur montou duas banquinhas no meio da praça para pintar o rosto de torcedores com a nossa bandeira. Logo uma fila grande se formou. Como em muitos países, aqui nossa seleção recebe um carinho enorme das pessoas. Mesmo jogando esse futebol de resultados. De qualquer forma, massageia nosso ego ver milhares de torcedores não brasileiros usando uniformes da seleção pelas ruas de Johanesburgo. Eu e o cinegrafista Constâncio Coutinho aproveitamos a cena para gravar imagens no local. Mas, de repente, uma moça que assistia ao vídeo da Embratur no telão, enquanto aguardava sua vez de pintar o rosto, pediu licença para fazer uma pergunta. Imaginei que ela fosse pedir para ser filmada ou dar alguma declaração. É comum pessoas se oferecerem para serem entrevistadas por equipes de reportagens. Principalmente durante um evento como o mundial.
Pedi licença por uns instantes e fiquei olhando para a tela gigante. Era um vídeo de divulgação de várias capitais: Salvador, Fortaleza, Curitiba. Em todas as cenas, atores de pele clara faziam o papel de turistas no vídeo. Na parte específica da capital baiana, onde os negros são quase 70% da população, os únicos de pele escura no vídeo eram baianas e integrantes do Bloco Olodum. Olhei para a senhora e para a fila onde ela se encontrava. A maioria das pessoas ali era negra. Gente simples que parou para desenhar a bandeira de Ordem e Progresso no rosto.
Na hora lembrei que em minha última viagem ao Brasil, prestei atenção em um intervalo comercial inteiro de uma grande emissora e não vi nenhum negro nas propagandas. Nem mesmo no bloco comercial de patrocinadores da transmissão de futebol, que inclui cervejarias e bancos como anunciantes, não identifiquei nenhuma pessoa de pele negra. Parei pra pensar e fiquei imaginando um Maracanã em dia de FlaxFlu sem nenhum torcedor negro presente. Uma roda de bar com apenas pessoas de pele alva bebendo cerveja. Ou passar quase uma hora para ser atendido numa fila de banco e não ver nenhum cidadão de pele negra, parado, esperando pacientemente os dois únicos caixas em operação atender os clientes no balcão.O vídeo de divulgação do Brasil na África do Sul é isso. Mostra um país onde apenas pessoas de pele clara podem desfrutar de uma praia em Fortaleza, passar uns dias num hotel cinco estrelas em Salvador ou fazer um passeio pelas Cataratas do Iguaçu.
Não quero aqui fazer propaganda de cota para negros no mercado publicitário. Pode ser bom para atores negros garantirem uma vaga no mercado de trabalho. Mas pode ser constrangedor para alguém saber que só conseguiu uma vaga num cast publicitário porque uma lei obrigou alguém a contratá-lo e, não fosse isso, ele continuaria penando para provar que é capaz de fazer um bom trabalho.
PARA REFLETIRMOS SOBRE AS COTAS!!!
Mas exibir um vídeo sobre um Brasil só com artistas brancos, na África do Sul, onde 80% da população é negra, soa, no mínimo como gafe ou brincadeira de mau gosto. Há muitos problemas a serem resolvidos no país que sedia esta Copa. A burocracia aqui é excessiva, o serviço público é lento, a Aids atinge 10% da população e crimes como assassinatos e estupros são comuns nas favelas. Mas, apesar do pesadelo do Apartheid, a classe média negra africana é enorme, se compararmos ao Brasil. É comum vermos nas ruas de Johanesburgo e das grandes cidades, negros e negras de todas as idades dirigindo BMWs, Mercedes, Audis e Porshes. Não é raro ver negros morando em mansões. Algo que, sejamos sinceros mais uma vez, é raro no Brasil. Aqui, negros almoçam e jantam em restaurantes finos.
Para a classe média brasileira, assistir a um intervalo inteiro na hora do jornal, da novela ou do futebol sem nenhum negro em cena, é normal. Passa batido. Mas para alguém de pele negra que vê milhares de pares dentro dos ônibus, no trabalho ou na praia durante o dia a dia, e não consegue vê-los na TV, que deveria ser o retrato da sociedade, pode ser doloroso. Nunca esqueço de uma mãe que me abordou um dia, em Brasília, enquanto eu gravava uma reportagem na rua. Sempre que o vejo na TV, digo ao meu filho que ele um dia também pode chegar onde você está. A mulher era negra. Sentiu-se representada na tela quando viu um repórter negro aparecer na televisão.
Vai aqui uma perguntinha para a Embratur: se o objetivo é arrecadar com a venda de passagens aéreas, hospedagem, restaurantes e bilhetes em pontos turísticos, por que não escalam atores negros nas propagandas? Há um mercado fantástico de pessoas assim, no Brasil e no mundo, que tiram férias e têm um dinheirinho no bolso. Mas eles precisam se sentir parte desse mundo turístico.
Eu, por enquanto, só preciso de uma resposta mais convincente para dar à senhora do Melrose Arch.
http://www.institutoadediversidade.com.br/cultura/video-da-embratur-foca-turistas-brancos-na-copa/
16 de ago. de 2010
Brasil - Afro / Salão Internacional de Fotografias
Difundir a cultura afro brasileira e estimular a livre manifestação artística, estas e outras propostas fazem do V Salão Nacional de Fotografias - "Brasil Afro". Nesta edição os participantes podem apresentar trabalhos que mapeie e mostre a negritude brasileira de diversas formas; dança, retrato, culinária, fotojornalismo, religião, e tudo mais que enriqueça e valorize a cultura afro.
1 de ago. de 2010
Sobre o GUIA, e as reproduções do racismo.
O Guia para o uso responsável da Internet possui versões voltadas para PROFESSORES/AS, FAMILIARES [PAIS] E CRIANÇAS, mas verificamos na capa da versão para professores/as, que a distribuição racial da população está erroneamente apresentada.
CAPA DO GUIA QUE JÁ NASCE RACISTA - 1
Nas capas dos guias voltados para os Familiares e Crianças, já percebemos um avanço no reconhecimento da distribuição da população negra no país. Motivo dos nossos elogios, neste caso.

Para obter maiores informações, vejam a reportagem do José Alves, logo abaixo:
A educação é a melhor das tecnologias
CAPA DO GUIA QUE JÁ NASCE RACISTA - 1
Nas capas dos guias voltados para os Familiares e Crianças, já percebemos um avanço no reconhecimento da distribuição da população negra no país. Motivo dos nossos elogios, neste caso.
Vejam a distribuição racial dos personagens apresentados nas capas do GUIA voltado para Pais (sic) e Crianças:
Para obter maiores informações, vejam a reportagem do José Alves, logo abaixo:
A educação é a melhor das tecnologias
Não foi à toa que uma lan house da região central da cidade de São Paulo foi escolhida como palco para um debate sobre os aspectos educacionais, sociais e legais do uso consciente da Internet, no último dia 29/07. O encontro reuniu representantes da SaferNet, CDI (Comitê para Democratização da Informática), Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, GVT e o apresentador Marcelo Tas, para o lançamento da 3ª edição do Guia para o uso responsável da Internet, cartilha elaborada com o intuito de orientar pais, professores e crianças sobre o uso seguro da rede mundial de computadores. Continua...
Fonte: EducaRede
Um GUIA, que já nasce racista - 1
Esta é a capa do Guia. O QUE NOS CHAMA A ATENÇÃO?
Observa as/os personagens da capa? São pessoas negras ou brancas?
Fonte: INEP
Um rápido olhar sobre os dados mais atuais, nos mostra que bem de longe, os Brancos se constituiem em todos os professores na educaçãobrasileira. E isso nbos faz refletir porque o GUIA traz em sua capa dois professores/as brancos, quando a distribuição da populaçõ negra é atualmente de 50% para negros e brancos. E na Educação, percebemos uma maior participação de brancos/as, mas isto não é motivos para que a participação dos/das negros/as seja invisibilizada.
Observa as/os personagens da capa? São pessoas negras ou brancas?
São situações como estas, que usam a internet, para reproduzir racismos e invisibilidades. Vjamos como esta representação neste Guia, lançado dia 27/07!!!! tem a nos dizer:
Censo Escolar: O Censo Escolar é um levantamento de dados estatístico-educacionais de âmbito nacional realizado todos os anos e coordenado pelo Inep. Ele é feito com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de Educação e com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país. O Censo traz informações sobre Professores: sexo, cor/raça, idade, escolaridade (formação: nível e curso, instituição formadora), etapa e modalidade de exercício, turma de exercício, disciplinas que ministra, nacionalidade, dentre outras.
Segundo este Censo, o Número de Professores da Educação Básica por Cor/Raça, segundo a Região Geográfica e a Unidade da Federação, em 2009 é o seguinte:
Fonte: INEP
Um rápido olhar sobre os dados mais atuais, nos mostra que bem de longe, os Brancos se constituiem em todos os professores na educaçãobrasileira. E isso nbos faz refletir porque o GUIA traz em sua capa dois professores/as brancos, quando a distribuição da populaçõ negra é atualmente de 50% para negros e brancos. E na Educação, percebemos uma maior participação de brancos/as, mas isto não é motivos para que a participação dos/das negros/as seja invisibilizada.
30 de jul. de 2010
Entre 70 países, Brasil é o 42° no ranking de economia digital
Esta é mais uma pesquisa que traz o Brasil para o centro de uma discussão importante para todos nós, porquei trata-se de mais um indicador que é amplamente divulgado por ai afora, mas que não traz no seu interior uma explicação de como este ranking irá conseguir impactar as desigualdades digitais que estão se acirrando no interior do País. Mas, vamos à reportagem.
O Brasil ocupa a 42ª posição na pesquisa Ranking Economia Digital 2010. O estudo, antes conhecido como e-readiness, é produzido anualmente pela divisão de consultoria da IBM e pela Unidade de Inteligência do The Economist. Em sua 11ª edição, a pesquisa tem por objetivo avaliar a capacidade de 70 países de absorverem novas tecnologias de informação e comunicação e aplicá-las a favor do desenvolvimento econômico e social.
Cálculo das pontuações: A pontuação é uma medida de quão amigável é o mercado local às oportunidades baseadas na internet. Mais de 100 critérios quantitativos e qualitativos, organizados em seis categorias distintas, são usados no cálculo de classificações do ranking. As seis categorias (e seu peso no modelo) são: infraestrutura de tecnologia e conectividade (20%); ambiente de negócios (15%); ambiente social e cultural (15%); ambiente jurídico (10%); visão e política do governo (15%); e adoção por empresas e consumidores (25%).
Continua...
O Brasil ocupa a 42ª posição na pesquisa Ranking Economia Digital 2010. O estudo, antes conhecido como e-readiness, é produzido anualmente pela divisão de consultoria da IBM e pela Unidade de Inteligência do The Economist. Em sua 11ª edição, a pesquisa tem por objetivo avaliar a capacidade de 70 países de absorverem novas tecnologias de informação e comunicação e aplicá-las a favor do desenvolvimento econômico e social.
Cálculo das pontuações: A pontuação é uma medida de quão amigável é o mercado local às oportunidades baseadas na internet. Mais de 100 critérios quantitativos e qualitativos, organizados em seis categorias distintas, são usados no cálculo de classificações do ranking. As seis categorias (e seu peso no modelo) são: infraestrutura de tecnologia e conectividade (20%); ambiente de negócios (15%); ambiente social e cultural (15%); ambiente jurídico (10%); visão e política do governo (15%); e adoção por empresas e consumidores (25%).
Continua...
16 de jul. de 2010
29 de jun. de 2010
ONU lança vídeo com depoimentos contra o estigma e o preconceito no Brasil
Vídeo complementa Campanha "Igual à Você", iniciativa que dá voz e notoriedade aos direitos humanos de estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas.
Brasília, 18 de junho de 2010 - Igualdade de direitos e um chamamento à sociedade brasileira para o tema das discriminações que homens, mulheres e crianças vivem diariamente no Brasil. Esses são os objetivos da campanha "Igual a Você", lançada pela ONU em 2009 e que agora ganha um vídeo especial.
O vídeo "Fragmentos", que será lançado hoje, traz uma compilação de depoimentos colhidos durante a produção da Campanha Igual à Você. Os testemunhos apresentados destacam as experiências de discriminação e preconceito específicas vividas por representantes das populações retratadas na Igual à Você (estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas).
Mais do que retratar os desafios, o vídeo Fragmentos traz mensagens de esperança e de compromisso com os direitos humanos expressos na voz dos participantes da Campanha Igual à Você.
O lançamento será realizado a partir das 13h, no Estande da ONU no VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, realizado em Brasília, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Após a apresentação, participantes do Vídeo Fragmentos e representantes das Nações Unidas participarão de um diálogo com o público presente.
Visibilidade para os direitos humanos
"Igual a Você" uma iniciativa contra o estigma e o preconceito dá voz e visibilidade aos direitos humanos das populações alvo da campanha. Produzidos pela agência [X]Brasil Comunicação em Causas Públicas e gravados em estúdio com trilha sonora original de Felipe Radicetti, os filmes e spots para rádio apresentam mensagens de lideranças de cada um dos grupos discriminados, levando em consideração às diversidades de idade, raça, cor e etnia. O vídeo Fragmentos apresenta uma coletânea de depoimentos colhidos ao longo da produção da Campanha e que reforçam a mensagem de luta contra o preconceito e em prol dos direitos humanos.
A campanha é uma oportunidade de sensibilização da sociedade brasileira para o respeito às diferenças, que caracterizam cada um dos grupos sociais inseridos na campanha, reafirmando a igualdade de direitos.
Assinatura da campanha
O preconceito se manifesta por meio de atitudes e práticas discriminatórias, tais como humilhações, agressões e acusações injustas pelo simples fato de as pessoas fazerem parte de um grupo social específico. É contra o estigma e o preconceito que as agências UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), com apoio do UNIC Rio (Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil), somam-se, mais uma vez, ao esforço da sociedade civil pela igualdade de direitos: ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), AMNB (Associação Brasileira de Mulheres Negras Brasileiras), ANTRA (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros), Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e Rede Brasileira de Prostitutas.
Acesse a Campanha:
http://www.onu-brasil.org.br/agencias_unaids_videos.php
http://www.onu-brasil.org.br/ ou http://www.youtube.com/user/UNAIDSBr
UNESCO no Brasil | Rebeca Otero | (61) 2106 3567
UNIFEM Brasil e Cone Sul | Isabel Clavelin | (61) 3038.9287 / 8175.6315
Brasília, 18 de junho de 2010 - Igualdade de direitos e um chamamento à sociedade brasileira para o tema das discriminações que homens, mulheres e crianças vivem diariamente no Brasil. Esses são os objetivos da campanha "Igual a Você", lançada pela ONU em 2009 e que agora ganha um vídeo especial.
O vídeo "Fragmentos", que será lançado hoje, traz uma compilação de depoimentos colhidos durante a produção da Campanha Igual à Você. Os testemunhos apresentados destacam as experiências de discriminação e preconceito específicas vividas por representantes das populações retratadas na Igual à Você (estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas).
Mais do que retratar os desafios, o vídeo Fragmentos traz mensagens de esperança e de compromisso com os direitos humanos expressos na voz dos participantes da Campanha Igual à Você.
O lançamento será realizado a partir das 13h, no Estande da ONU no VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, realizado em Brasília, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Após a apresentação, participantes do Vídeo Fragmentos e representantes das Nações Unidas participarão de um diálogo com o público presente.
Visibilidade para os direitos humanos
"Igual a Você" uma iniciativa contra o estigma e o preconceito dá voz e visibilidade aos direitos humanos das populações alvo da campanha. Produzidos pela agência [X]Brasil Comunicação em Causas Públicas e gravados em estúdio com trilha sonora original de Felipe Radicetti, os filmes e spots para rádio apresentam mensagens de lideranças de cada um dos grupos discriminados, levando em consideração às diversidades de idade, raça, cor e etnia. O vídeo Fragmentos apresenta uma coletânea de depoimentos colhidos ao longo da produção da Campanha e que reforçam a mensagem de luta contra o preconceito e em prol dos direitos humanos.
A campanha é uma oportunidade de sensibilização da sociedade brasileira para o respeito às diferenças, que caracterizam cada um dos grupos sociais inseridos na campanha, reafirmando a igualdade de direitos.
Assinatura da campanha
O preconceito se manifesta por meio de atitudes e práticas discriminatórias, tais como humilhações, agressões e acusações injustas pelo simples fato de as pessoas fazerem parte de um grupo social específico. É contra o estigma e o preconceito que as agências UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), com apoio do UNIC Rio (Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil), somam-se, mais uma vez, ao esforço da sociedade civil pela igualdade de direitos: ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), AMNB (Associação Brasileira de Mulheres Negras Brasileiras), ANTRA (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros), Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e Rede Brasileira de Prostitutas.
Acesse a Campanha:
http://www.onu-brasil.org.br/agencias_unaids_videos.php
http://www.onu-brasil.org.br/ ou http://www.youtube.com/user/UNAIDSBr
UNESCO no Brasil | Rebeca Otero | (61) 2106 3567
UNIFEM Brasil e Cone Sul | Isabel Clavelin | (61) 3038.9287 / 8175.6315
19 de jun. de 2010
Game: Revolta dos Búzios
O jogo visa criar um espaço de aprendizagem para o ensino da História, enfatizando a Revolta dos Alfaiates, importante movimento baiano de cunho popular. Este fato histórico é considerado o levante do fim do período colonial mais incisivo na defesa dos ideais de liberdade e igualdade dos cidadãos propagados pela Revolução Francesa, daí os inconfidentes pretenderem proclamar a República. O mais importante é que diferentes camadas da sociedade participaram do movimento, principalmente representantes de classes mais pobres e afrodescentes.
Portanto, o jogo será mais um olhar que oportunizará aos alunos a construção de conceitos, o conhecimento de cenários, ambientes, objetos e vultos históricos da época em questão, resgatando um momento da História baiana rico de fatos políticos e de lutas do povo por melhores condições de vida e trabalho.
Assim, o jogo criará situações que favoreçam a reflexão, problematização e o confronto com a realidade em que vivemos articulando com o presente e compreendendo a importância da Lei 10.639/03 para a formação social e crítica do nosso povo. É importante ressaltar que Salvador foi a primeira capital do Brasil a adotar oficialmente o ensino da cultura negra, todavia continua ostentando uma realidade onde falta respeito e valorização à etnia que corresponde à maioria de sua população pobre.
No jogo Búzios está sendo mantida a veracidade dos fatos. Bem como, aspectos relacionados a arquitetura, as paisagens, aos locais e os personagens reais deste momento histórico serão retratados com fidelidade, mesclados com elementos ficcionais para evidenciar o clima de tensão e agitação que fervilhava nas ruas de Salvador, e de outros estados que sediaram movimentos de revolta. Os alunos e professores se defrontarão com aspectos econômicos e sociais, como os anseios da classe subordinada do Brasil colonial, tendo que tomar decisões e criar estratégias para solucionar os problemas enfrentados na época, ao mesmo tempo em que poderão transpor a realidade do jogo analisando a sociedade em que vivemos.
Esperamos assim, contribuir para um efetivo envolvimento entre professores e alunos na construção de conceitos mediados pelo jogo eletrônico, de uma forma dinâmica, interativa, e problematizadora, na medida em que terão oportunidade de vivenciar, através da simulação, as ações que contribuíram para independência da Bahia, conhecendo a História e os motivos de insatisfação social que assolava o país naquele período, tendo a oportunidade de refletir sobre as condições sociais e econômicas que a população vivia, bem como terão que administrar as províncias abastecendo-as com alimentos e outros produtos, construindo novas edificações e defendendo-as dos invasores.
O jogo Búzios: ecos de liberdade dará oportunidade aos alunos e professores de vivenciar, refletir e trabalhar conteúdos históricos e fatos políticos, contribuindo para a investigação que o grupo Comunidades Virtuais vem fazendo a acerca da aprendizagem e dos games.
Búzios – Ecos da Liberdade é um game 2D, no estilo adventure, desenvolvido em Flash. O personagem principal Francisco Vilar, que é ficcional, é um mulato brasileiro que vai estudar direito em Portugal, ao concluir seus estudos e retorna para sua cidade natal, Salvador - Bahia.
O enredo aliado ao conteúdo histórico da Revolta dos Alfaiates busca imergir o gamer na atmosfera de Salvador do século XVIII (1798 e 1799), tratando de escravidão, contexto econômico, político e social, além de lutas pela liberdade e cotidiano e imaginário social.
Alguns dos NPCs (personagens não jogáveis) são personagens históricos bastante conhecidos e que foram marcantes em sua época, tais como Cipriano Barata, Lucas Dantas, Manuel Faustino e Luiz Gonzaga.
O jogo será sobre a Revolta dos Alfaiates, a primeira revolta social do Brasil que agregou pessoas pertencentes a diferentes camadas sociais. Assim, retratará a província da Bahia durante o período de 1798 e 1799. Mostrando cenários representando Zona portuária, Engenho e uma embarcação utilizada para longas viagens neste período.
Fonte: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/buzios/
Prêmio Dardos
Recebemos o Prêmio Dardo, através do Blog Fazer Valer a Lei 11.645/08, mantido pela Profª Zelinda Barros. Por sua vez, o Blog fazer Valer a Lei, recebeu o Prêmio do Blog Associação de Estudos e Atividades Filosóficos - SEAF. Este é um reconhecimento importante para que possamos manter a qualidade e atenção à esta temática tão pouco abordada.
"É um selo importante pois é reconhecimento a blogueiros/as que levam a vida a sério, também na blogosfera". SEAF
Algumas regras. Após o recebimento deste selo, devemos:
"É um selo importante pois é reconhecimento a blogueiros/as que levam a vida a sério, também na blogosfera". SEAF
Algumas regras. Após o recebimento deste selo, devemos:
a) exibir a imagem do selo em seu blog;
b) postar um link para o blog que o/a escolheu;
c) escolher outros quinze blogs a quem entregar o prêmio;
d) avisar aos escolhidos.
18 de jun. de 2010
Morre um escritor, nasce uma lenda - José Saramago
"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo".
(José Saramago)
Essa sexta feira, dia 18 de junho vai entrar para a história como o dia em que morreu um dos maiores escritores da atualidade, aos 87 anos José Saramago parte deste mundo e deixa um legado cultural imenso. A humanidade perde um escritor, mas ganha uma lenda, suas obras alcançaram um tempo muito maior que a sua curta vida humana, Saramago agora é imortal, nos livros, nos filmes, nas bocas de milhões que levam as histórias desse autor português.
Um adeus a Saramago e que as suas palavras possam confortar a humanidade diante dessa perda.
http://historiofobia.blogspot.com/2010/06/morre-um-escritor-nasce-uma-lenda-jose.html
24 de mai. de 2010
Governo irá criar o Fórum Brasil Digital
Depois de o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinar o decreto instituindo o Plano Nacional de Banda Larga − o que está previsto para maio −, a próxima etapa será a criação do Fórum Brasil Digital, que irá congregar setor público, empresas e cidadãos, visando formular plano de ação de longo prazo para os temas estratégicos de tecnologias de informação e comunicação (TICs).
Fonte: http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/governo-ir-criar-o-frum-brasil-digital
Fonte: http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/governo-ir-criar-o-frum-brasil-digital
17 de mai. de 2010
Racismo na internet: Juiza Luislinda Valois confundida com camareira
Algumas pessoas, como o sociólogo Demétrio Magnoli e o chefão do jornalismo da Globo, Ali Kamel, tentam nos provar que não existe racismo no país, mesmo com fatos todos os dias ligados ao preconceito. Vocês sabem aquele típico ato racista, de chegar para um negro e pedir para ele guardar o carro, ou sempre relacioná-lo a qualquer cargo subalterno? Agora a internet criou o equivalente virtual a isso.
No portal de celebridades 'Estrelando", a primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois, foi confundida com uma camareira por um desavisado e racista jornalista. Assim ficou a legenda da foto em que ela aparece: "Natália do Vale, a Ingrid, enche a camareira de carinhos". Que linda a relação entre patroa e empregada! Quase a democracia racial de amor entre a Casa Grande e a Senzala, tão sonhada pelos intelectuais citados acima.
Até quando, dentro da comunicação, a prática de crimes estará impune? É por essas e outra que os movimentos sociais exigem que exista respeito aos Direitos Humanos na mídia e que isso se faça através de Controle Social e da Lei.
O tal portal (r7) já mudou a legenda, o que não retira a vergonhosa falha. Um ato falho, como a voz vazada de Boris Casoy revelando o ódio aos trabalhadores pobres. Desta forma vemos como o racismo está arraigado no pensamento brasileiro, apesar de alguns, por burrice ou mal-caratismo, defenderem que ele não existe.
Fonte: http://www.geledes.org.br/sos-racismo/racismo-na-internet-juiza-luislinda-valois-confundida-com-camareira.html
Fonte: Blog do Humberto Adami
Postagens anteriores onde a juíza é reconhecida enquanto tal.
http://observatoriodoracismovirtual.blogspot.com/2010/02/as-lutas-nao-sao-poucas-na-bahia-entao.html
http://observatoriodoracismovirtual.blogspot.com/2010/02/o-direito-discutir-o-racismo-e-apenas.html
No portal de celebridades 'Estrelando", a primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois, foi confundida com uma camareira por um desavisado e racista jornalista. Assim ficou a legenda da foto em que ela aparece: "Natália do Vale, a Ingrid, enche a camareira de carinhos". Que linda a relação entre patroa e empregada! Quase a democracia racial de amor entre a Casa Grande e a Senzala, tão sonhada pelos intelectuais citados acima.
Até quando, dentro da comunicação, a prática de crimes estará impune? É por essas e outra que os movimentos sociais exigem que exista respeito aos Direitos Humanos na mídia e que isso se faça através de Controle Social e da Lei.
O tal portal (r7) já mudou a legenda, o que não retira a vergonhosa falha. Um ato falho, como a voz vazada de Boris Casoy revelando o ódio aos trabalhadores pobres. Desta forma vemos como o racismo está arraigado no pensamento brasileiro, apesar de alguns, por burrice ou mal-caratismo, defenderem que ele não existe.
Fonte: http://www.geledes.org.br/sos-racismo/racismo-na-internet-juiza-luislinda-valois-confundida-com-camareira.html
Fonte: Blog do Humberto Adami
Postagens anteriores onde a juíza é reconhecida enquanto tal.
http://observatoriodoracismovirtual.blogspot.com/2010/02/as-lutas-nao-sao-poucas-na-bahia-entao.html
http://observatoriodoracismovirtual.blogspot.com/2010/02/o-direito-discutir-o-racismo-e-apenas.html
16 de mai. de 2010
Parem as máquinas
Os jornais impressos perderam sua função informativa e agora começam a perder leitores e poder político. Suas gigantescas rotativas estão se tornando antieconômicas
Por: Bernardo Kucinski
Publicado em 01/05/2009
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/35/parem-as-maquinas
A internet já supera todos os meios de comunicação como principal fonte regular de notícias dos americanos. O torpedo, que qualquer um pode enviar por celular, já é o mais poderoso meio de mobilização social. Foi um torpedo que salvou São Paulo da catástrofe, quando o estoque de sangue do Hospital das Clínicas caiu repentinamente para apenas 325 bolsas em outubro e operações chegaram a ser suspensas. Carlos Knapp, dirigente da Fundação Pró-Sangue, pediu à operadora Claro que lançasse um torpedo de apelo, e na manhã seguinte já havia filas de doadores. Filas que se mantêm até hoje, porque a Pró-Sangue identificou-se com o mundo afetivo dos jovens, sua forma de viver e se socializar. É um novo mundo, no qual a comunicação transcende o mero ato de informar e ganha dimensão antropológica, ou seja, molda o ser humano desde a infância. Uma nova “ambiência”, como diz o professor Muniz Sodré, na qual impulsos digitais se convertem em prática social e afetiva. Continua...
Por: Bernardo Kucinski
Publicado em 01/05/2009
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/35/parem-as-maquinas
A internet já supera todos os meios de comunicação como principal fonte regular de notícias dos americanos. O torpedo, que qualquer um pode enviar por celular, já é o mais poderoso meio de mobilização social. Foi um torpedo que salvou São Paulo da catástrofe, quando o estoque de sangue do Hospital das Clínicas caiu repentinamente para apenas 325 bolsas em outubro e operações chegaram a ser suspensas. Carlos Knapp, dirigente da Fundação Pró-Sangue, pediu à operadora Claro que lançasse um torpedo de apelo, e na manhã seguinte já havia filas de doadores. Filas que se mantêm até hoje, porque a Pró-Sangue identificou-se com o mundo afetivo dos jovens, sua forma de viver e se socializar. É um novo mundo, no qual a comunicação transcende o mero ato de informar e ganha dimensão antropológica, ou seja, molda o ser humano desde a infância. Uma nova “ambiência”, como diz o professor Muniz Sodré, na qual impulsos digitais se convertem em prática social e afetiva. Continua...
5 de mai. de 2010
Pobres utilizam mais a internet para estudar do que os ricos
O Centro de Estudo sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), departamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, divulgou nesta semana uma pesquisa na qual investigou o comportamento dos usuários da internet no país. Concluiu que chega a 71% o número de usuários da internet que a utilizam para fins educacionais. O quadro que recorta esse grupo e o separa dos demais deixa claros alguns detalhes do perfil do brasileiro que se educa pela internet.
Nesse levantamento, chama a atenção o fato de que as classes D e E utilizam com mais freqüência a internet para fins educacionais do que a classe A. Entre os mais pobres, 72% dos usuários da internet a utilizam para se educar. Entre os mais ricos, esse percentual chega a 68%. Note-se pelo levantamento que, de todas as classes sociais, os mais ricos são os que menos utilizam a rede de computadores com a finalidade educacional. Nessa divisão por classe social, a classe B é a maior usuária da internet para esta finalidade (73%). Esse levantamento é coerente com outras pesquisas do próprio Comitê Gestor que indicam uso freqüente da internet pela população de baixa renda em ambientes como os das lan houses, por exemplo.
Se a classificação for por faixa de renda, os que ganham até um salário mínimo são os que mais utilizam a rede para se educar (76%), enquanto que os que ganham mais de dez salários mínimos são os que menos usam (69%).
A pesquisa também verificou que, entre os usuários da internet, é mais intenso o seu uso educacional por mulheres (75%) do que por homens (69%), e mais por moradores da região norte (83%) e nordeste (77%) do que por moradores do Sudeste (70%) e do Sul (64%). Vê-se ainda que a faixa etária dos 10 a 15 anos é a que mais utiliza a internet para fins educacionais (90%).
Aqui, a tabela com os resultados para os usuários que estudam pela internet. E o resultado completo da pesquisa aqui, no site do CETIC.
Notícas Educação | Por: Carlos Santana
Fonte: http://geledes.org.br/noticas-educacao/pobres-utilizam-mais-a-internet-para-estudar-do-que-os-ricos.html
Nesse levantamento, chama a atenção o fato de que as classes D e E utilizam com mais freqüência a internet para fins educacionais do que a classe A. Entre os mais pobres, 72% dos usuários da internet a utilizam para se educar. Entre os mais ricos, esse percentual chega a 68%. Note-se pelo levantamento que, de todas as classes sociais, os mais ricos são os que menos utilizam a rede de computadores com a finalidade educacional. Nessa divisão por classe social, a classe B é a maior usuária da internet para esta finalidade (73%). Esse levantamento é coerente com outras pesquisas do próprio Comitê Gestor que indicam uso freqüente da internet pela população de baixa renda em ambientes como os das lan houses, por exemplo.
Se a classificação for por faixa de renda, os que ganham até um salário mínimo são os que mais utilizam a rede para se educar (76%), enquanto que os que ganham mais de dez salários mínimos são os que menos usam (69%).
A pesquisa também verificou que, entre os usuários da internet, é mais intenso o seu uso educacional por mulheres (75%) do que por homens (69%), e mais por moradores da região norte (83%) e nordeste (77%) do que por moradores do Sudeste (70%) e do Sul (64%). Vê-se ainda que a faixa etária dos 10 a 15 anos é a que mais utiliza a internet para fins educacionais (90%).
Aqui, a tabela com os resultados para os usuários que estudam pela internet. E o resultado completo da pesquisa aqui, no site do CETIC.
Notícas Educação | Por: Carlos Santana
Fonte: http://geledes.org.br/noticas-educacao/pobres-utilizam-mais-a-internet-para-estudar-do-que-os-ricos.html
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico terá representante da população negra
Por Arísia Barros Reproduzimos o e-mail recebido de Verônica L. O. Maia, assessora Técnica Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas –SUBAA:
Prezada Arísia,
Já que vocês saíram da Conferência Regional de CT&I peço que divulgue para os acadêmicos que puder. Atualmente não temos dados sobre pesquisadores negros no CNPq, apenas que são muito poucos e que a questão da igualdade racial não se constitui numa linha de pesquisa e nem em uma pauta freqüente na instituição. É preciso colocar mais negros no CNPq.
No I simpósio - A população negra na Ciência e Tecnologia, que foi realizado de 06 a 08 de abril, em Pirassununga pela SEPPIR em parceria com a faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, tomamos conhecimento de que o prazo para indicação de novos membros para o Conselho Administrativo do CNPq, está em aberto até 30/04/2010.
Nesse sentido gostaríamos de solicitar as professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores aptos a indicarem e serem indicados que atuem no sentido de indicarem representantes da população negra, a fim de criarem maiores oportunidades para a promoção da pesquisa e da Ciência e Tecnologia com inclusão da população negra. Leiam abaixo as indicações que estão no site do CNPq. Basta indicar e os nomes indicados serão apreciados pelo Conselho Deliberativo.
Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blogs/listar/editoria/raizes-da-africa/pagina/3
Prezada Arísia,
Já que vocês saíram da Conferência Regional de CT&I peço que divulgue para os acadêmicos que puder. Atualmente não temos dados sobre pesquisadores negros no CNPq, apenas que são muito poucos e que a questão da igualdade racial não se constitui numa linha de pesquisa e nem em uma pauta freqüente na instituição. É preciso colocar mais negros no CNPq.
No I simpósio - A população negra na Ciência e Tecnologia, que foi realizado de 06 a 08 de abril, em Pirassununga pela SEPPIR em parceria com a faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, tomamos conhecimento de que o prazo para indicação de novos membros para o Conselho Administrativo do CNPq, está em aberto até 30/04/2010.
Nesse sentido gostaríamos de solicitar as professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores aptos a indicarem e serem indicados que atuem no sentido de indicarem representantes da população negra, a fim de criarem maiores oportunidades para a promoção da pesquisa e da Ciência e Tecnologia com inclusão da população negra. Leiam abaixo as indicações que estão no site do CNPq. Basta indicar e os nomes indicados serão apreciados pelo Conselho Deliberativo.
Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blogs/listar/editoria/raizes-da-africa/pagina/3
"Direito à Memória e à Verdade".
Novos heróis e heroínas irão a partir dessa “redescoberta” compor a história do país diverso. Um país que dito mestiço “esquece” os negros em simbólicos porões da invisibilidade histórica. Nossas histórias têm memória. Essa memória será recontada em livros de histórias, em livros da escola. Essa é uma das propostas da Lei Federal nº10.639/03.
São Paulo - Os nomes de quarenta brasileiros negros que participaram da resistência à ditadura militar (1.964/1985) começaram a ser divulgados por iniciativa do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), de S. Paulo no Catálogo "Direito à Memória e à Verdade".
Entre os nomes estão o de Carlos Marighella, Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o lendário Comandante na Guerilha do Araguaia, e Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas também mortas na Guerilha do Araguaia.
O resgate da participação de brasileiros negros na luta de resistência ao regime militar começou na II Conferência Nacional da Igualdade Racial, realizada em junho do ano passado. Os textos do Catálogo, divulgado por iniciativa do Condepe de S. Paulo, foram extraídos do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade - Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos", editado pela Secretaria especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em 2007, com apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
Os casos relatados foram objeto de processo na Comissão e os familiares das vítimas indenizados pelo Estado Brasileiro. Segundo o presidente do Condepe, jornalista Ivan Seixas (foto), ele próprio ex-preso político, a iniciativa de resgatar o papel dos negros na resistência à ditadura é importante para desmitificar a idéia de que "a resistência ao regime teve a participação apenas de brancos de classe média". "Acho essa iniciativa fundamental", afirmou.
Resistência - O Catálogo inclui personagens negros da resistência ao regime, como o líder sindical do Sindicato dos Ferroviários do rio de Janeiro, José de Souza (1.931/1.964), cuja versão oficial para a morte é de que teria cometido suicídio nove dias depois de preso e conduzido ao DOPS/RJ para averiguações.
Mulher negra - Outras personagens negras lembradas no Catálogo são as guerrilheiras Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas combatentes na Guerilha do Araguaia.
Dinalva, a Dina, transformou-se numa lenda na região do Araguia, onde se acreditava na sua capacidade de virar borboleta para despistar os militares. Professora e parteira dentre os nativos, destacou-se como exímia atiradora e por participar em várias ações armadas. Foi a única mulher a alcançar um posto de comando.
Baiana de Castro Alves, estava grávida quando foi presa, segundo várias testemunhas. O jornalista Hugo Studart conta no livro "A Lei da Selva", que ela foi executada. "O primeiro tiro lhe atingiu o peito, o segundo, a cabeça", relata, o jornalista.
Helenira (1.944/1972), que usava o codinome de Fátima, na Guerrilha, foi metralhada nas pernas e depois torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Eliza de Lima Monerat.
Comandante Crioulo - Luiz José da Cunha (1.943/1.973) foi o último desaparecido político a ter os restos mortais identificados. Ele foi sepultado no dia 02 de setembro de 2.006, no Cemitério Parque das Flores, em Recife, ao lado do túmulo da mãe, trinta e três anos depois de ser morto pelos órgãos de segurança do regime. Sua ossada, sem o crânio, havia sido exumada no cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1.991, onde se encontrava enterrado como indigente. Somente, em junho um exame do DNA identificou o seu corpo.
No Atestado de óbito de Crioulo - alto dirigente da ALN e um dos primeiros a acompanhar Marighela, constava "branco" como a sua cor. Para Seixas, esse fato, que só foi corrigido pouco antes do enterro dos seus restos mortais, demonstra "em que medida e até que ponto foi levado o desrespeito a identidade étnica do dirigente guerrilheiro".
Marighella - O nome mais conhecido entre os líderes negros da resistência ao regime militar foi Carlos Marighela (1.911/1969), o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), considerado o inimigo número 1 do regime militar.
Marighella foi atingido na aorta por uma bala à queima roupa, na Alameda Casa Branca, em S. Paulo, no dia 04 de novembro de 1.969. Era filho de um imigrante italiano - Carlos Augusto Marighela - e de uma negra descendente de escravos - Maria Rita do Nascimento.
Foi eleito deputado pelo Partido Comunista na Constituinte de 1.946 e foi cassado quando o Governo Dutra colocou o Partido na ilegalidade. Passou à ilegalidade onde militou até sua morte. Em 1.967, rompeu com a direção do PCB e passou a dedicar-se as atividades de resistência armada criando uma organização político-militar que em 1.969 adotaria o nome de ALN.
O último nome do Catálogo é o do operário Santo Dias da Silva (1.942/1.979) morto pela Polícia Militar no dia 30 de outubro de 1.979, quando liderava um piquete de greve em frente à fábrica Silvânia, no bairro paulistano de Santo Amaro.
São Paulo - Os nomes de quarenta brasileiros negros que participaram da resistência à ditadura militar (1.964/1985) começaram a ser divulgados por iniciativa do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), de S. Paulo no Catálogo "Direito à Memória e à Verdade".
Entre os nomes estão o de Carlos Marighella, Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o lendário Comandante na Guerilha do Araguaia, e Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas também mortas na Guerilha do Araguaia.
O resgate da participação de brasileiros negros na luta de resistência ao regime militar começou na II Conferência Nacional da Igualdade Racial, realizada em junho do ano passado. Os textos do Catálogo, divulgado por iniciativa do Condepe de S. Paulo, foram extraídos do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade - Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos", editado pela Secretaria especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em 2007, com apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
Os casos relatados foram objeto de processo na Comissão e os familiares das vítimas indenizados pelo Estado Brasileiro. Segundo o presidente do Condepe, jornalista Ivan Seixas (foto), ele próprio ex-preso político, a iniciativa de resgatar o papel dos negros na resistência à ditadura é importante para desmitificar a idéia de que "a resistência ao regime teve a participação apenas de brancos de classe média". "Acho essa iniciativa fundamental", afirmou.
Resistência - O Catálogo inclui personagens negros da resistência ao regime, como o líder sindical do Sindicato dos Ferroviários do rio de Janeiro, José de Souza (1.931/1.964), cuja versão oficial para a morte é de que teria cometido suicídio nove dias depois de preso e conduzido ao DOPS/RJ para averiguações.
Mulher negra - Outras personagens negras lembradas no Catálogo são as guerrilheiras Dinalva Oliveira Teixeira (1.945/1.974) e Helenira Resende de Souza Nazareth (1.944/1.972, ambas combatentes na Guerilha do Araguaia.
Dinalva, a Dina, transformou-se numa lenda na região do Araguia, onde se acreditava na sua capacidade de virar borboleta para despistar os militares. Professora e parteira dentre os nativos, destacou-se como exímia atiradora e por participar em várias ações armadas. Foi a única mulher a alcançar um posto de comando.
Baiana de Castro Alves, estava grávida quando foi presa, segundo várias testemunhas. O jornalista Hugo Studart conta no livro "A Lei da Selva", que ela foi executada. "O primeiro tiro lhe atingiu o peito, o segundo, a cabeça", relata, o jornalista.
Helenira (1.944/1972), que usava o codinome de Fátima, na Guerrilha, foi metralhada nas pernas e depois torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Eliza de Lima Monerat.
Comandante Crioulo - Luiz José da Cunha (1.943/1.973) foi o último desaparecido político a ter os restos mortais identificados. Ele foi sepultado no dia 02 de setembro de 2.006, no Cemitério Parque das Flores, em Recife, ao lado do túmulo da mãe, trinta e três anos depois de ser morto pelos órgãos de segurança do regime. Sua ossada, sem o crânio, havia sido exumada no cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1.991, onde se encontrava enterrado como indigente. Somente, em junho um exame do DNA identificou o seu corpo.
No Atestado de óbito de Crioulo - alto dirigente da ALN e um dos primeiros a acompanhar Marighela, constava "branco" como a sua cor. Para Seixas, esse fato, que só foi corrigido pouco antes do enterro dos seus restos mortais, demonstra "em que medida e até que ponto foi levado o desrespeito a identidade étnica do dirigente guerrilheiro".
Marighella - O nome mais conhecido entre os líderes negros da resistência ao regime militar foi Carlos Marighela (1.911/1969), o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), considerado o inimigo número 1 do regime militar.
Marighella foi atingido na aorta por uma bala à queima roupa, na Alameda Casa Branca, em S. Paulo, no dia 04 de novembro de 1.969. Era filho de um imigrante italiano - Carlos Augusto Marighela - e de uma negra descendente de escravos - Maria Rita do Nascimento.
Foi eleito deputado pelo Partido Comunista na Constituinte de 1.946 e foi cassado quando o Governo Dutra colocou o Partido na ilegalidade. Passou à ilegalidade onde militou até sua morte. Em 1.967, rompeu com a direção do PCB e passou a dedicar-se as atividades de resistência armada criando uma organização político-militar que em 1.969 adotaria o nome de ALN.
O último nome do Catálogo é o do operário Santo Dias da Silva (1.942/1.979) morto pela Polícia Militar no dia 30 de outubro de 1.979, quando liderava um piquete de greve em frente à fábrica Silvânia, no bairro paulistano de Santo Amaro.
“Do nada, ele virou de lado, olhou para a minha cara e cuspiu em mim me chamando de negra safada”,
Herança do período escravocrata o racismo invade e manipula o conceito social de igualdade humana. O preconceito racial no Brasil é estruturante, mesmo sendo maioria no percentual quantitativo dos 188 milhões da população brasileira , negros ainda são hóspedes incômodos no país da democracia racial.
Uma cuspida na cara seguida de xingamento de “negra safada”. Assim foi agredida a copeira Hilda (nome fictício), 41 anos. A senhora de cabelos crespos e pele negra estava sentada em um dos bancos do ônibus da empresa Viva Brasília, que fazia a linha L2 Norte/Rodoviária do Plano Piloto, quando ouviu a humilhação do homem de pele branca. O episódio ocorreu por volta das 11h de ontem. O comerciante André Luiz Soares Nasser, 35 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, após um passageiro indignado ter segurado o agressor, impedindo-o de descer do coletivo. O caso foi parar na 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte) e na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir). André Nasser foi indiciado pelo crime de injúria racial qualificada (veja o que diz a lei) e lesão corporal. Se condenado, pode pegar até quatro anos de prisão.
Continua...
COMO DENUNCIAR Denúncias de racismo podem ser feitas pelo telefone 0800-6441508 ou na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República pelo número (61) 3411-3695
Uma cuspida na cara seguida de xingamento de “negra safada”. Assim foi agredida a copeira Hilda (nome fictício), 41 anos. A senhora de cabelos crespos e pele negra estava sentada em um dos bancos do ônibus da empresa Viva Brasília, que fazia a linha L2 Norte/Rodoviária do Plano Piloto, quando ouviu a humilhação do homem de pele branca. O episódio ocorreu por volta das 11h de ontem. O comerciante André Luiz Soares Nasser, 35 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, após um passageiro indignado ter segurado o agressor, impedindo-o de descer do coletivo. O caso foi parar na 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte) e na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir). André Nasser foi indiciado pelo crime de injúria racial qualificada (veja o que diz a lei) e lesão corporal. Se condenado, pode pegar até quatro anos de prisão.
Continua...
COMO DENUNCIAR Denúncias de racismo podem ser feitas pelo telefone 0800-6441508 ou na ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República pelo número (61) 3411-3695
22 de abr. de 2010
Programa “Mulheres jovens na Sociedade da Informação/Conhecimento”
Programa “Mulheres jovens na Sociedade da Informação/Conhecimento”
JOVENS PESQUISANDO JOVENS
De 17 de maio a 17 de dezembro de 2010
ABERTAS AS INSCRIÇÕES
SEGUNDA EDIÇÃO - 2010
- - Voltado para mulheres jovens (18-30 anos)
- Objetiva fortalecer suas capacidades para desenvolver projetos de pesquisa sobre juventude a partir de uma perspectiva de gênero.
Todas as atividades serão realizadas na plataforma digital http://www.catunescomujer.org/
Bolsas UNIFEM 2010
- Destinadas a mulheres (18 a 30 anos) de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.
- Especial interesse em candidaturas de jovens de grupos indígenas e afrodescendentes.
20 bolsas disponíveis. Cada uma compreende:
- Participação em: Oficina de Formação, Comunidades de Prática e Tutoria on line.
- Apoio econômico (USD 2000) para implementar as fases iniciais das ideais-projetos de pesquisa.
Todas as bolsistas colaborarão com a elaboração de um mapa regional de organizações que trabalhem sobre/com mulheres jovens indígenas e afrodescendentes.
Maiores informações em: http://www.prigepp.org/mails/2010/12-04/requisitos_bolsas_unifem.pdf
Jovem negro é alvo, segundo Mapa
Brasília - O risco que corre um jovem negro no país da democracia racial de ser assassinado é 130% maior que o de um jovem branco, segundo o Mapa da Violência, Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.
Os maiores índices de mortes violentas estão concentrados na população jovem, entre 15 e 24 anos. Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país. O Estado que apresentou o maior crescimento na taxa de assassinatos de jovens entre 1997 e 2007 foi Alagoas, que passou de 170 mortes em 1997 para 763 mortes dez anos depois (crescimento de 348,8%).
Por outro lado, São Paulo foi o Estado que apresentou a maior queda (- 60,6%), passando de 4.682 mortes em 1997 para 1.846 óbitos em 2007.
Fonte: Por: Redação - Fonte: Afropress - 2/4/2010
Os maiores índices de mortes violentas estão concentrados na população jovem, entre 15 e 24 anos. Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país. O Estado que apresentou o maior crescimento na taxa de assassinatos de jovens entre 1997 e 2007 foi Alagoas, que passou de 170 mortes em 1997 para 763 mortes dez anos depois (crescimento de 348,8%).
Por outro lado, São Paulo foi o Estado que apresentou a maior queda (- 60,6%), passando de 4.682 mortes em 1997 para 1.846 óbitos em 2007.
Fonte: Por: Redação - Fonte: Afropress - 2/4/2010
4 de abr. de 2010
Plano Nacional de Banda Larga é indispensável para o Brasil
Um estudo recente do Banco Mundial mostra que um aumento de 10% no número de conexões de banda larga em países emergentes induz um crescimento adicional de mais de 1,3% no PIB. Só esse dado demonstra que é inquestionável a necessidade de um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O argumento é de Carlos Afonso, especialista em gestão da internet e em inclusão digital, membro do Internet Governance Forum (IGF), órgão consultivo do secretário-geral das Nações Unidas sobre governança da internet, e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), em entrevista exclusiva ao Guia das Cidades Digitais. Para ele, o governo federal tem que criar as condições básicas para que a internet chegue a todos os m unicípios, mas a operação disso até o usuário final deve ser responsabilidade dos pequenos empreendedores e provedores locais − e não das concessionárias de telecomunicações, “cartel” que até hoje não fez a universalização.
Fonte: Newsletter número 95 - 09 de março de 2010 - Guia das Cidades Digitais
22 de mar. de 2010
O racismo explícito da Folha e O Globo
Ter, 16 de Março de 2010 20:16
E ainda tem gente que acha que não existe racismo no Brasil. Mas a própria mídia elitista desmente os adeptos desta tese fajuta – pregada, entre outros, pelo “senhor das trevas” da Rede Globo, Ali Kamel.
Fonte: Portal Vermelho 15 de Março de 2010 - 14h34
Nos últimos dias, ela cometeu dois crimes de racismo. O jornal O Globo simplesmente vetou a publicação de um anúncio pago (pago!) do movimento Afirme-se, que defende as cotas nas universidades brasileiras. Já a FSP (Folha Serra Presidente) se meteu numa enrascada ao dar espaço para o racista Demétrio Magnoli, que esculhambou dois repórteres do próprio jornal.
A peça publicitária do movimento Afirme-se, produzida pela agência baiana Propeg, enfatizava que 60% dos brasileiros apóiam as políticas afirmativas e defendia a manutenção das cotas. O anúncio visava interferir nos debates da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Ele foi publicado em vários veículos ao custo médio de R$ 40 mil. Já o jornal da famíglia Marinho, que antes havia orçado a publicação em R$ 54.163,200, ao saber do conteúdo da campanha elevou o preço para R$ 712.608,00 – um aumento de 1.300%.
Preço elevado em 1.300%
Diante deste evidente racismo, a entidade ingressou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra O Globo, exigindo a “punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito”. Para o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, o majoração de 1.300% “é uma coisa irracional, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”. Segundo o advogado João Fontoura Filha, a atitude do jornal atenta contra a liberdade de expressão e fere vários artigos da Constituição.
Na ação enviada ao subprocurador-geral de Justiça e Direitos Humanos, o advogado afirma que o anúncio visava “informar a sociedade a respeito da constitucionalidade das cotas – tão atacadas nos editoriais e artigos difundidos, entre outros, pelo O Globo”. Mas o jornal preferiu vetar a sua difusão, confirmando a existência de “uma verdadeira campanha que objetiva extinguir, vetar e destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa; e impedir, bloquear e derrotar qualquer possibilidade de criação de novos instrumentos legais de ação afirmativa”.
Magnoli, o novo jagunço das elites
Na mesma semana, os senhores da Casa Grande confirmaram que seguem mandando na mídia. Após publicar matéria dos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM responsabiliza negros pela escravidão”), a Folha abriu espaço para o seu jagunço de aluguel, Demétrio Magnoli, atacar seus dois repórteres. No artigo “O jornalismo delinquente”, o novo mercenário das elites se solidariza com o discurso racista do senador demo Demóstenes Torres, que culpou os escravos pela escravidão, e criticou covardemente os dois jornalistas, sugerindo a sumária demissão.
A atitude da Folha, que terceirizou as suas críticas à política de cotas, causou forte repulsa. Um manifesto de solidariedade aos dois repórteres já circula nas redações. Para o blogueiro Leandro Fortes, a Folha cometeu suicídio editorial ao autorizar um “elemento estranho à redação (mas não aos diretores) a chamar de ‘delinquentes’ dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, eu não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca”.
Enquadramento de repórteres e editores
“Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados, como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra suas atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião”, opina Leandro Fortes. Para ele, o repulsivo artigo de Magnoli visa a “intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam” –, referindo-se a batalha eleitoral em curso.
A delinquência de Magnoli também atingiu um dos principais articulistas da Folha, Elio Gaspari, que ironizou o demo: “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas”. Para o jagunço, a reportagem e, de quebra, a coluna de Gaspari não deveriam ter sido publicadas sem prévia autorização da direção do jornal. Ou seja: ele exige maior censura na decrépita Folha. Os racistas, bastante reais e atuantes, estão nervosos no combate às cotas.
Fonte: http://www.abpn.org.br/index.php
E ainda tem gente que acha que não existe racismo no Brasil. Mas a própria mídia elitista desmente os adeptos desta tese fajuta – pregada, entre outros, pelo “senhor das trevas” da Rede Globo, Ali Kamel.
Fonte: Portal Vermelho 15 de Março de 2010 - 14h34
Nos últimos dias, ela cometeu dois crimes de racismo. O jornal O Globo simplesmente vetou a publicação de um anúncio pago (pago!) do movimento Afirme-se, que defende as cotas nas universidades brasileiras. Já a FSP (Folha Serra Presidente) se meteu numa enrascada ao dar espaço para o racista Demétrio Magnoli, que esculhambou dois repórteres do próprio jornal.
A peça publicitária do movimento Afirme-se, produzida pela agência baiana Propeg, enfatizava que 60% dos brasileiros apóiam as políticas afirmativas e defendia a manutenção das cotas. O anúncio visava interferir nos debates da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Ele foi publicado em vários veículos ao custo médio de R$ 40 mil. Já o jornal da famíglia Marinho, que antes havia orçado a publicação em R$ 54.163,200, ao saber do conteúdo da campanha elevou o preço para R$ 712.608,00 – um aumento de 1.300%.
Preço elevado em 1.300%
Diante deste evidente racismo, a entidade ingressou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra O Globo, exigindo a “punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito”. Para o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, o majoração de 1.300% “é uma coisa irracional, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”. Segundo o advogado João Fontoura Filha, a atitude do jornal atenta contra a liberdade de expressão e fere vários artigos da Constituição.
Na ação enviada ao subprocurador-geral de Justiça e Direitos Humanos, o advogado afirma que o anúncio visava “informar a sociedade a respeito da constitucionalidade das cotas – tão atacadas nos editoriais e artigos difundidos, entre outros, pelo O Globo”. Mas o jornal preferiu vetar a sua difusão, confirmando a existência de “uma verdadeira campanha que objetiva extinguir, vetar e destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa; e impedir, bloquear e derrotar qualquer possibilidade de criação de novos instrumentos legais de ação afirmativa”.
Magnoli, o novo jagunço das elites
Na mesma semana, os senhores da Casa Grande confirmaram que seguem mandando na mídia. Após publicar matéria dos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM responsabiliza negros pela escravidão”), a Folha abriu espaço para o seu jagunço de aluguel, Demétrio Magnoli, atacar seus dois repórteres. No artigo “O jornalismo delinquente”, o novo mercenário das elites se solidariza com o discurso racista do senador demo Demóstenes Torres, que culpou os escravos pela escravidão, e criticou covardemente os dois jornalistas, sugerindo a sumária demissão.
A atitude da Folha, que terceirizou as suas críticas à política de cotas, causou forte repulsa. Um manifesto de solidariedade aos dois repórteres já circula nas redações. Para o blogueiro Leandro Fortes, a Folha cometeu suicídio editorial ao autorizar um “elemento estranho à redação (mas não aos diretores) a chamar de ‘delinquentes’ dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, eu não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca”.
Enquadramento de repórteres e editores
“Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados, como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra suas atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião”, opina Leandro Fortes. Para ele, o repulsivo artigo de Magnoli visa a “intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam” –, referindo-se a batalha eleitoral em curso.
A delinquência de Magnoli também atingiu um dos principais articulistas da Folha, Elio Gaspari, que ironizou o demo: “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas”. Para o jagunço, a reportagem e, de quebra, a coluna de Gaspari não deveriam ter sido publicadas sem prévia autorização da direção do jornal. Ou seja: ele exige maior censura na decrépita Folha. Os racistas, bastante reais e atuantes, estão nervosos no combate às cotas.
Fonte: http://www.abpn.org.br/index.php
16 de mar. de 2010
Site é obrigado a se retratar
O dono do site verdadecrista.com.br, Severino Francisco dos Santos, que nas eleições municipais de 2008 veiculou na internet “material de teor discriminatório ao segmento LGBT e aos adeptos de religiões de matriz africana” terá que reativar a página da web para reparação. Na época, o site postou manchetes do tipo: “João da Costa declara que sua proteção vem dos orixás. É em Xangô que João da Costa tanto se confia! E você? Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A mensagem fazia referência ao fato de João da Costa ter aparecido com um Fio de Contas do orixá Xangô, durante a campanha.
O proprietário assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que tem como objeto a reparação dos “danos coletivos” causados pela veiculação das mensagens. O Severino terá que publicar, do dia 5 de abril a 15 de novembro, diariamente “nota de desagravo às religiões de matriz africana e afrobrasileira”; a “legislação antidiscriminatória/antiracista; e a “cópia do Termo”. O TAC foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 27 de fevereiro e determina o cumprimento da ação a contar da data da publicação. No entanto, como o site se encontrava desativado, foi feito um acordo para que o proprietário da página pudesse reativá-la.
Para a coordenadora da Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco, Vera Baroni - uma das instituições que se manifestaram contra a atitude do pastor e provocaram o MPPE -, o resultado é “uma pequena grande vitória”. “Primeiro porque o Estado reconheceu que existe uma diversidade brasileira que tem que ser respeitada. Estão chamando as pessoas à responsabilidade”, ressaltou.
MARILEIDE ALVES
Detalhe foto: VERA Baroni foi uma das responsáveis pela ação
Fonte: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/556295?task=view
15 de mar. de 2010
Destruir a obra
Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel -
É a temporada. Tempo de sofismas e argumentos tortos. Tempo das mesmices repetidas com ares de descobertas recentes. Hora de escapar do debate sobre a questão racial brasileira. Não precisava ser assim. Podia ser um tempo de avanços. Mas os que negam o racismo brasileiro preferem esse cerco à inteligência, ao óbvio, ao progresso.
Num ambiente negacionista, foi um alívio ouvir as explicações simples e diretas da secretária de Estado americana Hillary Clinton na Faculdade Zumbi dos Palmares, onde escolheu debater com estudantes. Hillary defendeu as ações afirmativas dizendo que, com elas, os EUA estão deixando para trás os vestígios da escravidão:
— Temos feito um grande progresso com as ações afirmativas em aumentar as oportunidades na educação, no emprego para os afro-americanos. Elas são o reconhecimento de que as barreiras históricas criam um funil que impede o acesso do grupo discriminado a níveis superiores de educação. É preciso alargar a entrada e deixar mais gente entrar. O talento é universal, mas as oportunidades, não. O acesso na universidade não é, no entanto, a garantia da graduação.
Hillary contou que, como professora de Direito, percebeu que muitos alunos que entraram por ação afirmativa tiveram dificuldades maiores pelas falhas da educação anterior. Ela se dedicou a esses alunos no sistema tutorial:
— Simplesmente não podemos aceitar os estudantes na universidade para deixar que eles falhem. Eles têm que ser ajudados.
O sistema americano é diferente do nosso, mas discriminação é parecida em qualquer país do mundo. Ela barra com obstáculos sutis ou explícitos, negados ou assumidos, a ascensão de grupos discriminados por qualquer motivo, racismo, sexismo, ou outras intolerâncias. Lá, eles não têm cotas, não têm vestibular; o sistema, como se sabe, é o de application, o de se candidatar a uma vaga apresentando suas credenciais escolares. Ao avaliar quem entra, as escolas dão pontuação maior a quem vem de um grupo discriminado. Cada universidade tem um critério, um método e uma meta diferente, mas todas buscam um quadro de alunos com diversidade. Os alunos com menos chance de estar lá têm preferência nas bolsas para as caríssimas universidades privadas americanas.
— Estou muito orgulhosa das conquistas dos últimos 50 anos do movimento dos direitos civis, pelos que lutaram como Martin Luther King e outros, mas não posso dizer que o meu país não tem racismo, não tem sexismo — disse a mulher que comanda a mais poderosa diplomacia do mundo e é chefiada por um negro, que preside o maior país do mundo. Ela não vê a sua ascensão, nem a do presidente Obama, como provas de que não há barreiras para negros e mulheres.
Essa sinceridade é encantadora porque é rara no Brasil. Esse reconhecimento da existência do problema, e de que ele é vencido por ações concretas de políticas públicas e de empresas, dá esperança.
No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: "Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra."
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: "Todos são iguais perante a lei." E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão. "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores. Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las. Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito. O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.
Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/03/07/destruir-obra-272069.asp
É a temporada. Tempo de sofismas e argumentos tortos. Tempo das mesmices repetidas com ares de descobertas recentes. Hora de escapar do debate sobre a questão racial brasileira. Não precisava ser assim. Podia ser um tempo de avanços. Mas os que negam o racismo brasileiro preferem esse cerco à inteligência, ao óbvio, ao progresso.
Num ambiente negacionista, foi um alívio ouvir as explicações simples e diretas da secretária de Estado americana Hillary Clinton na Faculdade Zumbi dos Palmares, onde escolheu debater com estudantes. Hillary defendeu as ações afirmativas dizendo que, com elas, os EUA estão deixando para trás os vestígios da escravidão:
— Temos feito um grande progresso com as ações afirmativas em aumentar as oportunidades na educação, no emprego para os afro-americanos. Elas são o reconhecimento de que as barreiras históricas criam um funil que impede o acesso do grupo discriminado a níveis superiores de educação. É preciso alargar a entrada e deixar mais gente entrar. O talento é universal, mas as oportunidades, não. O acesso na universidade não é, no entanto, a garantia da graduação.
Hillary contou que, como professora de Direito, percebeu que muitos alunos que entraram por ação afirmativa tiveram dificuldades maiores pelas falhas da educação anterior. Ela se dedicou a esses alunos no sistema tutorial:
— Simplesmente não podemos aceitar os estudantes na universidade para deixar que eles falhem. Eles têm que ser ajudados.
O sistema americano é diferente do nosso, mas discriminação é parecida em qualquer país do mundo. Ela barra com obstáculos sutis ou explícitos, negados ou assumidos, a ascensão de grupos discriminados por qualquer motivo, racismo, sexismo, ou outras intolerâncias. Lá, eles não têm cotas, não têm vestibular; o sistema, como se sabe, é o de application, o de se candidatar a uma vaga apresentando suas credenciais escolares. Ao avaliar quem entra, as escolas dão pontuação maior a quem vem de um grupo discriminado. Cada universidade tem um critério, um método e uma meta diferente, mas todas buscam um quadro de alunos com diversidade. Os alunos com menos chance de estar lá têm preferência nas bolsas para as caríssimas universidades privadas americanas.
— Estou muito orgulhosa das conquistas dos últimos 50 anos do movimento dos direitos civis, pelos que lutaram como Martin Luther King e outros, mas não posso dizer que o meu país não tem racismo, não tem sexismo — disse a mulher que comanda a mais poderosa diplomacia do mundo e é chefiada por um negro, que preside o maior país do mundo. Ela não vê a sua ascensão, nem a do presidente Obama, como provas de que não há barreiras para negros e mulheres.
Essa sinceridade é encantadora porque é rara no Brasil. Esse reconhecimento da existência do problema, e de que ele é vencido por ações concretas de políticas públicas e de empresas, dá esperança.
No Brasil, o esforço focado nos negros é chamado de discriminação. E os brancos pobres? Perguntam. Eles estão também nas ações afirmativas, e nas cotas, mas o curioso é que só se lembre dos brancos pobres no momento em que se fala em alguma política favorável a pretos e pardos.
É temporada da coleção de argumentos velhos que reaparecem para evitar que o Brasil faça o que sugeriu Joaquim Nabuco, morto há 100 anos, em frase memorável: "Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra."
Diante de qualquer proposta para reduzir as desigualdades raciais, principal obra da escravidão, aparece alguém para declamar: "Todos são iguais perante a lei." E são. Mas o tratamento diferenciado aos discriminados existe exatamente para igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional.
O senador Demóstenes foi ao Supremo Tribunal Federal com um argumento extremado: o de que os escravos foram corresponsáveis pela escravidão. "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para a Europa. Não deveriam ter chegado na condição de escravos, mas chegaram. Até o princípio do século XX, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."
Pela tese do senador, eles exportaram, o Brasil importou. Simples. Aonde o crime? Tratava-se apenas de pauta de comércio exterior. Por ele, o fato de ter havido escravos na África; conflitos entre tribos; tribos que capturavam outras para entregar aos traficantes, e tudo o mais, que sabemos, sobre a história africana, isenta de culpa os escravizadores. Trazido a valor presente, se algumas mulheres são vítimas de violência dos maridos, isso autoriza todos a agredi-las. Ou se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros.
O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito. O que me incomoda é a incapacidade reiterada que vejo em tantos brasileiros de se dar conta do crime hediondo, do genocídio que foi a escravidão brasileira. Não creio que as ações afirmativas sejam o acerto com esse passado. Não há acerto possível com um passado tão abjeto e repulsivo, mas feliz é a Nação que reconhece a marca dos erros em sua história e trabalha para construir um futuro novo. Feliz a Nação que tem, entre seus fundadores, um Joaquim Nabuco, que nos aconselha a destruir a obra da escravidão.
Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/03/07/destruir-obra-272069.asp
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